Ponto Vermelho
Se dúvidas houvessem…
25 de Maio de 2013
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Durante a última década vários têm sido os negócios entre o FC Porto e o Sporting. Do estricto ponto de vista comercial e desportivo nada a obstar. Mais; deveria até ser uma situação normalíssima entre os grandes. Estamos certos que daí adviriam múltiplas vantagens para todos no (re)apetrechamento dos seus plantéis, sendo que algumas vezes podem existem excedentes para uma determinada posição num clube, enquanto no outro há carências notórias derivadas de uma multiplicidade de factores.

Sabe-se porque isso não acontece e só tem existido entre o Sporting e o FC Porto, atendendo a que com o Benfica, os portistas têm vindo a entreter-se com o desvio de alvos nos quais se diz que o Benfica tem interesse (apesar do muito foguetório), fazendo disso uma das suas habituais vitórias imaculadas “À Porto”. Logo, enquanto houver influência de Pinto da Costa nos destinos dos portistas (directa ou indirectamente) ou existir a política que tem vigorado no Dragão, não é crível que esse tráfego alguma vez possa acontecer, esteja à frente do Benfica o actual presidente ou qualquer outro. Parece-nos sobremaneira líquida essa assumpção.

Nos últimos anos as transferências entre os dois clubes têm propiciado chorudos negócios ao FC Porto. A adaptação de jogadores transferidos do Sporting é automática, e passados dois dias já se comportam e agem como sempre fossem portistas desde pequeninos, o que revela uma capacidade incomum de assimilação da doutrina portista. Já o caso contrário é muito mais difícil devido a uma cultura diferente com a qual os jogadores oriundos dos portistas revelam dificuldades. O caso mais emblemático que contraria essa tese terá sido porventura o de António Oliveira que foi capitão e até treinador do Sporting.

Portanto, à partida, o FC Porto sai logo a ganhar. Mas se a esse factor adicionarmos o do rendimento desportivo e posteriormente os lucros obtidos com a sua venda para o estrangeiro, teremos vantagens em toda a linha para o lado azul e branco e prejuízos nítidos para as bandas sportinguistas que, para além do mais, vêem os seus ex-jogadores jogarem contra si com a motivação em alta que lhe advém de terem sido considerados dispensáveis. Mas isso somos nós a dizer, e se os dirigentes leoninos têm entendido que essa é a melhor solução é uma questão que apenas e só lhe diz respeito a eles, aos accionistas e aos seus adeptos.

O último grande negócio concretizado na era Bettencourt foi o de João Moutinho na altura capitão da equipa leonina. Como tem acontecido, este negócio tripartido foi óptimo para o FC Porto, para o próprio jogador e seria catastrófico para o Sporting não fosse ter sido incluída no acordo uma cláusula que salvaguardava os interesses leoninos, caso o referido jogador se transferisse no futuro para o estrangeiro e a transferência suplantasse os 11 milhões de euros. A acontecer acima daquele valor, o Sporting asseguraria um quarto da transferência.

Na época transacta, Moutinho esteve mesmo para ser transferido para Inglaterra por valores bem significativos, e só um pormenor burocrático de última hora mas do qual a Federação inglesa não abdica, inviabilizou a transferência. Teria sido bem mais lucrativo para o Sporting (e já agora para o Portimonense onde o jogador fez parte da sua formação) se a transferência se tivesse concretizado. Mas isso indiciava de forma clara que Moutinho seria transferido neste defeso, situação que ainda ganhou mais força quando o FC Porto adquiriu a parte restante do seu passe aos Fundos que a detinham e que tinha estado na origem da transferência ter abortado.

E eis que a mesma surgiu sem surpresa. Nada de especial justificava realce a não ser a concretização do negócio e o bom encaixe dos portistas. Isso para além de deixar extasiado um dos Directores-Adjuntos do diário da verdade a que temos direito. Mas o FC Porto deve ter achado que apesar do Sporting ser um clube amigo e passar por grandes dificuldades financeiras, era o momento para lhe coartar a possibilidade de vir a receber mais de comissão, ao invés dos empresários que contam sempre com a generosidade da Torre das Antas e que é um dos fortes trunfos que levam os portistas a conseguirem vários negócios. Tal como no futebol e não só, também aqui não importa o que pagam, onde pagam ou a quem pagam, o que é preciso é ganhar o negócio.

Vai daí através de uma engenharia à Porto, desta vez as vendas aconteceram em pacote para ultrapassar a limitação. Tendo acordado com o Mónaco uma verba referida de 70 milhões (não será isso mas para o caso pouco importa) eis que, surpresa das surpresas, João Moutinho que tinha uma claúsula rescisória de 40 milhões foi vendido por 25 milhões e James Rodriguez que dispunha de um tecto rescisório de 45 milhões foi vendido pelo valor integral da cláusula. Demasiado claro, demasiado evidente!

Lamentam-se os sportinguistas que se sentem enganados e com inteira razão. Como referiu o ex-V.P. leonino Carlos Barbosa ao diário A Bola, "O Sporting foi enganado. Trata-se de um péssimo ato de gestão de José Eduardo Bettencourt e o FC Porto, mais uma vez, fez o que lhe apeteceu, baixou o valor para prejudicar o Sporting. Foi um péssimo ato de gestão vender o João Moutinho naquelas condições… Não podemos confiar no FC Porto".. É de facto uma pena só agora o terem descoberto. Se dúvidas houvessem…


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