Ponto Vermelho
Honra e glória
15 de Maio de 2013
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O Benfica vai disputar uma nova final europeia de que andava arredado há muitos anos, pois embora tenha um palmarés assinalável na presença em finais, a travessia do deserto que foi compelido a fazer e o seu lento reerguer sobretudo desportivo determinaram esse hiato prolongado. Depois do falhanço na Champions e relegado para a Liga Europa, os encarnados estão pois de volta à cidade de Amesterdão que nos brinda com tão gratas recordações, pois foi precisamente aí que Coluna, Eusébio, José Águas e tantos outros, ergueram pela segunda vez a então Taça dos Campeões Europeus.

Há 51 anos, sendo o seu opositor o Real Madrid do grande Alfredo Di Stéfano, o Benfica era considerado pelos entendidos na matéria e pela opinião desportiva mundial um sério candidato a ser trucidado pelo gigante espanhol, na altura já detentor de um impressionante registo na prova-rainha europeia. Desta vez, o Benfica também não é considerado favorito dado o seu opositor ser nada mais nada menos do que o actual campeão europeu que, recorde-se, levou de vencida o então favoritíssimo Bayern de Munique que, além do mais, disputava a final em sua casa.

De então para cá muito se progrediu na forma como as equipas portuguesas de topo enfrentam as suas congéneres europeias. Hoje em dia, apesar do enorme desnível dos orçamentos e no consequente apetrechamento dos plantéis, as equipas portuguesas já podem olhar os seus adversários nos olhos, ainda que em vários casos a nossa competitividade fique beliscada em compita com as maiores equipas do Velho Continente em função das diferentes possibilidades que estas têm de adquirir e pagar aos melhores jogadores que, por essa razão e pela menor visibilidade da nossa Liga, estão vedados às equipas portuguesas.

Daí terem enveredado por outras opções porque a necessidade aguça o engenho, comprando jovens promessas e transformando-as em jogadores de renome que depois, para além do rendimento desportivo ainda propiciam um bom retorno financeiro. O senão é que rapidamente são cobiçados por grandes emblemas e, como tal, os nossos clubes são forçados a vendê-los por necessidades orçamentais e também porque se torna muito difícil retê-los para mais contrariados. É entretanto da maior justiça assinalar o trabalho desenvolvido pelos treinadores portugueses no potenciamento desses jogadores. Não é por acaso que nos últimos anos a moda dos técnicos estrangeiros a nível das principais equipas caíu em desuso e hoje é consensual que devem ser treinadores portugueses a comandar as principais equipas da Liga.

De entre esses treinadores tem emergido Jorge Jesus, e logo mais à tardinha em Amesterdão será curioso observar o confronto com jogadores que já militaram no Benfica e actualmente defendem as cores do nosso opositor. Estes jogos são muito diferentes das competições nacionais e nem sequer estamos a falar de um grau de maior ou menor dificuldade. A atmosfera que rodeia estas finais mexe com todos em particular com os jogadores, que sabem que estão a ser observados por milhões de olhos que observam e avaliam o seu desempenho. Existe pois a natural vontade de superação de cada um porque são oportunidades na carreira que para alguns são únicas e por isso carregados de forte motivação e estão dispostos a transcenderem-se. Logo, mais uma vez, assim será.

Passada a desilusão do último jogo interno, é nossa convicção de que o eventual abatimento psicológico está definitivamente ultrapassado. No futebol, quando os clubes atingem a fase final da época e estão a disputar ciclos complicados com finais atrás de finais como acontece com o Benfica, a reacção a qualquer desaire por maior e mais importante que seja tem que ser rápido para haver lugar à recuperação anímica, dado que a física está associada e varia em função daquela. Não estamos por isso preocupados com essa componente porque sabemos que o desejo de disputar uma final europeia tudo sobrelevará.

Acreditamos pois num bom jogo, intensamente disputado, com as equipas a colocarem todos os seus trunfos em cima da mesa. Do nosso ponto de vista, as equipas neste momento equivalem-se, porque se o Chelsea tem vários jogadores de primeiríssimo plano o Benfica também tem e, como equipa parece-nos que está num plano superior. Mas poderá suceder que o jogo venha a ser decidido pelos valores individuais de uma ou outra equipa. Acresce que do ponto de vista de desgaste o Chelsea até tem mais jogos, pelo que não será por aí que qualquer um dos clubes se pode queixar de desvantagem. Apesar de ser muito difícil e o Chelsea arrancar como favorito, confiamos num bom desempenho encarnado e numa vitória que a acontecer seria épica. O Benfica merece trazer para Portugal a Liga Europa para sua satisfação e reforço do seu imenso prestígio além fronteiras. Todos nós benfiquistas agradecemos e este País a precisar de ser animado também. Tragam de lá esse caneco!






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