Ponto Vermelho
A Selecção joga 6ª Feira?
4 de Junho de 2013
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Concluída a época clubística, quem estiver mais distraído questionará os seus botões sobre quando é que afinal Portugal jogará com a Rússia naquilo que é considerado como um dos jogos decisivos para o apuramento do Mundial do Brasil de 2014, pois em caso de derrota ou mesmo de empate, as hipóteses ficarão mesmo muito reduzidas. É que a publicitação do encontro está a ser feita a meio-gás, as notícias sobre a Selecção são escassas, o jogo está a merecer pouco destaque na imprensa e por consequência os adeptos do futebol mostram-se algo indiferentes.

Sabemos que a Selecção, salvo situações particulares de empolgamento, está aquém da preferência dos adeptos portugueses. Gradualmente foram-se perdendo valores, foi deixando de haver referências, e a clubite exacerbada tem relegado os interesses do seleccionado português para secundaríssimo plano. Fruto dos tempos, os melhores jogadores foram emigrando e não envergando as camisolas principalmente dos três grandes os adeptos foram-se desinteressando, aparecendo apenas a apoiar em situações meramente pontuais. Das restantes vezes é apenas um apoio passivo quando não mesmo um total alheamento. É grave que isso esteja a acontecer.

Mas mais grave do que isso são as atitudes e comportamentos de algumas primas-donas que parecem encarar a Selecção como uma chatice. Não é preciso socorrermo-nos do passado para afirmar que para muitos continuará a ser sempre um orgulho representarem a equipa das quinas. Mas já outros não encaram a situação do mesmo modo, parecendo mais interessados em discutir prémios de jogo e acautelarem o seu aspecto físico que não os impeça de actuar pelos seus clubes que, esses sim, parecem vir em primeiro lugar. Curiosamente isto acontece quando desde que se iniciou o novo século com Portugal a estar sempre presente nos grandes eventos futebolísticos e com resultados de relevo.

Não ignoramos que as coisas não estão bem na programação em matéria de selecções. A FIFA, a UEFA e outras organizações ainda não conseguiram acordar na calendarização das provas e dos jogos de preparação, de molde a prejudicar menos os clubes que ao fim e ao cabo lhes pagam os chorudos vencimentos e correm o duplo risco de ficar sem os jogadores e vê-los regressar extenuados (sobretudo os sul-americanos obrigados a longas viagens) ou lesionados em vésperas de jogos decisivos. Neste particular seria preciso uma maior harmonização que salvaguardasse os interesses das Selecções mas também prejudicasse menos os clubes.

Portugal tem sofrido da falta de aposta em jovens talentos nacionais por parte dos principais clubes que se tem reflectido na escassez de opções para os seleccionadores. Sobretudo de Paulo Bento que tem sofrido vários revezes mas também devido a alguma teimosia e conservadorismo. Mas é inegável que a despeito de ter alguns jogadores de classe a jogar nas melhores equipas do Mundo, o seu campo de recrutamento é relativamente escasso e, como tal, as possibilidades de formar uma Selecção forte, têm diminuido consideravelmente. A última fornada tem sido menos talentosa e contra isso, é preciso uma forte aposta na formação por parte dos clubes na convicção e na esperança que surgirão novos talentos que serão os internacionais de amanhã. Alguns quiçá ainda hoje.

O trajecto nesta fase de apuramento não tem sido nada brilhante. Na altura do sorteio todos ficámos convictos de que seria favas contadas o apuramento de Portugal, existindo apenas um adversário que nos iria dar luta – a Rússia. De facto, os russos têm cumprido a sua obrigação e seguem destacados no 1º lugar de onde só um milagre os poderá desalojar, enquanto que Portugal foi distribuindo pontos em catadupa e, pasme-se!, está a lutar com Israel para ao menos tentar atingir o playoff que também está difícil, mas é um expediente a que a Selecção Portuguesa está habituada pois foi assim que conseguiu os últimos apuramentos.

Claramente não lavra optimismo. Talvez seja por isso porque se está a falar tão pouco do jogo da próxima 6ª Feira. Portugal terá porventura uma das equipas menos competitivas dos últimos anos, mas a esperança é sempre a última coisa a morrer. E se os jogadores interiorizarem bem a importância deste jogo para Portugal, para os portugueses e inclusivé para as suas carreiras, acreditamos que é possível conseguir um resultado positivo que continue a alimentar a chama da esperança. Seria impensável que num Campeonato do Mundo ainda por cima disputado num país que nos diz muito e onde o futebol é idolatrado por 200 milhões de almas, Portugal faltasse à chamada. É preciso acreditar que somos capazes. Vamos a isso?






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