Ponto Vermelho
Discursos a destempo
29 de Maio de 2013
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As terríveis e inesperadas reviravoltas em que é o futebol é fértil, obrigam a que todos os que vivem directamente o desporto-rei sejam prudentes e consigam definir os timings para tentarem fazer passar as suas mensagens. Do nosso modesto ponto de vista, um presidente de um grande clube como o Benfica só deve falar quando tem algo importante a transmitir, dado que isso poderá ter forte impacto no balneário, no universo encarnado, nos adversários e na opinião pública em geral.

Atendendo ao eco, as palavras não poderão ser equívocas para que muitos não confundam o enumerar de objectivos (normais) com promessas (vãs), como se no futebol alguém pudesse prometer um campeonato ou uma taça. Lembrem-se das declarações que Pinto da Costa proferiu no princípio de Janeiro de 2010 quando prometeu solenemente o título a José Maria Pedroto… E se todos cometem os seus erros e nem sempre acertam na oportunidade e no teor exacto da comunicação, sublinhe-se que gradualmente o presidente encarnado tem vindo a registar fortes progressos nessa área. Isto aparte de continuar a existir um défice na articulação e na comunicação global.

No nosso entender há erros, por mais bondosas que sejam as intenções, que não podem nem devem ser cometidos. Sobretudo quando já tinha havido lições no passado recente. Permitir-se que o tema da renovação do treinador estivesse presente em todas as declarações e conferências de imprensa de Jorge Jesus foi um acto mal calculado, porque isso foi aceitar a devassa de um assunto que só deveria sair para a praça pública depois de consumada a decisão, fosse qual ela fosse. E, pior do que isso, foi o discurso algo contraditório do próprio treinador que permitiu o alimentar das especulações em particular a de lhe competir a ele a última palavra.

Não ficaríamos por aí. A seguir ao jogo com o Fenerbahçe e na euforia que se seguiu com o apuramento para a final, o próprio Presidente deu como consumada a renovação, quando ainda faltava um simples pormenor; saber o desfecho do campeonato, da Liga Europa e da Taça de Portugal, 3 provas que poderiam fazer a diferença tendo em conta o passado recente que já tinha dado lições de prudência. Viu-se o que aconteceu, e não é por agora o sabermos que deixou de justificar que esse deveria ser um tema a abordar sempre à posteriori. Foi um risco mal calculado que tornou LF Vieira refém das suas próprias palavras e sujeito, face à precipitação dos acontecimentos, a ser confrontado com uma das mais difíceis decisões que agora pesa sobre os seus ombros.

A incoerência de alguns tem levado a que consigam piruetas significativas. Não deixa pois de ser hilariante ver e ouvir personagens que ainda há pouco mais de duas semanas teciam loas a Jorge Jesus por ter implementado no Benfica um futebol entusiasmante, e logo após a derrota na Taça de Portugal terem mudado de agulha pedindo a cabeça do treinador com o fundamento que o seu ciclo estava terminado. Também deparámos com outros que têm andado desaparecidos em combate e que fazem a sua rentrée triunfal sempre que o Benfica atravessa períodos menos bons. Uns e outros são fiéis àquilo que sempre foram e ninguém em boa verdade pode dizer que ficará surpreendido.

Tudo isso faz parte das estratégias de pressão que por norma acontecem nestas circunstâncias, cabendo aos decisores ponderação e cabeça fria para não enveredarem pelas decisões aparentemente mais lógicas e quiçá mais populistas, mas que poderão não ser as mais equilibradas. Mesmo que LF Vieira não tivesse de forma algo precipitada antecipado a decisão do treinador, a questão colocar-se-ia sempre neste momento, porque as mudanças são vistas sempre pelas massas como algo de inovador e que as faz perspectivar um futuro melhor, o que como se sabe não é líquido que aconteça como temos tido abundantes exemplos no passado. A estabilidade é um princípio fundamental e sem ela corre-se o risco de caminharmos de novo para a instabilidade.

LF Vieira terá concerteza na sua posse os elementos que o habilitem a tomar a decisão final que, seja uma ou seja outra, trará sempre alguma turbulência. É a consequência das 3 finais perdidas em menos de 2 semanas e o acumulado de épocas anteriores. A Taça de Portugal custou muito a digerir face à péssima exibição da equipa depois da magnífica prestação de Amesterdão e que tinha merecido uma reacção positiva dos adeptos. Mais; O que sucedeu no final indiciou que algo não vai bem na condução e no controle da equipa. A reacção estapafúrdia de Cardozo, vários jogadores (o facto de serem estrangeiros não os iliba) a ignorarem o Presidente da República (independentemente do que cada um pensa sobre o seu desempenho) e a ida da equipa para as cabines logo após ter recebido as medalhas numa atitude de desrespeito pela equipa do V.Guimarães, deverá merecer uma reflexão profunda por parte de LFV. Todos estes factores deverão ser tidos em linha de conta em tudo o que se relacione com a próxima época.






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