Ponto Vermelho
Decisão complicada
28 de Maio de 2013
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A sucessão de derrotas em escassos 12 dias que determinaram saldo zero de vitórias do Benfica na presente temporada tem, como seria previsível, provocado abalos telúricos com réplicas nas hostes benfiquistas, com o epicentro centrado em Jorge Jesus e em Luís Filipe Vieira. Ambos avaliam as consequências deste súbito e rotundo revés. Contrariamente às previsões inflamadas do portista Júlio Magalhães, por estes dias não se tem falado aquisições e de jogadores que querem jogar no Benfica, mas única e simplesmente do treinador, o que faz juz ao que sempre ouvimos de o programa poder ser alterado por qualquer motivo imprevisto

Os dados estão lançados e a decisão final sobre a continuidade ou não de Jorge Jesus pode ser anunciada a qualquer momento. Antes disso é preciso proceder a uma avaliação de todos os elementos positivos e negativos ao longo das 4 épocas, introduzir dados de ponderação, medir os prós e os contras e, finalmente, tomar a decisão que não será certamente a ideal mas é a que, por mais complicada que venha a ser, a que se impõe neste momento. E hoje, olhando a imprensa e as várias opiniões expendidas, observamos que a maioria defende a saída de Jesus por considerar que o mesmo já não tem condições para continuar o projecto desportivo do Benfica.

Nestas alturas em que o mundo parece desabar e as pressões são mais que muitas, existe no futebol português a normal tendência de, sempre que acontecem acidentes em equipas de expressão, fazer rolar cabeças. E essas normalmente circunscrevem-se quase sempre ao treinador que é visto como o grande responsável pelos insucessos da equipa, sendo por natureza o único a arcar com as responsabilidades. Admitimos que é mais cómodo a solução de despedir e oferecer em bandeja de prata a sua cabeça do que procurar exaustivamente todas as razões que levam ao falhanço das equipas em determinados momentos.

Numa estrutura desejavelmente solidária, o individual dilui-se no colectivo e os sucessos e os insucessos deveriam ser assumidos por todos. Embora como é óbvio, hajam alguns que por força das circunstâncias e do lugar que ocupam tenham que assumir maior destaque. O problema é que vemos muitos candidatos sedentos de protagonismo quando a equipa está a ganhar, mas como que se esfumam nas derrotas só reaparecendo para criticarem como se nunca tivessem feito parte da estrutura. O Benfica não é diferente, o que deveria levar a uma reflexão séria e profunda.

Durante os 4 anos de consulado de Jorge Jesus, temos acompanhado muitas opiniões sobre o mesmo, algumas a perderem-se em divagações de aspectos pessoais. Fomo-nos pronunciando sobre isso e criticando a forma e o conteúdo dos comentários que em certos casos excederam o respeito pelo homem e o patamar mínimo da boa educação que deveria acompanhar alguns profissionais da imprensa. Sempre entendemos que as críticas devem centrar-se apenas e só sobre aspectos profissionais, e nesses incluimos obviamente atitudes e comportamentos pouco ortodoxos protagonizados durante o exercício da profissão.

Também não ignoramos que devido ao seu feitio impulsivo e populista, Jesus não tenha desde o princípio reunido o aplauso de toda a estrutura. E sabe-se que a reacção humana nestes casos tende estrategicamente a silenciar-se sempre que as vitórias surgem (e elas aconteceram logo no 1º ano), mas ressurge implacável logo que o espectro de derrotas se vislumbra no horizonte. Convenhamos que não tiveram muito que esperar pois logo na 2ª temporada desceu do paraíso ao purgatório. Surgiram as pressões para que a ruptura se efectivasse mas LFV, lembrado do caso Fernando Santos, manteve-se fiel ao projecto renovando o contrato por idêntico período mas acabando por ceder a alguma chantagem que acabou por dotar Jesus com um contrato principesco.

Na 2ª dose a equipa parecia bem encaminhada para recuperar o ceptro de campeão. Mas num ápice, as arbitragens por um lado, a euforia despropositada por outro, e erros flagrantes na definição das prioridades levaram a que a equipa baqueasse na recta da meta, surgindo como pobre compensação a Taça da Liga. Erros próprios assumidos publicamente e nova tentativa. Tudo a caminhar sobre rodas, novos erros estratégicos e… sabemos o que aconteceu e o estado em que se encontram os benfiquistas com a crescente expectativa de poder ganhar tudo e de repente, nada sobrou a não ser uma desilusão de consequências imprevisíveis e a certeza de que tínhamos tido mais do mesmo.

Felizmente para nós não temos que tomar a decisão. Mas se por acaso a tivéssemos que tomar, confessamos que hesitaríamos muito. E é preciso observar que estando de fora não dispomos de todos os dados que poderiam inclinar a balança num ou noutro sentido, embora no balanço das 4 épocas e com as últimas imagens presentes nos inclinássemos para o fechar do ciclo. Note-se no entanto que, qualquer que venha a ser a decisão, se não forem rectificados os erros na estrutura a começar pelos comunicacionais e que vão muito para além do treinador, não tardaremos a falar das mesmíssimas coisas…




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