Ponto Vermelho
A crise continua…
20 de Junho de 2013
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Para a maioria dos adeptos, a época que terminou não terá sido das piores em termos de arbitragem. É claro que há sempre vozes insatisfeitas em que para elas uma boa arbitragem é só quando a equipa da sua preferência é beneficiada. Também não comungamos da opinião de vários benfiquistas que afirmam com convicção que o Benfica só perdeu o campeonato na penúltima jornada porque até lá, para variar, apenas houve dois jogos por acaso de sinal contrário, que romperam com o equilíbrio na dicotomia de outras épocas dos prejuízos-favorecimentos. E até tentam esquecer-se e ser compreensivos sobre a exemplar arbitragem (e demais acontecimentos) na Capital do Móvel na última jornada…

Admitindo que tenha havido progresso nessa matéria e não tenha sido apenas fruto do acaso, as perspectivas para a próxima temporada seriam, à partida, animadoras. Não havendo muitas flutuações no quadro dos árbitros, é com esses que nos tínhamos que governar. Haveria pois que continuar a criar-lhe condições para que pudessem melhorar o seu desempenho e essas, para além das questões de mera natureza técnica, envolvia a vertente psicológica por forma a puderem resistir melhor às pressões que sempre surgem quer de dirigentes quer do público em si, particularmente em determinados estádios. Em suma, importava reduzir a dependência se não mesmo eliminar, os rapazinhos de cócoras...

Infelizmente, quando deveriam estar a ser trabalhadas todas essas vertentes, a preocupação parece ser outra completamente diferente, estranhamente a partir do seu interior. Tal como os alunos com os exames, chegou a altura das notas e das classificações dos árbitros. Situação de extrema importância porque mexe com todos eles e em que seria suposto haver um critério de apreciação objectivo e sem subterfúgios que tornasse claro as classificações finais. Isto sabendo-se que ao haver factores de apreciação envolvendo a componente humana, a situação daria sempre origem a erros e desconfianças e a velha tentação de favorecimento deste em detrimento daquele. O Apito Dourado foi também claro nesse aspecto.

Com o que os árbitros em geral não contavam é que os critérios de apreciação fossem tão substancialmente alterados com a introdução de uma nova fórmula matemática que, longe de simplificar, veio desvirtuar as classificações e a baralhar por completo o sector. Nada é infalível e face ao burburinho que se criou e às sucessivas impugnações de elementos do sector, esperar-se-ía da parte dos responsáveis uma clarificação, muito embora parecesse logo à partida que tal seria impossível dada a evidência e o alcance do rotundo falhanço da nova fórmula, injusta e incoerente para muitos. Aguardavam-se pois esclarecimentos para perceber o alcance e apaziguar o sector.

A anunciada entrevista de Vítor Pereira ao canal televisivo ainda da Olivedesportos era pois encarado com elevada expectativa para tentar perceber até que ponto é que o responsável máximo do Conselho de Arbitragem conseguiria o milagre de racionalmente explicar o quase impossível. Como se previa, nada de relevante adiantou que levasse as pessoas a perceber tão estranho e disparatado critério. As explicações dadas através da fórmula corporativa que continua sempre a acompanhar as declarações de responsáveis do sector, longe de fazerem luz sobre o novo critério, ainda mais o adensaram e tornaram mais ininteligível. Reconhecer erros de pormenor é insuficiente.

Pela avalanche de reacções negativas provindas não só da classe mas também dos mais variados sectores ligados ou não à arbitragem, seria curial avançar para uma de duas coisas; que as explicações provassem a bondade dos novos critérios de avaliação e assim acalmassem o sector em ebulição ou, não o conseguindo fazer como foi o caso, que os responsáveis os suspendessem e parassem para reflectir. Profundamente se fosse necessário. Ninguém tem o dom da infalibilidade e fazer isso revela sinal de inteligência. Só que, para o que estamos habituados isso só acontece quando a isso são obrigados, porquanto existe o velho conceito corporativo de que fazer isso é sinónimo de falhanço e ninguém gosta de ver isso reconhecido em termos públicos.

Será talvez prematuro tecer neste momento mais considerações sobre o que os capítulos dos episódios seguintes nos podem trazer. Mas não é difícil prever que, a menos que todo este despautério seja amenizado, iremos entrar na próxima época com uma tensão escusada na arbitragem que pode dar origem a situações de todo evitáveis. São demasiados os problemas que já existem no sector para que, do seu seio, surjam novos focos de desestabilização que em nada ajudam à acalmia que a grande maioria pretende e deseja. Tem a palavra o Conselho de Arbitragem e nomeadamente o seu presidente Vítor Pereira.






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