Ponto Vermelho
Casos em aberto
20 de Maio de 2013
Partilhar no Facebook

Concluída a principal prova do calendário futebolístico português e aguardando-se por mais uma semana para ser fechada de vez a época em si, seria interessante que todos os casos desportivos ou aparentados que foram sucedendo ao longo da época e que mais chamaram a atenção da opinião pública, estivessem também fechados ou em vias de resolução. Poderá argumentar-se que isso seria materialmente impossível, porquanto alguns deles já foram até encerrados (em duplicado) pela alegada justiça desportiva que temos, mas cujos processos continuam a decorrer nos tribunais civis a aguardar na fila dos milhares de processos pendentes que algum juiz mais atento e diligente lhe dê seguimento.

Outro argumento a favor desta tese será o de que são processos morosos (onde é que já ouvimos isto?) que requerem investigação profunda e demasiadas diligências até que estejam maduros para serem julgados. E os meios policiais de investigação são escassos, as verbas insuficientes e o tempo não chega obviamente para tudo apesar do esforço. Nada que não tenhamos já ouvido mil vezes para explicar o porquê dos processos em Portugal se arrastarem e serem a perder de vista… De tal maneira que bastas vezes até prescrevem… Como aliás convém e assim auto-resolvem-se e facilitam as estatísticas e não só…

Sendo mais precisos e rigorosos, em alguns deles não há objectivamente nenhuma razão séria para que continuem a vaguear no tempo. Vejamos um caso ao acaso que sendo aparentemente o mais fácil em termos de investigação - algumas vozes mais atentas e informadas já tinham afiançado 3 meses atrás que nunca seria resolvido antes do campeonato e a época desportiva estarem terminados e as provas homologadas -. Falamos do caso do insólito roubo dos computadores da Sede da Federação Portuguesa de Futebol e que desde logo levantou muitas suspeitas, dada a sua especificidade que parecia esconder algo de muito estranho uma vez que não se tratou de um vulgar roubo de valores.

Segundo a própria polícia afirmou na altura em comunicado, tinham no momento «sido recolhidos no local indícios fortes que iriam ajudar a chegar aos responsáveis…». Essas provas apontavam em duas direcções qual delas a mais fiável, para recolha de provas que permitissem a identificação rápida do suspeito, pois o ladrão tinha deixado um rasto de sangue que permitiria aos CSI’s descobrir rapidamente a sua identidade, para além de que, tendo actuado de cara descoberta, tinha sido filmado pelas câmaras de vigilância no local. Face a estes dados oficiais, a opinião pública ficou convencida de que seria fácil saber quem era o arrojado ladrão e julgá-lo com celeridade…

À luz destes dados objectivos e que eram suportados por fonte policial identificada (Comando Metropolitano da PSP de Lisboa), o Sub-Director de A Bola José Manuel Delgado, inseriu um contador para aferir da celeridade na resolução do processo tendo em conta as provas insofismáveis referenciadas. E a despeito de semanalmente lembrar que o tempo vai passando… e nada, jamais alguém voltou a abordar o assunto publicamente, o que não deixa de ser preocupante e demonstrativo que quem fala em omissões e lentidão sabe do que fala. Não estamos a levantar processos de intenção, mas já chegámos à 14ª semana e parafraseando o jornalista…e nada!

Todos sabemos que a polícia anda demasiado ocupada (até a garantir a protecção de cidadãos mais mediáticos e que têm receio de sair à rua), mas a opinião pública agora com voz reforçada por cada vez pagar mais impostos, continua interessada e a aguardar por esclarecimentos de um caso com contornos estranhos. Não acreditamos que o processo não tenha sofrido nenhuma evolução e que o móbil do roubo não encerre algo que pode surpreender, caso porventura alguém ainda mantenha essa capacidade. Justamente por isso e porque o arrastar do processo sem mais informações só pode gerar na opinião pública um mar crescente de suspeições, seria deveras interessante saber-se o ponto da situação do processo.

Temos observado que na sua esmagadora maioria os media têm primado estratégicamente pelo seu desinteresse e essa falta de pressão ajuda ao silêncio, mas que diabo, será assim tão difícil prestar esclarecimentos sem comprometer a investigação? Ou será que a exemplo de tantos outros processos se opta pelo seu prolongamento indefinido para gradualmente ir perdendo força mediática e ir caindo no esquecimento? Agora uma coisa é certa: quanto mais tempo durar a lei do silêncio mais suspeitas haverá no espírito de muitos cidadãos que querem ver resolvido um caso que já o devia estar. Ou será que estão à espera de mais uma prescrição?






Bookmark and Share