Ponto Vermelho
Conforme previsto...
19 de Maio de 2013
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Ressaltando ainda uma prova por disputar onde está envolvido o Benfica, falta pois um dado importante para que se possa fazer o balanço completo da época. E sobre isso, mesmo que o resultado da final da Taça de Portugal venha a ser positivo, não faltarão opiniões a apontar em sentidos opostos, incluindo de dentro da esfera benfiquista. A aferir por aquilo que tem vindo a ser dito e redito, parece-nos inevitável que assim seja. É só uma questão de esperar mais um pouco porque vem aí o defeso, as transferências de e para apesar de interessantes não ocupam todo o espaço, e há portanto que falar de alguma coisa. E o Benfica é sempre um tema apetecível...

É evidente que tendo os responsáveis da estrutura encarnada definido o campeonato como principal prioridade, a sua não conquista para mais nas circunstâncias em que acabou por acontecer, tem sempre de ser considerado um falhanço de tomo. Mais do que encontrar atenuantes há que identificar as razões porque tal aconteceu, atendendo a que as maldições que alguns se apressaram a atirar para cima da mesa apesar de circunstancialmente dolorosas foram apenas meras coincidências do futebol. Ainda que possam ser atribuídas a acasos, falhanços ou desconcentrações que vieram a revelar-se fatais. Um dos pequenos detalhes que fazem a diferença.

O apuramento para a final da Liga Europa e todo o entusiasmo que daí adveio terá produzido efeitos contrários no jogo seguinte. Até porque o esforço dispendido para ultrapassar a eliminatória com os turcos inserida num novo ciclo competitivo muito exigente, não deixaria de produzir sequelas do ponto de vista anímico (pela inerente euforia de estar presente numa final 23 anos depois) com efeitos contraditórios na concentração e no relaxamento. E quando assim é, a possibilidade de um resultado pouco conseguido aumenta vertiginosamente.

Isso viu-se no jogo com o Estoril 4 dias depois em que após uma entrada fulgurante com várias oportunidades flagrantes falhadas, o Benfica cedeu nitidamente em termos de fluidez de jogo atacante um aspecto em que é fortíssimo, hipervalorizando o adversário que sendo valoroso (o seu apuramento para a Liga Europa acaba de o confirmar), estava perfeitamente ao alcance dos encarnados que até poderiam ter construído na vintena de minutos iniciais um resultado que os pusesse a salvo do que viria a acontecer a seguir. Como não foram capazes por ineficácia, o jogo foi-se arrastando e o Benfica foi-se desunindo à medida que o tempo passava. E surgiu mais um detalhe (a expulsão de Carlos Martins) que dadas as circunstâncias, não pode nem deve acontecer em alta competição.

O resultado obtido teve o condão de exercer uma influência deveras negativa em toda a estrutura e na massa adepta encarnada. Depois do pássaro estar na mão era inevitável que assim fosse. Ao invés, o nosso principal adversário que estava encostado às cordas, como que ressuscitou das trevas devido a tão grande e inesperada benesse. O que era perfeitamente dispensável era a bacoquice do seu treinador depois da rábula da toalha, vir dizer que tinha sido estratégia… Ou aquela de um dos moços de recados que andam por aí, ao escrever que Vítor Pereira (antes do jogo com o Estoril) tinha pensado à Porto, esquecendo-se que era o Benfica que ía jogar… É por essas e por outras que o FC Porto nunca há-de conseguir ultrapassar a imagem de clube regional!

Apesar desse sério handicap, o Benfica apresentou-se no Dragão convicto de que poderia obter um resultado positivo. E esse seria ganhar, ainda que o empate objectivamente servisse. Mas, sublinham os experts, que jogar para o empate é meio-caminho andado para a derrota. E curiosamente foi quando o FC Porto já tinha atingido a quase completa descrença bem traduzida no rosto dos seus responsáveis e da sua massa associativa e o Benfica pensou ganhar o encontro nos minutos finais e ser campeão, que desprezou outro pequeno detalhe que acabou com o jogo e com o campeonato.

Uma das consequências directas do resultado com o Estoril foi impedi-lo de ter um passeio mais tranquilo no Dragão, pois obrigou-o a um esforço muito maior por não poder poupar jogadores, a um desgaste psicológico que se agravou com as circunstâncias em que aconteceu a derrota. Ainda assim houve uma forte reacção na final da Liga Europa que merecia melhor sorte, mas a procura do golo com nota artística acabou por dar no que deu. E, de novo, uma vez mais, o tal pequeno detalhe fez a diferença e deu razão aos supersticiosos que continuam a acreditar em maldições

À partida para a derradeira jornada a convicção geral era a de que o FC Porto de uma maneira ou de outra acabaria sempre por chegar ao título que, se por acaso não acontecesse, seria dramático porque seria uma época completamente falhada, se exceptuarmos o troféu que os portistas sempre enaltecem – a Supertaça – que não fosse ter o nome de quem tem, seria quase ignorada. E de facto, no jogo em Paços, o caminho foi desbravado através da outra, uma situação que, aliás, é cara aos portistas. A ajuda (neste caso directa) de forças exógenas que se calhar quiseram demonstrar a sua gratidão pela revisão da nota de um certo jogo de Coimbra… Tudo afinal fica bem quando acaba bem…




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