Ponto Vermelho
Poder a mais?
17 de Junho de 2013
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Depois do Presidente do Benfica ter antecipado a sua vontade de renovar com Jorge Jesus, a sucessão de fracassos na recta final da época vieram complicar esse desígnio. Percebeu-se isso pelas hesitações públicas do treinador encarnado, já que as sucessivas informações e contra-informações surgidas na imprensa incluindo artigos de opinião, destinavam-se a lançar a confusão para daí retirar óbvios dividendos. Face à súbita passagem da situação de euforia a um quase sentimento depressivo em vários adeptos e perante o ruído provocado, havia que deixar assentar a poeira para confirmar a decisão definitiva que, segundo constou, terá sido imposta pelo próprio LFV, a despeito de haver naturalmente, vozes contra no interior da própria Direcção.

Perante a avalanche de notícias surgidas nos media muitas de carácter contraditório, uma grande parte dos adeptos terá ficado a interrogar-se sobre o que seria realmente verdade. Sabe-se que por princípio o silêncio gera especulação crescente. Se não for atalhado a tempo pode vir mesmo a transformar-se numa bola de neve. Compreendendo-se que os actos mais sensíveis e complexos de gestão de uma sociedade (não nos devemos esquecer que é uma SAD cotada em Bolsa e por isso sujeita às regras da CMVM) não deverão ser discutidos na praça pública, o prolongamento do silêncio por demasiado tempo acabou por ser contrapruducente. Aí, talvez através de um dos vários canais próprios que o Benfica tem à sua disposição, tivesse sido conveniente ter dito algo. Sem destapar o véu.

Em contraponto com o seu homólogo portista que depois de um suposto almoço de despedida com Vítor Pereira debitou a tese LaPaliciana de que havia vantagens e desvantagens na renovação, LFV decidiu confirmar o vínculo por idêntico período, depois de certamente em conjunto com o próprio Jorge Jesus ter ponderado todos os prós e contras. O que significa que foi considerado que seriam mais as vantagens do que os inconvenientes. Visto do lado de fora e na ausência de dados suficientes que pudessem suportar a decisão, tentamos compreender a opção que, ainda assim, comporta riscos. Como tudo na vida. A decisão contrária também os arrastaria.

Como já referimos, a gestão deste dossier teve falhas comunicativas e de oportunidade da parte do presidente encarnado que deu origem a que alguns interpretassem que a situação estaria invertida, pois teria sido Jorge Jesus a impor as condições para que pudesse continuar. Tese que ainda mais se reforçou quando vieram a público as alegadas condições da renovação com um reforço das condições principescas para o nosso meio ainda por cima em crise, de que Jorge Jesus passaria a usufruir. Situação pouco compreendida depois dos resultados de todos conhecidos. Ainda que algo descontextualizado, um pouco à imagem da SAD portista quando há poucos anos resolveu atribuir prémios aos seus administradores depois da sociedade ter registado prejuízos…

Em paralelo, a imprensa noticiou que Jorge Jesus teria imposto a saída do Director-Geral encarnado, numa situação semelhante à que José Mourinho tinha protagonizado em Madrid. Mais uma vez a gestão deste episódio não foi a mais feliz e boa parte dos adeptos e da opinião pública assumiram que assim teria sido. Mesmo que tenha havido muita, pouca ou nenhuma verdade em tudo isso. Situando tudo isso num contexto mais alargado, a sensação com que se fica é a de que a restruturação em curso terá tido a chancela do treinador encarnado o que, não discutindo a bondade da mesma, acaba por afectar de alguma forma a imagem do Presidente encarnado.

Tudo isso transporta logo para a pré-época uma pressão e uma expectativa adicionais que tenderão a esbater-se caso os resultados e as exibições demonstrem a justeza do conjunto de decisões tomadas. Mas subirá em flecha se porventura as coisas não correrem de harmonia com o foi projectado. E aí, quer Jorge Jesus quer LF Vieira estarão no olho do furacão com toda a instabilidade inerente. Este será o sentimento e a perspectiva dos adeptos mais pessimistas e daqueles que não o sendo, estão algo preocupados.

É evidente que, depois de todas as alterações para colmatar os erros e as insuficiências, são assumpções que neste momento não têm razão de ser, porque isso seria especular e antecipar cenários que esperamos não se venham a configurar. E, se porventura tudo correr de acordo com o esperado pela estrutura (como esperamos obviamente que aconteça), tudo será assimilado e rapidamente se passará ao estado de euforia que urge refrear porque de uma vez por todas deve ser adoptada a teoria anglo-saxónica do fizémos e não o vamos fazer






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