Ponto Vermelho
Balcanização do Benfica??!!!
16 de Junho de 2013
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A súbita mudança de agulhas nos mercados preferenciais protagonizada pelo Benfica nesta nova época, levantou como seria facilmente previsível, um ror de dúvidas nos paineleiros com pouca ocupação na época do defeso. Até porque, por curiosa coincidência, o seu principal rival instalou-se no mercado português o que desde logo recolheu simpatias de vários quadrantes e conseguiu um factor muito importante – reforçar a sua influência em clubes que teimavam em manter-se independentes. Como diriam alguns fiéis discípulos do Querido Líder, foi uma jogada de mestre, matando dois coelhos com uma só cajadada.

Não sabemos o que terá levado os responsáveis benfiquistas a optar por outro mercado distinto e não é isso agora que importa. A experiência bem sucedida com Nemanja Matic poderá de alguma forma ter dado origem a essa escolha diferente, mas clube que se preze tem de estar sempre atento a todas as oportunidades de negócio e aferir o trinómio preço-qualidade-crescimento. Os mercados sul-americanos começam a estar saturados de tanta procura apesar das imensas possibilidades de recrutamento de potenciais candidatos e, fundamentalmente, atendendo ao crescimento significativo das suas economias em contraciclo com a Europa e mais ainda com o mercado português. Logo há que tentar diversificar.

Este afluxo significativo de sérvios essencialmente com características ofensivas embora alguns possam iniciar a sua caminhada no Benfica pela equipa B, já está a preocupar muitos espíritos inquietos. Provavelmente os mesmos que alertaram para o problema quando o Benfica iniciou a aquisição de jogadores argentinos. Existindo de há vários anos a esta parte uma faceta internacionalista dos plantéis do Benfica, quando começou a migração de jogadores do País das pampas houve alertas (com alguma lógica acrescente-se) sobre a convivência no balneário com os seus colegas brasileiros, conhecida que é a intensa rivalidade que existe entre os dois gigantes sul-americanos. Se houve algum problema durante todos estes anos foi coisa que não se deu conta, e todos sabemos como qualquer facto negativo no balneário encarnado atinge de imediato a velocidade da luz.

A questão volta agora a colocar-se. Para isso evoca-se o feitio difícil dos jogadores oriundos da Sérvia e, para antecipar uma guerra sem quartel só falta mesmo o Benfica contratar dois ou três jogadores croatas… É um facto de todas as eras que os jogadores enquanto pessoas, quando abandonam a sua origem e demandam outro país onde passam a ter que enfrentar realidades distintas desde a língua, à cultura e aos próprios hábitos alimentares, tendem a agrupar-se por nacionalidades onde as afinidades são evidentemente muito maiores. É assim que por exemplo os brasileiros e os uruguaios se juntam para curtir um churrasco e os argentinos para beber mate ou deliciar-se com um bom cordero. Serve, antes do mais, para matar saudades e para recordar a sua cultura e os seus hábitos.

Com os sérvios não será diferente e com uma vantagem; é que à partida poderão não estranhar a cozinha portuguesa pelo que, por esse aspecto, há desde já uma vantagem na integração. Desconhecemos o feitio e o comportamento de cada um dado que vão ser sujeitos a uma pressão mais intensa daquela a que estavam habituados e isso poderá ter alguma influência. Além de que a capacidade individual de adaptação varia consoante a personalidade. Cremos que os responsáveis encarnados antes das contratações terão ponderado bem esse aspecto pelo que, não sendo um aspecto a excluir num balneário multinacional, será de molde a não criar preocupações nas mentes dos que vêem sempre defeitos e contras em qualquer coisa. Para assegurar uma integração mais rápida e melhor conseguida é, contudo, imprescindível que o seu compatriota Matic continue…

Todos aqueles que tiveram a oportunidade de viver por dentro um balneário de alta competição sabem que por vezes surgem problemas. É gente jovem, com origens e mentalidades distintas, sendo diferente a forma de abordagem a uma determinada questão ou a um lance em concreto. Poderá haver gestos mais agressivos ou até discussões mais acaloradas no meio da adrenalina gerada por um jogo de futebol, sem que isso ponha em causa a coesão da equipa. São situações absolutamente normais. Para além de que, os clubes de alta competição têm regulamentos internos rigorosos que a não serem cumpridos poderá redundar em pesadas sanções disciplinares para os atletas. Assim sendo e tal como em épocas anteriores estamos tranquilos quanto a isso, existindo a convicção que não haverá lugar para receios nesse capítulo. Independentemente da nacionalidade dos jogadores!








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