Ponto Vermelho
Complexo agudo
21 de Maio de 2013
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Numa fase em que os lacaios de interesses estrangeiros se continuam a esforçar por levar até ao fim a comissão de serviço de que foram incumbidos para que o aviltamento do povo português em todas as suas vertentes seja uma realidade indiscutível, o País atravessa uma das mais graves crises da sua história. Vivemos uma altura em que os mais pobres (cujo lote é engrossado todos os dias) são espoliados diariamente por um governo sem escrúpulos e sem pudor que vai inventando todas as maneiras de aplicar mais um imposto. Sofremos perante um supremo magistrado que é apenas e só uma extensão desse grupelho e que com a inacção e um silêncio sepulcral que são cada vez mais a sua imagem de marca, não impede os constantes ataques à Constituição, pelo que o país caminha descontrolado para o abismo sem que ninguém faça algo para travar essa marcha.

É que a crise não se revela apenas no básico e no essencial do cidadão comum – a sobrevivência cada vez mais ameaçada –, atinge igualmente de uma forma inapelável aspectos de ordem moral e éticos que vão sendo relegados para as calendas por pessoas desprovidas do mais elementar bom senso que não têm competência, aptidões e muito menos experiência para governar um país que sendo pequeno, tem mais de 8 séculos de história com um legado que deveria ao menos ser respeitado. Mas a postura tradicionalmente serena e pacífica com que o povo português encara todos estes despautérios, acaba por incentivar estes mentecaptos travestidos de governantes a não se preocuparem com a sua inabilidade em todos os sectores, e a votar ao desprezo mais profundo milhões de cidadãos que os acasos do destino fizeram com que tivessem que suportar todos os seus desmandos.

Perante estes cenários catastrofistas e de falta de personalidade, a sociedade teria que espelhar tudo isso. Sem regras e sem freios, alguns cidadãos sobressaem pela negativa, assumindo comportamentos em que, não tivessem sido suspensas as regras de um Estado de Direito ou as obrigações éticas e morais e há muito que estariam onde deveriam estar quando se infringe de uma forma ostensiva e deliberada os mais elementares deveres de consideração e de respeito pela liberdade dos outros cidadãos ou de Instituições, apenas porque são diferentes ou pensam de forma diferente. São atitudes e comportamentos miserabilistas enquadrados na filosofia que imperava no Estado Novo, mas que se aproveitam das amplas liberdades concedidas pela democracia que permite comportamentos fascizantes e como tal deveriam ser banidos se, por acaso, os valores sagrados da sociedade não fossem ignorados e não estivessem em desegregação acelerada.

Esses desvarios e linguagem imprópria de um estado democrático já nós vemos e ouvimos diariamente em diversos fóruns e patamares desde blogues e jornais on-line, trazidos por gente anónima que entende que o insulto soez e gratuito é a forma mais apropriada de exprimirem a sua indignação pelo facto de alguém defender ideias contrárias, sejam elas políticas, clubísticas, religiosas ou outras. Como se isso influenciasse ou colonizasse a mente de quem pensa diferente! Se isso é lamentável, mais será o de quem permite que essas opiniões conheçam a luz do dia, pois a crise, as audiências ou as tiragens, não justificam de todo que se ultrapassem pontos que deveriam ser de honra. Mas não são.

Mas o mais grave, triste e lamentável de tudo isto não serão, quiçá, esses excessos serem trazidos à praça pública por elementos desconhecidos e sem relevância social, mas sim protagonizados por pessoas que, bem ou mal, adquiriram expressão pública e, como tal, deveriam ser mais contidas na linguagem e nas atitudes. Para mal dos nossos pecados a sociedade está cheia de maus exemplos e afinal não se pode exigir a deputados (a começar pela presidente) que recebem com todas as fidalguias o campeão de processos envolvendo corrupção na chamada Casa da Democracia que tenham comportamentos diferentes.

E nem a chamada irracionalidade que no futebol tudo parece justificar e serve de desculpa, pode alguma vez inocentar o autêntico atentado cometido por um senhor deputado do maior partido do governo e acidentalmente candidato autárquico a Gaia e cujo nome não referimos para evitar a poluição, quando ofendeu de uma forma totalmente inaceitável não só os benfiquistas, mas uma parte substancial do povo português, a pretexto de um pseudo regionalismo que só existe em mentes conspurcadas. Nada que possa surpreender, pois todos sabemos que o principal culpado da situação exercita essa tese desde sempre e que vai servindo para continuar a adulterar a verdade do futebol português e a criar fricções regionais. Mas como tudo lhe é permitido e as suas baboseiras congénitas são tidas à guisa de fina ironia quem, verdadeiramente, poderá ficar surpreendido com o que escreveu o candidato do PSD a Gaia?








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