Ponto Vermelho
Haja convicção!
3 de Junho de 2013
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Enquanto se ultimam os últimos detalhes na Luz no que toca ao treinador, restante equipa técnica e estrutura ligada à equipa de futebol e se definem alvos para colmatar as posições mais carenciadas no sentido de ter uma época similar mas com final diferente, prossegue na imprensa e nas redes sociais a teoria aos caça-culpados que vai variando consoante as simpatias e os interesses. De um lado os que querem cortar a cabeça de Jorge Jesus e do outro os que perseguem objectivos mais vastos – Luís Filipe Vieira.

É uma dicotomia bem ao jeito português em que sempre que os resultados não são de molde a satisfazer, a tentação imediata antes de pensar é procurar culpados para aliviar o ego e descarregar as suas frustações. Isso sucedeu épocas a fio e, se olharem para os resultados, concluirão que foi essa maneira de pensar e foi essa forma de agir que, longe de resolver o problema de fundo, acabou invariavelmente por agravá-lo com as hipóteses de recuperação a serem mais ténues e difíceis. Isso não implica todavia, que devamos ser conservadores e teimosos ao ponto de continuarmos a insistir numa solução cujo prazo de validade tenha expirado e já não se espere algo de inovador.

Os últimos dados apontam para a continuidade de Jorge Jesus, naquilo que passará a constituir de há muito tempo a esta parte um recorde de longevidade de um treinador no Benfica. Inúmeros balanços já foram feitos sobre o seu desempenho ao longo das últimas 4 épocas, sendo que cada um dos adeptos e simpatizantes tem certamente uma ideia formada sobre a sua capacidade, sobre os seus defeitos, sobre as suas falhas e sobre os seus méritos. Num universo como o benfiquista em que existe uma multiplicidade de opiniões, é natural que hajam posições antagónicas e nalguns casos mesmo extremadas. As conclusões por norma baseiam-se nos títulos e nesse particular a história do seu consulado é pobrezinha para um clube com as aspirações do Benfica.

Sempre tentámos nunca ter posições dogmáticas sobre o assunto porque existem certamente muitos dados na equação que desconhecemos por completo. E como tal, visto de fora é problemático apontar direcções concretas sob pena de ser pior a emenda que o soneto. Porque olhamos para a estrutura como um todo e não exactamente através da soma das partes. E nesse particular a conclusão mais fácil a que qualquer adepto chega, é a de que a estrutura na globalidade teve falhas importantes que se reflectiram no desempenho da equipa. Que urge corrigir.

Isto aparte a natureza do próprio futebol em que tudo estava apontado para o sucesso e de repente tudo se esvaiu nos instantes derradeiros. Como poderia ter acontecido o contrário e hoje estaríamos a enaltecer todos os que hoje são criticados. É a natureza do desporto… e da vida. Com excepção, obviamente do Jamor em que quase tudo fizémos por não merecer. Talvez seja por isso que continuam os ecos da comemoração do título antecipado no Funchal como sendo a fonte de todos os males. Tivesse sido outro o desfecho final da época e ninguém abordaria o assunto. Tivessem sido outros os resultados e o facto do capitão Luisão andar a passear descontraídamente num Centro Comercial após o jogo com o Moreirense quando se tinha consumado a perda do campeonato, nem sequer seria objecto de notícia…

Assim sendo, mais do que ceder à tentação de apontar falhas individuais, deverá ser a estrutura a responder no seu todo procurando onde e o porquê de para além de situações não controláveis, terem havido erros concretos que acabaram por determinar o não cumprimento dos objectivos traçados. E, depois de detectados e inventariados, introduzir as correcções e as alterações tidas por necessárias que impeçam a sua repetição na próxima temporada que, recordamos, verá a final da Liga dos Campeões disputada na Luz, a primeira disputada no estádio de um clube português, após o Jamor em 1967.

Não são precisas grandes conjecturas para perceber que a próxima época terá que ser concebida de molde a não permitir que as falhas que têm sucedido nas duas últimas épocas voltem a suceder. Para isso é preciso que a estrutura mais directamente ligada à equipa funcione na perfeição, uma vez que estará sob escrutínio mal se iniciem os treinos, dada a existência de um número apreciável de adeptos que primam pelo cepticismo. Qualquer falha por mínima que seja tenderá a não ser perdoada, e a bandeira do descontentamento poderá vir a ser erguida com consequências para a estabilidade que se pretende. Compete por isso a todos os responsáveis impedir que isso aconteça, incluindo os adeptos que tão importantes voltaram a ser em toda a época. Nesta estivémos quase, porque não fazermos da próxima uma temporada de sucesso?






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