Ponto Vermelho
Injustiças
18 de Maio de 2013
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Não tendo a época ainda terminado e não estando o campeão ainda apurado, sucedem-se os balanços dos críticos e daqueles que sendo supostamente da casa, se apressam a enfatizar os erros e a apontar as insuficiências manifestadas pela equipa de futebol do Benfica. Estamos certos que a estrutura e fundamentalmente o seu líder estarão atentos e saberão extrair as devidas ilacções que servirão de base para suprir as carências apontadas. Isto partindo do princípio que os contributos são aceites como válidos e que não estavam já na agenda da reconstrução para a próxima época. Para os que querem desconversar e para os que abordam apenas e só o lado negro das questões é deixá-los entretidos com as suas próprias conjecturas e futilidades.

Jardel foi outrora apelidado de patinho feio. Mas quando assumiu e manteve a titularidade durante o castigo prolongado de Luisão e a lesão de Garay disputando uma percentagem importante de jogos com bastante acerto, foi recuperado pelos mesmos que tinham dantes considerado que não demonstrava categoria suficiente para envergar a camisola encarnada. Um perfeito exagero. Provando que a opinião é volátil, alguns até chegaram a afirmar que ninguém tinha dado pela falta de Luisão e/ou de Garay, o que revelou de novo uma reacção exagerada. Não tem sido por acaso que ambos têm sido titulares indiscutíveis.

Situando as coisas no seu verdadeiro patamar isso não significa todavia, que Jardel não seja um bom jogador ou que não seja útil à equipa. Pelo contrário, sempre que tem jogado tem demonstrado o porquê de fazer parte das habituais convocações para os jogos. A par de boas exibições tem cometido erros, como aliás sucede a qualquer outro jogador por mais estatuto e categoria que tenha. Mas enquanto a um médio e sobretudo a um avançado, é perdoado um passe mal feito ou uma oportunidade flagrante falhada, a um defesa quando falha um corte decisivo, na maioria das ocasiões é a morte do artista pois tal redunda em golo na sua baliza.

Recordamos por exemplo Bordéus onde Jardel subiu rapidamente ao céu para, logo a seguir, descer sbruptamente ao inferno. Depois de abrir o marcador para os encarnados num oportuno golpe de cabeça, acabou por ter a infelicidade de ficar ligado a dois golos dos franceses. Estando as vertentes sorte e azar muito ligadas ao fenómeno futebolístico, há jogos em que tudo acontece a um determinado jogador seja para o bem seja para o mal. Isso, todavia, não lhe acrescenta ou retira qualquer parcela de mérito ou demérito aos seus desempenhos globais e à sua competência. Todos nós, espectadores atentos do futebol, temos assistido a situações dessa natureza.

Também sabemos que há jogadores a quem a imprensa e a opinião pública desculpa e perdoa mais facilmente os erros. E igualmente constatamos que outros existem que são incapazes de jogar mal, mesmo quando os seus desempenhos se situam abaixo de patamares competitivos pouco consonantes com a sua categoria. Outro caso que poderia ilustrar esta problemática e seguiu o caminho inverso é Enzo Pérez. De pouco afirmativo e proscrito pela atitude que tomou apesar das influências nefastas (nós próprios aqui o criticámos), transformou-se num excelente jogador tendo sido, a par de Matic, um dos grandes pilares do meio-campo encarnado que se viu subitamente desfalcado de dois importantes jogadores. E se dúvidas houvessem, a sua reacção após o jogo de Amesterdão diria tudo…

Na final da Liga Europa, entrando a frio já no último quarto de hora da partida para substituir Garay lesionado, Jardel acabou por ficar ligado ao golo que ditou a sorte da Final através de uma abordagem passiva ao lance do cabeceamento vitorioso de Ivanovic. Mas se porventura escasso minuto depois, Óscar Cardozo tem feito a bola ultrapassar a linha de baliza de Petr Cech como esteve mesmo à beirinha de acontecer e o Benfica tem empatado, o lance infeliz de Jardel tinha sido apenas abordado en passant e nenhuma relevância lhe tinha sido atribuida.

Isto prova como o futebol pode dar azo a injustiças flagrantes nas abordagens que a ele fazem e ao desempenho deste ou daquele jogador, desta ou daquela jogada, deste ou daquele lance. Pela sua humildade e pelo seu profissionalismo, Jardel que não há dúvida que errou, não merecia que lhe tivesse caído o Carmo e Trindade em cima. Tal como, 25 anos antes, aconteceu a António Veloso quando falhou o penalty decisivo numa final da Taça dos Campeões com os holandeses do PSV, num jogo que correspondeu à 7ª Final de provas europeias que o Benfica disputou. Agora, na 9ª, ainda que por vias diferentes, voltou a acontecer um caso algo similar. Só não acontece mesmo a quem não está presente em finais…






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