Ponto Vermelho
Fora do campo
31 de Maio de 2013
Partilhar no Facebook

Se as previsões mais insuspeitas se confirmassem e o Benfica tem vencido as provas em que estava inserido, teríamos, é claro, outro tipo de críticas e discursos completamente diferentes. E esteve à beirinha disso só não o conseguindo porque os sortilégios do futebol surgiram inopinadamente e acabaram por fazer juz à imprevisibilidade que o torna tão atraente e ídolo de multidões. Se exceptuarmos a final da Taça de Portugal onde os encarnados terão porventura efectuado a pior exibição dos últimos tempos e que consagraram o Vitória de Guimarães como justo vencedor, as duas situações anteriores foram meros acasos do destino, se considerarmos as circunstâncias em que tal sucedeu. E, caso não tivessem acontecido, talvez a exibição da final da Taça fosse outra…

Mas a massa humana é mesmo assim; previsível, volátil, insegura e que sofre influências que a levam a mudar radicalmente de opinião, quantas vezes apenas e só por um único desfecho, não se importando de ser incoerente ao desdizer-se e pôr em causa tudo aquilo que até aí globalmente, aplaudia entusiasmada. Se essas mudanças de atitude não nos surpreendem, já não podemos aceitar que os aplausos veementes e as loas exageradas se transformem, num ápice, em palavras insultuosas e até mesmo em algo de mais grave. Os mais entusiastas de ontem como que se transfiguraram e de um dia para o outro passaram a ser os mais ferozes críticos.

Incidências várias contribuem para essa indignação. Já por várias vezes as abordámos e por ora não vamos voltar ao tema. Apelamos no entanto para que possa haver mais calma e ponderação porque sem isso é impossível haver paz e estabilidade. E sem o preenchimento dessas condições é muito mais complicado gerir situações de instabilidade. E, quando tal acontece, a reacção normal é colocar tudo em causa. Se olharmos para o passado não muito distante verificaremos o estado caótico a que chegámos. Isso não significa de modo nenhum que não devamos apontar o que pensamos estar menos bem, numa perspectiva crítica construtiva. Cada um de nós deve fazê-lo contudo sem exceder padrões tidos como aceitáveis entre benfiquistas, porque pormenorizar certos aspectos mais sensíveis do Clube na praça pública não nos parece ser a melhor forma de contribuir para as melhorias que pretendemos. Para isso existem locais apropriados para o fazer.

O Benfica atingiu a projecção que tem hoje por ter alcançado êxitos desportivos muito importantes no panorama nacional e internacional que o fizeram fidelizar multidões de adeptos e simpatizantes por todo o lado. Mas também porque como clube com uma profunda matriz popular, sempre manteve um espírito solidário e esteve atento aos problemas sociais que sempre existiram na sociedade portuguesa. E isso também muito contribuiu para o seu reconhecimento enquanto instituição atenta a tais problemas, para os quais o Estado nunca foi conseguindo encontrar respostas adequadas. Isto obviamente dentro das suas limitações. As convulsões que atravessou em finais do século passado levaram o Benfica a perder essas referências e hoje em dia apraz-nos registar a recuperação desse princípio sagrado dos seus fundadores através da Fundação Benfica, que em tão pouco tempo já muito fez.

É no entanto insuficiente porque existem outros aspectos que também eram a imagem de marca do Benfica e por um conjunto variado de circunstâncias se foram perdendo no tempo com manifesto prejuízo da imagem do Clube. É que, como sabemos, o desporto e o futebol em particular não acontece só dentro do campo mas também muito fora dele. E desta vez não estamos a falar das situações obscuras que têm a chancela conhecida das últimas décadas, mas em aspectos em que o Benfica tem falhado. O clube desde sempre primou pelo fairplay e pelo respeito aos adversários. Na vitória e na derrota. Nos momentos bons e nos maus. E isso invariavelmente foi-lhe granjeando amiúde o respeito e a simpatia dos adversários que se foi reforçando.

Todavia, nos últimos anos, de forma inexplicável, esses atributos começaram a ser postos em causa, acontecendo casos sobre casos que em nada abonam a imagem que o Benfica arrastava atrás de si. Várias serão porventura as justificações para que tal tenha acontecido, mas seja como for, deve ser uma acção prioritária dos responsáveis mudar as agulhas porque esses despautérios só contribuem para a degradação da imagem do Clube e para a animosidade crescente que se observa em diversos estádios. Para além dos óbvios. As últimas imagens do Jamor são infelizmente, exemplo disso, porque não podem corresponder, de nenhum modo, à imagem que o Benfica deve projectar na sociedade. Foi de facto uma sucessão de atitudes e comportamentos inadmissíveis e que jamais deveriam acontecer no Benfica!








Bookmark and Share