Ponto Vermelho
Análises comportamentais significativas…
5 de Junho de 2013
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De há vários anos a esta parte e em particular nos últimos anos, muito se tem falado da eficácia da máquina portista e em contraponto das falhas da estrutura benfiquista. No FC Porto quase tudo é perfeito mesmo quando são cometidos erros crassos, enquanto no Benfica quase tudo o relacionado com a área desportiva está eivado de equívocos que não permitem às equipas afirmarem-se nos momentos decisivos. Damos de barato as frequentes notícias elogiosas para causar um furor calculado e assim vender jornais e suscitar audiências.

Não vamos hoje pelo caminho que temos repetido: a eficácia dos portistas apoia-se uma parte no mérito, mas têm muito a ver com um conjunto de factores nebulosos e… alguns bem explícitos. Como isso não parece interessar por aí além os media, compete à estrutura encarnada e aos benfiquistas nunca deixar morrer o assunto e reafirmá-lo em cada dia e a cada momento, sempre que considerem que a verdade desportiva está a ser posta em causa. E, como sabemos isso é o pão nosso de cada dia, muito embora em determinadas situações haja uma camuflagem perfeita que faz as coisas acontecerem sem darem nas vistas. É esse, o segredo bem guardado e que a comunicação social, desde que sinta sumo não contraria nem denuncia.

No passado fim de semana realizou-se a final-four de Hóquei em Patins. O FC Porto candidatou-se junto da Confederação Europeia da modalidade e conseguiu que lhe fosse atribuída a realização da prova no Dragão Caixa. Até aí tudo bem, dado que os portistas são hoje em dia uma potência na modalidade. Face à calendarização dos jogos, era legítimo que os portistas, a jogarem em casa e com o apoio do seu público fossem forçados a pensar que teriam hipóteses de vencer o Título Europeu. O Benfica teria de medir forças na 1ª jornada com o poderoso Barcelona e o FC Porto com o modesto Valdagno.

A situação ainda se tornou mais entusiasmante depois dos portistas levarem de vencida a equipa italiana e, para sua enorme satisfação, o Benfica ter conseguido eliminar os catalães. Era a final perfeita contra o seu arqui-rival que tinham batido de forma contundente poucos dias atrás para o campeonato. O favoritismo azul e branco parecia nítido, restando apenas saber se o resultado desnivelado de pouco tempo atrás se voltaria a confirmar, ou se os encarnados desta vez iriam ser menos tenrinhos. De negativo apenas e só um dos factores mais importantes e que tem contribuído para a conquista de dezenas de títulos pelo FC Porto – a arbitragem. Os árbitros, desta vez, eram estrangeiros.

Sendo uma prova da responsabilidade da CERH esperar-se-ía a completa neutralização do Dragão Caixa. É isso que costuma suceder. Não terá sido exactamente assim. O capítulo da segurança deixou muito a desejar (é infelizmente assim sempre que o Benfica se desloca ao Estádio do Dragão ou ao Dragão Caixa), pois logo no jogo com o Barcelona os adeptos benfiquistas presentes tiveram que imitar os pacenses no Axa ao refugiarem-se no rinque para não serem fisicamente molestados. Nada de anormal tendo em conta o passado recente. Esse terá sido um dos fundamentos para o precipitado comunicado benfiquista de não comparecer na final com a alegação de que não estavam garantidas condições de segurança. Mas não era aquilo uma prova europeia?

Acabou por prevalecer o bom senso e a final foi disputada com o resultado que se conhece. Mas apesar de ter vencido com mérito e ter conquistado pela 1ª vez o mais alto ceptro europeu, o Benfica não se livrou de várias alfinetadas; ameaça de não comparência justificada por ter medo de ser sovado pelo FC Porto, volte-face imposto pelos jogadores, campeão dos comunicados, mau comportamento dos atletas nas comemorações, etc, etc. Por sua vez, só elogios para os portistas; excelente organização, fair-play na hora da derrota, não abandono do rinque no final, etc, etc. Ter havido falhas de segurança, as pressões estapafúrdias habituais, de só terem sido distribuídos 150 bilhetes aos adeptos encarnados (porquê só este número?) e estes só terem tido acesso às bancadas a partir do início da 2ª parte, foram tudo pequenos pormenores noticiados en passant pelos media.

A imagem passada para a opinião pública foi assim algo contraditória – o Benfica ganhou mas deixou muito a desejar em vários aspectos, e o FC Porto apesar de ter perdido foi de exemplar desportivismo na forma como soube aceitar a amarga derrota. Sem de modo algum querer fazer tábua rasa do infeliz comportamento do Benfica no Jamor, é gritante como estes assuntos são trabalhados e apresentados publicamente dando a imagem que se quer dar. Seguindo este rumo manipulador, não tardará muito o dia em que o principal dirigente do FC Porto seja apresentado como um dos maiores altruistas da história recente. O 10 de Junho, aliás, é já na próxima 2ª Feira…






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