Ponto Vermelho
Maldições...
17 de Maio de 2013
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Enquanto se continuam a digerir “maldições”, chegam-nos de todo o lado os ecos da memorável jornada de Amesterdão que pouco faltou para ser épica, bem como o reconhecimento da injustiça que acabou por prevalecer no ArenA. Mas mal ou bem o resultado aconteceu, o Chelsea levou a Liga Europa para Inglaterra e o Benfica tem é que se preocupar no futuro em não cometer deslizes cruciais nos detalhes que decidem finais e, pelos vistos, também estão na eminência de decidir campeonatos.

É gratificante para o ego benfiquista a chuva de elogios que vieram de todo o mundo do futebol, que no entanto colocou o acento tónico em algum romantismo sobre o futebol atacante dos encarnados que na hora H se perdeu em burocracias que facilitaram a defesa do Chelsea que com mérito e com alguma sorte, conseguiu levar a água ao seu moinho. Aspecto a rever, o da eficácia, tantas e tantas vezes conseguida. Mas contra equipas desta dimensão não chega jogar bem, atacar mais ou conseguir melhores ocasiões –, é preciso concretizar porque as vitórias e as conquistas só se fazem marcando mais golos do que o adversário.

Como não podia deixar de ser, os elogios foram para os protagonistas – jogadores e treinador -, por dimensionarem o Benfica para um futebol de ataque continuado. Situação absolutamente normal porque as atenções do mundo futebolístico estavam postas em Amesterdão, sendo crível admitir que a partir de agora alguns terão uma outra visão para ambos. E depois da exibição de Quarta-Feira e aparte a falta de eficácia encarnada, estávamos curiosos por saber se o treinador do Newcastle, Alan Pardew manteve os prognósticos da classificação do Benfica caso este disputasse o campeonato inglês…

Enquanto os Departamentos de Scouting preparam afanosamente relatórios circunstanciados de jogadores encarnados para ataque no fim da época, também o treinador Jorge Jesus, segundo a imprensa, terá sido referenciado por clubes ingleses. No entanto, fazendo juz à tradicional sobranceria inglesa, a agora atenta imprensa ignorou por completo o Open day da UEFA no Seixal antes da Final, o que prova que terão andado distraídos com o pobre futebolzinho português que afinal, apesar de todas as vicissitudes, consegue jogar de igual para igual com qualquer equipa britânica.

Talvez inebriado pela exposição mediática e por tantos elogios que sempre surgem nestas circunstâncias favoráveis, Jorge Jesus questionado e para gáudio da imprensa portuguesa, deu o seu contributo para mais um capítulo da novela da sua renovação com o Benfica. Já antes, como estamos recordados, Jesus tinha deixado uma expressão algo enigmática do não sei se para o ano estarei cá. Pois desta vez e depois de terem surgido notícias que davam como consumada a renovação, Jesus resolveu que estava na altura de repensar a situação face ao resultado da final de Amesterdão.

Cremos acreditar que a emoção do momento (apesar da derrota) poderá ter terá exercido um efeito controverso na mente de Jorge Jesus. Depois do que tem vindo a lume quer da sua parte quer da parte do Presidente do Benfica, é evidente que muitas coisas foram discutidas e acertadas. Logo, por muito boa vontade que exista, não se percebe o seu desabafo como que a querer transmitir que estava na sua mão a decisão final e que o Benfica estava refém da sua decisão. Não terá sido assim mas essa foi uma das interpretações que alguns escribas se apressaram a veicular.

Isso requer uma análise mais atenta. Jesus encarnou um projecto que vinha de trás e que precisava da maturação que só adviria com os anos. É inquestionável que sob a sua liderança técnica, a equipa de futebol profissional cresceu, desenvolveu-se, cimentou posições e entusiasmou. A despeito de várias mortes na praia que revelaram crises de crescimento. É igualmente indiscutível que qualquer adepto reconhece que houve progresso efectivo, as coisas alteraram-se para melhor e o futebol do Benfica atingiu uma expressão que nada tem a ver com o tinha acontecido antes da sua chegada. Não reconhecer isto é ter memória curta e ser injusto.

Se tudo isto é inteiramente verdade, também é da mais elementar justiça reconhecer que foram as condições que a Direcção encarnada colocou à sua disposição que lhe permitiram atingir a projecção que hoje lhe é justamente reconhecida. Logo, foi um contrato benéfico para ambas as partes, a despeito de alguns erros mútuos no percurso. Fazia e faz por isso sentido uma extensão contratual pois ambos só têm a ganhar pela estabilidade que confere, face a um projecto ambicioso e em contínuo desenvolvimento. O que não faz sentido são declarações que apesar de serem avançadas no calor da emoção, lançam a confusão numa altura em que é preciso a maior calma e ponderação. É bom não esquecer que as pessoas, por mais importantes que sejam em determinado momento, passam enquanto os clubes continuam…




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