Ponto Vermelho
Questões do defeso…
10 de Junho de 2013
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1. Foi assaz interessante de observar um sem número de nuances que foram ensaiadas pela intelligentsia pintista acerca da pseudo-renovação de Vítor Pereira quando se sabia há muito que a sua não continuidade tinha ficado decidida após o jogo disputado em La Rosaleda. A indefinição só foi prolongada até ao limite do possível porque Pinto da Costa alimentou até ao último segundo a convicção de que seria possível ter Jorge Jesus. Com este a renovar pelo Benfica de imediato se desfez o tabu, com o desvendar do novo treinador que também não constituiu propriamente uma surpresa, pois a lógica prevaleceu. Sem grandes comentários o facto de Vítor Pereira se ter prestado, estoicamente, ao sacrifício em nome do rejuvenescimento de um simples ponto da estrutura de sonho.

Assim ficaram todos bem. Pinto da Costa justificou perante os adeptos e a opinião pública o facto de não renovar com um treinador bi-campeão; Vítor Pereira arcou com as culpas porque exigiu renovar por duas épocas e a Instituição só pretendia uma, ficando assim desbravado o caminho para a adopção da solução preconizada por Pinto da Costa. Preparada ao pormenor uma saída airosa tripartida, avançou-se para a fase seguinte do plano; Foi anunciado em simultâneo o nome do novo treinador, divulgado que Vítor Pereira tinha conseguido um contrato das Arábias e, não menos importante, os adeptos ficaram contentes, felizes e excitados. A estrutura de sonho sabe, quase sempre, ser generosa para quem se sacrifica por ela e tão devotadamente a serve…

2. No Sporting prosseguem as acções de limpeza provavelmente com a vassoura que Luís Duque anunciou como sendo necessária aquando da sua última passagem pelo emblema leonino. Mas, do livro de cheques nem sinal… Vão surgindo constantemente notícias na imprensa dando conta do despesismo que a Direcção de Luis Godinho Lopes protagonizou, o que não pode deixar de preocupar os órgãos dirigentes e os adeptos. A ser verdade a informação do Sporting ter pago 12 milhões de euros em comissões nos últimos dois anos (50% das pagas pelo FC Porto), trata-se mesmo de um facto verdadeiramente surreal. Como é que um clube que luta com tão graves dificuldades financeiras atinge um valor tão elevado numa rúbrica acessória com a agravante de ter contratado jogadores que na relação preço-qualidade deixa muito a desejar?

Perante este notório quadro de dificuldades, Bruno de Carvalho parece determinado em estabelecer uma nova ordem que implicará um aperto de cinto com muitos furos em todos os sectores. Além de uma revisão do seu relacionamento com empresários e com toda a panóplia de interesses que gravita à volta dos clubes para os sugar. É pois um facto de que o Sporting necessita com urgência de reduzir drasticamente as suas despesas. Terá no entanto que resistir à tentação lógica de cortar demasiado em sectores potencialmente geradores de crescimento, pois essa política de austeridade poderá vir a exercer um efeito recessivo em que a emenda acaba por ser pior do que o soneto. Tantas vezes comparado á situação do País, o Sporting terá forçosamente que extrair leituras da receita gaspariana aplicada… Certamente isso será levado em linha de conta.

3. O recente jogo com a Rússia parece ter feito soar a campainha de alarme acerca da Selecção Portuguesa de Futebol. Ainda que esporadicamente, a questão da renovação de valores tem vindo a ser levantada agora com maior insistência, e os alertas estão a disparar. Esperemos que tal não seja apenas fruto da oportunidade do momento em que a equipa disputou 2 jogos um dos quais particular, mas uma campanha que possa apressar a Federação a intervir numa área tão sensível e na qual o Governo também pode vir a ser determinante. Não basta constatar que as coisas não estão a funcionar como deviam, é preciso avançar com medidas de preferência consensuais que sofram o mínimo possível de resistências no momento da sua aplicação.

Vemos citar exemplos comparativos com outros países, nem sempre os mais adequados e comparáveis. Pelos mais diversos factores a começar evidentemente pela parte económica e da forma como os nossos clubes (em particular os principais) fazem a gestão da sobrevivência que lhes permite para além desse factor vital, ser competitivos na Europa dos ricos. É fundamental acções legislativas ponderadas que imponham quotas de portugueses nas equipas mas que não ponham em causa esses objectivos, assegurando ao mesmo tempo um campo mais vasto de recrutamento aos seleccionadores. Porque nem sempre surgem gerações douradas e porque nunca se sabe quando emergem novos valores de excepção. Caso isso aconteça, poderá ter que se enveredar por estruturas mais colectivistas em vez de estarmos sempre à espera que os expoentes resolvam os problemas que devem competir a uma estrutura no seu conjunto. Seja como for, estamos convictos que Portugal continuará a ter possibilidades de continuar a ter equipas competitivas nos mais importantes palcos internacionais. Mas para isso é necessário fazer alguma coisa…








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