Ponto Vermelho
Tarde de Domingo…
26 de Maio de 2013
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Algumas vozes vinham insistindo que a Taça de Portugal constituía a salvação do Benfica esta época. Discordámos e qualquer que fosse o resultado do jogo desta ventosa tarde de Domingo, nada alteraria dado que a análise da temporada tem que ser feita na globalidade, com serenidade, e não será este o momento em que se torna necessário antes do mais manter a cabeça fria, a altura mais propícia para o fazer.

Isso não significa de modo nenhum que a conclusão da época não tenha sido demasiado dolorosa, porque será muito difícil a Jorge Jesus, aos jogadores e à estrutura, conseguirem explicar o porquê de terem perdido não uma, não duas, mas sim três soberanas oportunidades de êxito, quando os dados apontavam fortíssimas probabilidades de vir a ser um final de época como há muitos anos não se via. E, mais traumatizante, porque tivémos três doses de mais do mesmo, repetindo cenas e situações com alguma semelhança com épocas anteriores.

Na Taça de Portugal, prova em que o Benfica detém o melhor palmarés e cuja última vitória datava da temporada de 2003/2004, esta final era aguardada com expectativa acrescida. Não porque se ganhasse a época ficasse salva, mas por um conjunto variado de razões. Desde logo o prestígio de ganhar uma prova que já não vencia há muito, porque era uma forma de homenagear os seus fiéis adeptos que apesar dos revezes consecutivos de final da época mantiveram-se firmes no apoio à equipa e, por último, por uma questão sentimental que o próprio treinador fez questão de publicitar.

Mas como não há duas sem três, mais uma vez deparámos com o insucesso e, para sermos realistas há que dizer que por manifesta culpa própria. Porque apesar de o Benfica ter entrado melhor no jogo, cedo se percebeu que os equívocos que acompanharam a equipa desde o início vieram de novo ao de cima, fazendo prever o que viria a acontecer. E nem a sorte e a inspiração que acompanhou Gaitán no lance com que abriu o activo inspirou a equipa que de imediato deu indicações para o exterior que estava contente com o resultado e que a partir daí era só repousar em cima do resultado.

O treinador por mais do que uma vez sublinhou que para perder finais é preciso estar nelas. É um facto indesmentível. Mas sê-lo-á com toda a propriedade se estivermos a falar de um Amora, de um Felgueiras ou de um Vitória de Setúbal (com todo o respeito que todos estes clubes nos merecem). Não do Benfica que é para estar em finais seja de que tipo for e ganhá-las. E esta temporada aconteceu precisamente que os encarnados chegaram lá, tiveram três boas chances e em nenhuma delas conseguiram inscrever o seu nome como vencedor. Dá que pensar pois desta vez não houve minuto 90+2.

Se olharmos em especial para a segunda-parte, todos perceberemos a razão porque não conseguimos ganhar. Quando se vence por um golo de diferença e se pensa em segurar um resultado com 45 minutos por jogar, é evidente que se correm grandes riscos, mesmo que o adversário se chame Vitória de Guimarães que sabia que não dispunha das mesmas armas mas tinha, ao invés, uma crença em si próprio que o catapultou para uma vitória que acabou por ser justa, pelo seu querer e pela sua vontade de acreditar que era possível… como foi! Um filme já visto esta época em que erros próprios se repetiram de uma forma grosseira e consecutiva.

Neste momento como que parece desabar sobre a cabeça dos benfiquistas um rol de desgraças sem fim, com a situação a agravar-se por serem de rajada. Aliás, parece que o Benfica de Jorge Jesus tem especial propensão para castigar e fazer sofrer os adeptos. Não é o facto de perder ou ganhar que são resultados associados ao futebol, mas sobretudo por elevar o patamar das expectativas e depois, num ápice, deitar tudo a perder, como se a satisfação se esgotasse quando se atingem as decisões. É a forma como as derrotas surgem causando efeitos psicológicos prolongados.

Ainda sob o efeito de mais um desaire que não era nada esperado, é preciso parar para pensar e não reagir ou tomar decisões por impulso que podem vir a pôr em causa todo o edifício e caminho positivo percorrido até aqui. É preciso dar tempo ao tempo, avaliar todas as consequências e depois serenamente assumir decisões. É, pelo menos a quem está de fora, aquilo que parece mais apropriado. Mas nesse particular, mais do que a inevitável manifestação de adeptos com todo o direito à indignação, terá que ser a estrutura a pesar os prós e os contras. Para que, para a próxima época, tudo não volte a acontecer como até aqui. Começam a ser demasiadas coincidências…




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