Ponto Vermelho
Mérito, demérito e outras coisas mais…
24 de Maio de 2013
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Prosseguem as ondas de choque originadas pelo facto do Benfica se ter deixado ultrapassar mais uma vez, sobre a meta. Os inúmeros opinadores vão fazendo desfilar as suas opiniões, sendo comum referirem-se ao mérito do FC Porto na conquista do campeonato por nunca ter deixado de acreditar que, apesar de faltarem 3 escassas jornadas para o final, o Benfica iria malbaratar pontos e deixá-lo à mercê dos portistas na penúltima jornada. Depois, no último embate, de uma forma ou de outra seria a etapa da consagração como aliás, sem surpresa, veio a acontecer.

Numa prova que prima ou deveria primar pela regularidade, o clube que chega ao fim em 1º tem que ter evidentemente sempre algum mérito. O problema começa no conceito da palavra em si, pois pelo que é dado observar no Futebol português o mérito tem diferentes interpretações, e não é coisa que seja por aí além apreciada pelas bandas do Dragão pois o que lá prevalece é vencer a qualquer preço, não importando os meios utilizados para alcançar tal desiderato que de ano para ano vão-se tornando mais refinados.

O universo Benfica sabe perfeitamente disso. Sabe que não lhe basta ser melhor dado que isso não dá, por si só, passaporte para a vitória. É preciso ser rotundamente melhor nos aspectos futebolísticos, dado que em todos os outros factores que decidem jogos e campeonatos apesar de vir a demonstrar nítida melhoria, continua ainda algo distante. Não no sentido de se substituir ao poder vigente, mas ir eliminando gradualmente as impurezas que continuam a gravitar nos centros do poder onde afinal tudo se decide. E quando tal acontece nos detalhes mais facilmente passa despercebido…

É inteiramente verdade que o Benfica voltou a perder o campeonato nos detalhes. Quando existe um equilíbrio de forças, é certo e sabido que são os detalhes a decidir. Mas houve um facto que sendo indiscutível não pode ser contestado: é que no conjunto dos dois jogos com o FC Porto, o Benfica não conseguiu superiorizar-se tal como aliás tem sucedido nas últimas épocas. E isso, não podendo ser escamoteado, faz uma enorme diferença particularmente em aspectos do foro psicológico.

Esta temporada, no jogo da Luz, parecia claro que o Benfica estava por cima e tinha todas as condições para vencer o desafio e ganhar vantagem. Mas por razões que não conseguimos descortinar, o que aconteceu é que os encarnados iniciaram o desafio de forma expectante e temerosa e não tardou inclusivamente que fosse ofertado um golo em bandeja de prata ao adversário. E depois, correr atrás do prejuízo não nos parece que, por sistema, seja a forma mais realista de enfrentar os adversários, pois essa atitude acaba sempre por lhes conceder vantagens.

É importante que isso deixe de acontecer. Sendo ou devendo ser os clássicos por definição imprevisíveis em que pode acontecer a vitória de qualquer das equipas, importa antes do mais lutar para impor o seu jogo e não esperar que o adversário desenvolva o seu. Esta é uma realidade que tem que ser de uma vez por todas ultrapassada. Há que eliminar eventuais condicionamentos psicológicos ou outros que se reflectem na atitude da equipa, para que a mesma não transmita a imagem de retracção que a limita nos seus desempenhos.

Vários são os factores que ultrapassam o âmbito normal de um jogo. De novo voltaram a acontecer incidências que são infelizmente normais no nosso futebol. E, a despeito do demérito do Benfica no momento em que não poderia falhar, os detalhes posteriores acabaram por nos convencer que as influências nefastas se mantêm e estão para durar, dado que as forças do mal perante o encolher de ombros de quem de direito, continuam a estar operativas e a ditar leis nos pormenores com clara tradução nos objectivos finais.

Houve de facto uma melhoria no desempenho global encarnado. Mas nos grandes clubes como o Benfica, a aposta para além de dever ser sempre ambiciosa, tem que fazer convergir as intenções com o desempenho dentro do campo. Vimos progressos, vimos ambição, mas as vitórias ficaram de novo adiadas. Sabemos que as últimas gerações estão sedentas de êxitos, mas é preciso entender que os bastidores continuam a dispor de bastante força e, como tal, com a possibilidade de influenciar desempenhos. Depois de duas épocas com o seu quê de traumatizante, é preciso que nos concentremos nos novos desafios e demonstrar que somos capazes, contando que é fundamental ultrapassarmos os pormenores que têm sido um dos nossos maiores handicaps. Devemos pois continuar a apoiar a equipa sem desfalecimentos, que no entanto deve ter sempre presente que a paciência dos adeptos é enorme mas não é inesgotável…




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