Ponto Vermelho
O radar do Dragão
11 de Junho de 2013
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Os detalhes que continuam a pautar a diferença não se esgotam mesmo com as épocas futebolísticas terminadas. Eles mantêm-se em contínua gestação e continuam a germinar no defeso e a preparar devidamente a próxima temporada. Todos sabemos de cor e salteado que uma boa pré-época costuma ser meio-caminho andado para o sucesso dos objectivos traçados. Logo não se estranha um conjunto de situações que parecendo inocentes, traz com ele uma carga importante que acaba por influenciar os que não estão atentos a esses pormenores, por vezes ínfimos.

A recente troca de piropos entre os velhos aliados SCP e FCP que culminou com um comunicado leonino anunciando a suspensão das relações entre os dois clubes, foi de imediato explorado pelos dirigentes portistas. Não se tendo sequer dado ao trabalho de produzir qualquer reacção oficial fosse de Pinto da Costa na sua qualidade de habitual porta-voz da comunidade, fosse através do Departamento de Comunicados que ultimamente tem primado pelo silêncio compulsivo, o incidente foi habilmente manipulado e enviada a tropa de choque que fez questão de transmitir o pulsar da nação portista.

Para além de veicular a ideia clara que a acção da Direcção de Bruno de Carvalho não era para ser levada muito a sério, houve também a preocupação de deixar implícito que perante o elevado grau de preocupações com que o clube de Alvalade se está a defrontar, por ora não pode propiciar grande ajuda e, como tal, o olhar e a atenção terão que ser desviados para outros lados bem mais importantes. Nesse contexto encostar o Sporting ao Benfica naquilo que têm propagado como uma aproximação estratégica é uma boa jogada, sabendo de antemão o profundo sentimento anti-benfiquista que muitos adeptos sportinguistas transportam dentro de si desde o berço.

Espalhando a ideia e insistindo constantemente nela, os portistas esperam tirar dividendos que poderão passar, em primeiro lugar, por uma eventual contestação interna à Direcção de Bruno Carvalho que tem subido na consideração e granjeado compreensão dos adeptos leoninos incluindo até alguns dos chamados notáveis, devido à aplicação de algumas medidas drásticas, corajosas e impopulares. Poderá pois constituir uma tirada de longo alcance atingindo o duplo objectivo de, por um lado, serem os adeptos a fazerem o trabalho de desgaste de BC e, por outro, envenenar o normal relacionamento institucional entre os dois grandes de Lisboa.

Por muito que o Sporting possa estar na mó de baixo continua a ser sempre o Sporting, e Pinto da Costa não quer ver nem lhe interessa as relações normalizadas, pois o que pretende é que estejam de costas voltadas e de preferência que o Sporting esteja sob a sua asa protectora, uma vez que o Benfica está, como é óbvio, fora de causa. E quando por exemplo Júlio Magalhães escreve que o sempre polido Adelino Caldeira «se limitou a não cumprimentar o presidente do Sporting explicando-lhe o porquê, sem insultos nem gritarias…» se percebe mais facilmente até onde chega a verdade absoluta portista. Será pois interessante acompanhar esta curiosa luta de bastidores onde se jogam trunfos importantes longe dos olhares da multidão.

Utilizando a mesma metodologia do silêncio, a central do Dragão fez constar o seu desagrado por José Mourinho em recentes declarações, ter referido o Chelsea e o Inter como as suas paixões e, ter omitido o nome do FC Porto de Pinto da Costa, o clube que o teria projectado para a alta roda do futebol. Sabe-se o espírito independentista de Mourinho que bem ou mal o leva a ser ele próprio, e sabe-se como Pinto da Costa gosta de controlar tudo e quer que todos se submetam à sua douta vontade. Esta situação teria que provocar inevitavelmente choque e várias têm sido as alfinetadas do lado azul e branco, às quais Mourinho tem respondido como o FC Porto agora respondeu ao Sporting. Com o silêncio…

Seguindo essa teoria bacoca e reveladora de um complexo intransponível, o Benfica também teria de se sentir melindrado pela omissão, pois foram justamente os encarnados que lhe deram a mão e onde pela primeira vez foi treinador principal depois de longos anos como treinador-adjunto. Curiosamente noutro episódio recente com João Moutinho, depois de este ter conseguido o milagre de mudar de opção clubística quando ‘cresceu’ e ter jurado amor eterno precisamente ao FC Porto, o mesmo oficioso portista não se manifestou nem assumiu qualquer atitude de desagrado. E aqui, seguindo a sua linha de raciocínio, aplicar-se-ia a mesma receita em relação ao Sporting seu clube formador. Afinal em que ficamos?






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