Ponto Vermelho
Olhar em frente
16 de Maio de 2013
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Cientes da imponderabilidade que o futebol encerra, sempre tentámos não alinhar em teorias que possam conduzir a uma euforia desenfreada ou no inverso a um pessimismo incontrolado. Mas como cada um é como cada qual, admitimos que hajam adeptos que passam de um extremo ao outro com a maior das facilidades. Com um simples resultado de um jogo de futebol positivo ou negativo. Esta temporada e no que ao Benfica diz respeito isso tem sido nítido. Para o bem e para o mal.

Todos nós, muito ou pouco, sofremos influências ao longo da nossa vida nos mais variados aspectos. Por vezes sem darmos conta. Desportivamente falando, a aguerrida e variada imprensa que temos fruto da concorrência desenfreada num pequeno mercado como o nosso, produz efeitos sérios nas massas e nos adeptos menos atentos aos sinais. A falta de acesso à génese da noticia tem muita influência uma vez que leva o adepto comum a assumir a sua fidelidade pelo que lê ou pelo o que ouve, quando em bastas ocasiões a peça ou o comentário não passam de meros exercícios especulativos produzidos por opiniões pessoais subordinadas por vezes a outros interesses.

A despeito da estrutura encarnada (leia-se Presidente e treinador) terem recusado por diversas vezes entrarem pelo caminho do entusiasmo desmedido sublinhando que ainda nada estava ganho, uma parte de adeptos benfiquistas mais dada a euforias não conseguiu reter por mais tempo o sentimento que lhe ía na alma e enveredou por se manifestar de forma efusiva em várias ocasiões. E a atitude dos jogadores após a vitória suada no Funchal deu azo às mais diversas especulações. Cada um confeccionou o prato e utilizou os ingredientes que mais lhe convinha.

Só se está a especular com isso agora porque o Benfica perdeu 5 pontos em duas jornadas consecutivas e fez perigar a hipótese de vir a recuperar o título de campeão. Os encarnados, por um conjunto de razões em que o futebol é fértil, falharam de facto e que há que assumir isso sem titubiezas. A forma e os momentos é que dramatizaram toda a situação porque não resultaram de uma situação de superioridade inequívoca adversária, mas de erros próprios que estão a sair caro e a conduzir os benfiquistas a um período negro de resultados que não estava nas cogitações dos adeptos. Mesmo nos cenários mais pessimistas.

O Benfica tem vindo a percorrer um longo caminho desde que esteve à beira do precipício com um pé no ar… É claro que os adeptos exigem o imediatismo dos títulos que ninguém, por mais competente que seja, lhes pode garantir. O fundamental é sentirem que existem progressos consequentes. E eles podem ser detectados, uma vez que a equipa tem vindo a consolidar-se de ano para ano derivado de um factor importantíssimo – a estabilidade que por sua vez patrocina a coerência do caminho.

Dirão os mais pessimistas e inconformados que tudo isso é muito bonito mas o objectivo último – títulos – está muito aquém do que seria legítimo esperar. É uma realidade indiscutível. Mas o que não se deve fazer é ser permeável à tentação de mudar por mudar, porque isso de uma forma geral interrompe ciclos de crescimento e de consolidação, coarta possibilidades, e tudo volta ao princípio. Temos essa experiência nos últimos anos e os resultados estão à vista. É pois tempo de ponderação. Serenamente.

Sem que isso sirva de bálsamo para as nossas feridas, foi gratificante observarmos como o Benfica foi capaz de vulgarizar o actual campeão europeu em título na maior parte do jogo. Não estamos a dizer isto para reeditar velhas teorias de vitórias morais, mas para chamar a atenção de que seria manifestamente impossível até há alguns anos, ao Benfica bater o pé a tão cotado adversário. E, mais importante do que isso, o sentimento e a reacção de que isso se tratou de uma situação normal o que prova que tem havido forte crescimento da equipa em todos os capítulos.

Continuamos a registar falhas nos momentos cruciais que nos estão a custar títulos. Mas isso só acontece porque o Benfica está lá nos momentos das decisões. É dos livros que em alta competição em que o valor das equipas é semelhante, que os jogos se decidem por pequenos detalhes. Foi assim no Dragão e foi assim em Amesterdão. Para nosso descontentamento. Urge realmente eliminar essas falhas e insuficiências para que no momento da verdade elas não aconteçam. Ainda que em futebol tudo seja improvável. Importa olhar em frente e acreditar como fizeram esses admiráveis adeptos que estiveram presentes em Amesterdão e todos os outros espalhados por Portugal e pela diáspora. Eles acreditam, e nós também!




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