Ponto Vermelho
Dúvidas do defeso
13 de Junho de 2013
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Em tempo de defeso prossegue a azáfama tradicional no reapetrechamento dos plantéis das equipas com compras e vendas em função dos ditames do mercado. As vendas como se sabe resultam de um conjunto diversificado de factores, que vai desde a vontade dos jogadores em mudarem de ares na maioria das vezes por pressão dos seus empresários, à necessidade imperiosa dos clubes cobrirem necessidades próprias de tesouraria e equilibrarem os seus orçamentos. É basicamente o caso dos clubes portugueses entre os quais o Benfica que anualmente tem que vender sob pena de ficar com o orçamento desequilibrado.

Para que isso possa acontecer com maior acuidade torna-se necessário que a equipa encarnada tenha tido uma boa carreira sobretudo na Europa que serve de montra e aguça o apetite dos costumeiros tubarões europeus, para além de outros que subitamente renasceram do nada através de nóveis multimilionários, com os russos a ter um papel de destaque e a dispenderem verdadeiras exorbitâncias por jogadores que também colhem benefícios ao serem remunerados principescamente sem que isso pareça incomodar a UEFA do fairplay financeiro. E de facto o Benfica teve um carreira meritória na Europa e Amesterdão foi o palco para que o mundo do futebol pudesse observar os jogadores encarnados.

Tendo sido traçado o objectivo de alienação de jogadores aguarda-se o desenrolar dos acontecimentos, se considerarmos que os negócios por ora vão-se fazendo um pouco por toda a Europa do futebol mas tenderão a acelerar nas duas últimas semanas de Agosto. Há um ano, nos últimos dias, ficámos sem Javí Garcia e Axel Witsel o que criou um vazio que preocupou grandemente os adeptos benfiquistas. E nos observadores afamados não faltou quem augurasse uma época para esquecer. E de facto assim foi mas por outros motivos completamente diferentes. E tudo porque os jogadores ocupavam uma zona nevrálgica do terreno e não tinham sido contratados outros para colmatar a sua saída.

Alguns aludem ao passado lembrando quando a equipa estava permanentemente estável porque a saída de jogadores era compensada com aquisições atempadas. É de facto uma situação que urge equacionar. É evidente que o futebol de hoje nada tem a ver com esses tempos, mas ainda assim alguma coisa pode e deve ser feita nesse sentido. Para que a equipa não apresente défices em alguns sectores como aliás tem sido o caso. A necessidade compreensível de adquirir jovens jogadores para os potenciar e realizar mais-valias vitais para o clube, não pode e não deve servir para que haja inflacionamento em algumas posições e um défice acentuado noutras.

Sendo que vencer deverá ser sempre a prioridade, para isso são precisos meios equilibrados para cumprir essa função porque não jogamos sozinhos. E a cultura de vitória que deve voltar a estar enraízada não pode ser influenciada pelo facto do Benfica estar a servir de placa giratória para a entrada de jogadores na Europa, situação que se vai generalizando se olharmos para as declarações dos empresários e dos próprios jogadores. Não se percebe muito bem as dezenas e dezenas de jogadores que estão veiculados ao Benfica e que andam por aí, alguns que nem sequer tiveram nem vão ter ensejo de vestir a camisola encarnada. Acreditamos que os responsáveis da SAD saibam o que estão a fazer, mas (e deve ser insuficiência nossa) não conseguimos enxergar o alcance de tal política expansionista.

Enquanto a preferência continua a ser por outros mercados (desta vez voltámos em força à Europa com opção da Sérvia), há jovens valores da formação e outros em clubes portugueses que temos estado a ignorar, contrariando a intenção manifestada de aumentar gradualmente o contingente de jogadores nacionais. Voltamos a repetir que foi com alguma tristeza que assistimos ao último jogo oficial da Selecção Nacional no Estádio da Luz sem que houvesse um único jogador benfiquista. Como nos deprime olhar para a equipa do Benfica e ver alinhar, na maior parte das vezes, apenas jogadores estrangeiros. Não somos xenófobos e apreciamos todos os jogadores de categoria aparte a sua nacionalidade, mas não será um exagero? Como o não será que Miguel Rosa considerado um dos melhores jogadores da II Liga senão o melhor, não ter direito a uma única oportunidade junto do plantel principal?

É certo que estamos ainda no início do defeso e muita coisa pode ainda acontecer, pelo que não queremos projectar cenários que se calhar nem terão razão de ser. Mas ao que nos é dado observar a esmagadora maioria dos jogadores contratados até ao momento têm características ofensivas e não duvidamos que poderão vir a ser muito úteis. Mas estando a equipa carenciada de soluções defensivas seja na defesa seja no meio-campo, não seria de tentar suprir, quanto antes, essas lacunas para poder transmitir um maior equilíbrio ao plantel e à equipa? É preciso, de uma vez por todas, que a equipa encontre a estabilização para que a saída de jogadores não possa gerar desequílibrios. E para isso é necessário pensar o plantel nesse sentido e salvaguardar, em cada época, a saída inevitável de jogadores. Só assim seremos consistentemente competitivos e vitoriosos.






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