Ponto Vermelho
Pois é...
19 de Junho de 2013
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A propósito da situação de grande exposição do Sporting que o pode colocar à mercê de ataques indesejados, regressamos por momentos ao Verão quente de 1993. Essa fase, a par de outra que se seguiria 5 anos depois, terá sido porventura das mais negras do longo e rico historial do Sport Lisboa e Benfica. Derivado de gestões cujo único caminho era a fobia da conquista de títulos sem haver a preocupação de criar o suporte financeiro adequado que suportasse esse legítimo objectivo, e em plena ascensão do FC Porto que caminhava para o apogeu da implementação da estrutura tentacular que conhecemos hoje, o Benfica definhava a olhos vistos.

De tal forma que apesar dos esforços da Direcção de então, questões salariais incumpridas deram origem a que o Sporting à época dirigido por José Sousa Cintra tivesse aproveitado a situação e o facto do Benfica se encontrar muito vulnerável, aliciando três dos mais emblemáticos jogadores do plantel benfiquista: o médio Paulo Sousa, o extremo Pacheco e o avançado João Pinto na altura já o menino-bonito dos adeptos benfiquistas. Os dois primeiros acabaram por fazer as malas para Alvalade e o último seria resgatado in-extremis pelo então presidente Jorge de Brito. Ironia do destino, em novo período negro encarnado uma mão-cheia de anos depois, haveria de ser escorraçado da Luz e acabaria mesmo por vestir a camisola verde-e-branca.

Recordamos estes episódios e voltamos aos tempos actuais em que meses atrás, muito antes da actual situação desconcertante do Sporting, Pinto da Costa referiu publicamente, tal como tinha feito antes com João Moutinho, que «Rui Patrício era o único jogador leonino com categoria para jogar no FC Porto». Sabendo-se que o Querido Líder nunca dá ponto sem nó, muitos interpretaram como uma forte possibilidade do ainda guarda-redes do Sporting poder seguir trajecto idêntico ao do antigo médio leonino. Só não se sabia de facto quando, e se...

Dias atrás, um desses jornais que prima pelo rigor jornalístico e que faz gala de manipular as notícias para lhe dar um aspecto mais atractivo, aludia ao facto de os dirigentes do Benfica e do Sporting estarem a negociar Rui Patrício. Para tornar ‘a notícia’ mais verosímel foram avançados até nomes de jogadores a ceder pelos encarnados, numa notícia verdadeiramente digna do primeiro de Abril. Com efeito, o que estava por detrás disso era outra coisa completamente diferente; para além do óbvio, criar uma manobra de diversão e simultaneamente obstar a quaisquer avanços nas relações bilaterais entre encarnados e verde e brancos. Além de que é histórico o aproveitamento que o emblema azul e branco tem feito da animosidade que tem grassado entre os dois emblemas da capital.

Sem surpresa, não tardou que fosse noticiado o interesse do FC Porto no guarda-redes leonino. E isso começou a preocupar os responsáveis leoninos. Pinto da Costa cedo percebeu que a nova Direcção do Sporting não iria trilhar o mesmo caminho das anteriores que foram dóceis e de exemplar colaboração com os portistas e tratou de armadilhar o caminho. A transferência em pacote de James Rodriguez e João Moutinho para o Mónaco propiciou-lhe o ensejo e concedeu-lhe a oportunidade de abrir a frente de combate. E como o Sporting não se tinha acautelado na altura da transferência, ficou automaticamente sujeito sem apelo nem agravo, a mais uma acção de chico-espertice em que o Querido Líder é mestre incontestado. O Sporting soube que não foi assim, mas como provar?

Para um clube que é conhecido no mundo do futebol por ser aquele que é mais generoso na altura dos comissionistas baterem à porta e pagou 22 milhões das ditas, não seria por aí que as coisas se complicariam. Mas a opção deliberada de desvalorizar o passe de Moutinho, foi pura e simplesmente uma tentativa excelentemente engendrada de provocar o Sporting e levá-lo a reagir dado que não era crível que os novos responsáveis leoninos ficassem mudos e quedos com dantes. A encenação do seu VP Caldeira em Portimão foi apenas mais um acto para completar a encenação.

O artigo que o ex-Presidente da MAG sportinguista Eduardo Barroso publica hoje no diário desportivo 'A Bola' está, salvo melhor opinião, carregado de uma dose acentuada de ingenuidade. Apesar de já não ser dirigente, Barroso continua a ter algum peso institucional porquanto continua de alguma forma ligado a Bruno de Carvalho. Pela forma lancinante como apela às forças do além para impedir o FC Porto de roubar jogadores do Sporting a começar precisamente por Rui Patrício, se percebe que é apenas um sócio raladíssimo a transmitir a grande preocupação que lhe advém do mais profundo da sua alma sportinguista. O que podemos dizer nesta ocasião é que esperamos que não aconteça ao Sporting aquilo que no Verão de 1993 aconteceu ao Benfica…






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