Ponto Vermelho
Será desta?
22 de Maio de 2013
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Resolvido o assunto do treinador pelo Sporting que é indiscutivelmente o clube que mais pressa tem dadas todas as vicissitudes porque passou na temporada prestes a findar, afadigam-se as curiosas gentes em tentar antecipar a azáfama que decorrerá no quartel-general dos outros principais clubes. Ficam ou não ficam? Será desta que se sabe? Eis a sublime questão que parece preocupar inúmeras pessoas que acompanham e são influenciadas pela campanha a que os órgãos de comunicação se dedicam. Faz parte do ramalhete normal porque as notícias atraem e não escolhem hora nem lugar.

A Norte, existindo o tabu habitual sempre que um treinador perfaz dois anos à frente do FC Porto (Lembram-se de Jesualdo Ferreira?) era consensual a conclusão de que Vítor Pereira estava de malas aviadas do Dragão e até já teria destino certo – O Everton com quem teria rubricado pré-contrato. Tudo isso porque esteve à beira de perder tudo, foi fortemente criticado sobretudo pelos notáveis portistas e não era benquisto junto de uma ampla parte da massa associativa. Recuperou in-extremis do descalabro e sabe-se como as opiniões são voláteis.

Afinal, tal como Helton que já estava no Brasil, Vítor Pereira depois de um abaixo-assinado comovente, tem boas possibilidades de permanecer mais uma temporada à frente dos destinos portistas. Consta que quer Antero Henrique quer Pinto da Costa terão ficado profundamente sensibilizados por tão tamanha manifestação de solidariedade. De um lado os jogadores que todos à uma expressaram o seu desejo inequívoco de quererem continuar sob a alçada do ex-adjunto, e, por outro, de grande parte da massa associativa. Tudo isto perante o silêncio dos notáveis depois de terem dito cobras e lagartos do treinador portista.

Um dos argumentos decisivos para este eventual volte-face terá sido a alegada continuidade de Jorge Jesus no Benfica. Se o treinador encarnado que esteve perto de ganhar tudo e subitamente ficou reduzido à possibilidade de conquista da Taça de Portugal como único troféu da época, parece ter quase tudo encaminhado para renovar, porque razão Vítor Pereira que ganhou ao sprint sob a meta ao seu velho rival um campeonato que até acabou aos 22m da 1ª parte em Paços de Ferreira (uma gentileza de Hugo Miguel que passa automaticamente a ser sério candidato à homenagem da praxe pela Associação de Futebol do Porto) não seria um putativo candidato a renovar?

Se (e os números não mentem), no confronto directo com Jorge Jesus nas duas épocas e salvo duas excepções Vítor Pereira saiu por cima (ainda que por vezes com ajudinhas à mistura, isso seria mais um trunfo a seu favor mantendo-se Jesus na Luz. Se no conjunto das duas temporadas para o campeonato conseguiu nada mais nada menos do que 8 pontos em 12 possíveis, isso ainda mais aconselharia a sua continuação. Como as últimas imagens são as que ficam, toda a estrutura, todos os notáveis e quase toda a massa associativa a saborear como nunca o tinham feito a conquista sobre o Benfica, rapidamente se esqueceram dos falhanços na Liga dos Campeões, na Taça de Portugal e até na tão vilipendiada Taça da Liga em que só disputaram a Final porque contaram com a prestimosa e indispensável ajuda dos Conselhos e Disciplina e de Justiça da FPF .

Se se vier a confirmar a sua renovação por mais um ano, Vítor Pereira terá que passar a ter a preocupação de ter uma condução mais efectiva dado que cada vez menos chega o piloto automático. E se neste momento a prodigalidade dos elogios podem fazê-lo pensar que afinal treinar o FC Porto é arriscar-se a ser campeão, terá que ter em conta que houve um conjunto diversificado de factores que poderão conduzir a várias conclusões. Muita coisa se alterou sem que muita gente tenha dado conta. E a legião dos seus críticos que neste momento estão a optar pelo silêncio estratégico ou no limite pelo aplauso moderado perante as evidências, não modificaram assim tanto a sua opinião sobre si, e caso algo descambe regressarão desta vez com muito maior ferocidade.

Está pois na altura de saborear o seu momento de glória, atendendo a que não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe. Mas apesar de toda a panóplia de estatísticas favoráveis, nunca se deve esquecer que em duas temporadas que leva à frente da equipa azul e branca, a vitória no campeonato, para além dos óbvios méritos, se deveu a um conjunto de factores anómalos que têm cada vez mais menos tendência a repetir-se, nomeadamente as circunstâncias em que o Benfica saiu frustado por ambas as vezes. Deverá reflectir sobre isso…






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