Ponto Vermelho
Gestão da mudança
24 de Junho de 2013
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Tal como em qualquer empresa, a gestão dos grandes clubes de futebol está em constante aperfeiçoamento e nalguns casos mesmo em mudança. Desde que isso não prejudique a estabilidade. Ou não fossem eles enquanto SAD’s na sua esmagadora maioria, empresas cotadas na Bolsa. Existem sempre aspectos a corrigir e a melhorar e por isso, o defeso é sempre a altura mais indicada para o fazer até porque existem acordos em vigor que se torna importante respeitar. Isto no caso da opção recair sobre a não renovações de contratos.

A gestão de orçamentos que se aproximam dos 3 dígitos e a complexidade de uma máquina multifacetada que tem que estar preparada para situações que se poderão alterar de forma inesperada dada a aleatoriedade do futebol, à volta do qual assenta em grande parte a actividade dos clubes e em particular daqueles que possuem um ecletismo mais pronunciado, requer profissionais bem treinados, competentes e preparados para actuar sob pressão. Porque ao contrário das empresas de outros sectores de actividade mesmo as de maior dimensão, os clubes de futebol organizados sob a forma de SAD’s estão sujeitos a constante exposição mediática e isso, como é óbvio origina a que estejam sob atenção e escrutínio permanentes.

Este novo modelo organizativo que começou no princípio do século, veio introduzir nos clubes uma nova ordem e um rigor pronunciado que deriva do futebol estar agrupado debaixo do tecto das SAD’s para as quais a legislação fixa novas regras a implicar supervisão da CMVM (se esta o faz bem ou mal já é outra história…), facto que nem sempre é bem compreendido pelos associados dos clubes, muitos dos quais ainda não conseguiram fazer a transição e vivem algo amarrados ao passado. É preciso lembrar que sendo (por enquanto) a maior parte dos grandes clubes detentores da maioria do capital das SAD’s, estas têm accionistas e são estes que têm que se pronunciar sobre a sua actividade específica e sobre os seus projectos. Aparte os accionistas poderem ser, simultaneamente, associados dos clubes.

É evidente que sempre que os clubes continuem a deter a maioria do capital das Sociedades Desportivas, os associados daqueles podem e devem pronunciar-se sob a orientação que os clubes devem imprimir às mesmas. É que, apesar da maioria saber tudo isto, continua a haver alguma confusão numa parte de associados que misturam actividades específicas dos clubes com as das SAD’s que obedecem a determinados critérios nem sempre bem assimilados. Talvez porque nem sempre isso seja perceptível e correctamente transmitido pela comunicação dos clubes.

Por outro lado, os adeptos estão agora a estranhar a exiguidade de notícias sobretudo as mais suculentas e a que estavam habituados. Isso relaciona-se com um conjunto diversificado de factores, desde a crise que tem dado origem a encolhas nas aquisições mais mediáticas que costumavam acontecer em épocas recentes mas, essencialmente, devido ao progresso das máquinas de comunicação dos clubes que, a despeito do advento das redes sociais que tudo transportam, têm sabido criar filtros mais rigorosos que impedem de algum modo o despautério que vinha a verificar-se. Neste particular permitam-nos sublinhar o avanço da nova Direcção sportinguista num ponto em que o clube era altamente vulnerável, mas também no Benfica que tem vindo a denotar progressos na forma de comunicar e de desmentir boatos e atoardas…

Esta nova faceta se por um lado é bom para os clubes protegerem a informação interna e defenderem-se da carga especulativa que alguma imprensa imprime por razões de mercado, é negativo para os adeptos e simpatizantes que a cada dia deixam de ter acesso às parangonas que faziam as delícias das capas/noticiários diariamente. Mesmo que tivessem apenas um pingo de verdade ou fossem uma rotunda mentira que lhes dava para discutir animadamente no café ou no emprego com os adeptos das equipas adversárias. Tudo afinal tem consequências.

Existem dossiers que pelo seu carácter complexo obrigam à lei do silêncio sob pena do negócio em si sair prejudicado. Aparte a questão futebolística, um dos negócios que mais curiosidade tem despertado no universo benfiquista pelo seu alcance estratégico, tem sido, sem dúvida, o dos direitos televisivos, principalmente a partir do momento em que as notícias de concentração do mercado vieram a lume e que estão a dar origem, inclusivé, a audiências parlamentares, aguçando a curiosidade de todos os que estão contra qualquer tipo de monopólio que contraria, para além dos mais, as normas em vigor. Mantendo-se uma expectativa crescente sobre o que vai ser decidido, é preciso notar que há contratos não extintos (pelo menos por mais 6 dias) que é preciso respeitar. Como em tudo na vida é preciso ter paciência pois tudo, a seu tempo, se saberá. Mesmo que até lá morramos de curiosidade…






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