Ponto Vermelho
Repensar situações
9 de Junho de 2013
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Está em plena gestação a nova época que como é sabido começou a ser delineada há muito tempo. Tentam-se corrigir situações que correram menos bem, preencher lacunas algumas já transitadas de épocas pretéritas e antecipar ocorrências que poderão surgir quando menos se espera, pois daqui até 31 de Agosto ainda irá acontecer muita coisa. E há que estar prevenido para que não aconteça o mesmo da época anterior com a partida em cima da hora de Axel Witsel e Javí Garcia que deixou o meio-campo do Benfica à beira de um ataque de nervos.

Natural pois este compasso de espera em que os jogadores transferíveis e os em quem o Benfica está interessado e a negociar ocupam o espaço e horário nobre dos jornais e televisões. Para lamento do portista Júlio Magalhães que fica sempre muito incomodado com o destaque concedido. Ainda ontem, o jornal da verdade a que temos direito dava primazia e maior destaque a um jogador que estava prestes a assinar com os encarnados, ainda que a Selecção Nacional tivesse tido um jogo e uma vitória importante na noite anterior. Deve ter sido para compensar o facto do jogo se ter realizado na Luz sem que dela fizesse parte qualquer jogador do Benfica…

Percebe-se assim melhor a razão da polícia bolsista estar constantemente a pedir esclarecimentos à SAD do Benfica que, por ser recorrente, já não é objecto de notícia nos media. Diz-se até à boca pequena que está em processo de montagem um telefone vermelho entre um dos gabinetes da Luz e a CMVM para que o contacto esteja à distância de um simples clique para acalmar esta última entidade sobre a panóplia de vendas, aquisições e empréstimos que se estão a processar a um ritmo verdadeiramente alucinante. Como a do ex-sportinguista Emiliano Insua por exemplo…

Enquanto isso, noutros lugares onde a informação é fluida e antecipada não são precisos pedidos de esclarecimento. E só quando o presidente da Instituição com a sempre omnipresente fina ironia e após ter esperado até ao derradeiro momento pela aquisição de Jorge Jesus anunciou o treinador com muitos dias de antecipação ainda que sem lhe referir o nome, a CMVM lá apareceu a solicitar informações porque realmente as coisas já estavam a ultrapassar os limites do razoável devido ao clamor público. Uma verdadeira delícia…

Com Jesus a continuar numa decisão difícil de LFVieira e que parece não ter reunido unanimidade na Luz, os dados que vieram a lume e não desmentidos, é que o treinador encarnado terá acabado por sair por cima deste arrastar de situação, um pouco à imagem do sucedido no anterior prolongamento de vínculo. Para alguns é complicado entender. Passada a fase idílica e numa visão pragmática, dir-se-ia que num balanço global o saldo está equilibrado ainda que com uma componente negativa que sobreleva todas as outras – os resultados desportivos. E aí, não há volta a dar: são mesmo negativos, agravados pela maneira e pelo timing com que ocorreram. Mas tentando manter o pragmatismo isso já é passado, e ainda que fosse outro o treinador para a próxima época nada alteraria a não ser uma eventual estabilidade. Olhemos então para o futuro que é já hoje.

Foram reconhecidos erros nos falhanços mas, pelos vistos, não em todos dado que alguns se repetiram. Apesar de uma substancial melhoria competitiva e da quase eliminação das assimetrias em relação ao seu mais directo rival, a verdade é que ainda persistem muitas influências invísiveis com bastante peso. E para cortar a meta em 1º lugar o Benfica teria de ser muito melhor o que não se verificou pois foi apenas melhor. Não falhar nos momentos decisivos era condição essencial e aí os encarnados têm que assumir culpas próprias. Sobretudo esta época.

Estamos esperançados que, finalmente, tenham sido identificados todos os erros e lacunas que em conjunto contribuiram para o que aconteceu. Para além de factores exógenos nem sempre controláveis. Foi referido por LFV que o Benfica iria continuar a ter uma equipa competitiva, reforçando alguns sectores em que se verifica manifesta carência de alternativas. Não duvidamos que assim seja, mas para já as aquisições em perspectiva têm apontado para o mercado estrangeiro, o que sendo compreensível para que se mantenha a política de potencialização e realização de mais valias, contraria a lógica recentemente defendida sobre a opção de mais jogadores portugueses.

Sabemos que o mercado nacional tem pouca oferta e a que existe é cara e complicada fruto de um intrincado jogo de influências. Mas existe e é preciso um pouco mais de atenção aos valores emergentes. É que não o fazendo outros o farão e acarreta problemas com o preenchimento das quotas da UEFA como aliás se está a verificar. É que, para além do mais, custou-nos demasiado na 6ª Feira presenciarmos o jogo da Selecção na Luz sem um único jogador do Benfica. Não será tudo isso anti-natura ou será que o mercado global justifica tudo? Não será, também, demasiado violento para os adeptos?




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