Ponto Vermelho
Fim anunciado
25 de Junho de 2013
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Um dos últimos campeonatos a terminar foi justamente o do Futsal, modalidade que começa a ditar leis a seguir ao futebol tradicional. O Benfica, a exemplo do futebol e das outras modalidades, esteve na discussão até ao fim. No cômputo geral e em comparação com a pretérita temporada, os encarnados estiveram alguns furos abaixo se atendermos única e exclusivamente ao que move as pessoas – as vitórias. Há que considerar e aceitar assim o desporto desde que todas as suas componentes sejam límpidas e correctas, aparte os erros pontuais de quem decide que, tal como os treinadores e os atletas também se engana. O problema é quando erra (o que acontece demasiado) e às vezes a forma como o faz. E isso desperta suspeições na populaça.

Para analisar estes fenómenos e compreender melhor as subsequentes reacções dos intervenientes directos e dos adeptos, torna-se necessário observar a mentalidade lusa, o comportamento dos dirigentes, as atrocidades cometidas ao longo de tantos anos à verdade desportiva, e ao dolce far niente das instâncias desportivas, de justiça e governamentais. Perante os sistemáticos atropelos por parte de quem pode e lhe é permitido fazer, agravado por actos de pura gabarolice na praça pública com intuitos claros e objectivos de denegrir adversários. Dar sistematicamente a outra face para agradar a alguns cuja maturidade os deveria pôr a salvo de ingenuidades para parecerem politicamente correctos, é algo que há muito deixou de fazer sentido.

E só voltará a fazê-lo quando na prática as regras forem iguais para todos e, se houver desvios, os prevaricadores sejam exemplarmente punidos quaisquer que eles sejam, e não escapem pelos intervalos da chuva ou, se quisermos pelos alçapões deixados propositadamente nas leis. Se alguma vez tal suceder estaremos finalmente em posição de exigir a todos, atitudes e comportamentos consonantes com o fairplay, a ética, e a verdade desportivas. Qualquer que seja o clube, a modalidade, e os intervenientes. Até lá, ignorar atropelos que se repetem é pedir demasiado seja a quem for, nomeadamente aos adeptos e simpatizantes que acabam por reflectir frustações por verem que nada muda. Apesar dos apelos ao civismo e ao respeito pelos adversários quaisquer que sejam as circunstâncias.

Hoje em dia os comportamentos desviantes e criticáveis dos vários intérpretes e em particular dos adeptos e simpatizantes são transversais a todos os clubes e inclusive à própria sociedade. Pequenos grupos mais efusivos estão sempre prontos para manifestar por actos condenáveis as suas frustações, sem preocupações de coerência pois tal acontece quando o seu clube perde ou… ganha. Não ignoramos que os dirigentes têm uma quota-parte de responsabilidade no acirrar de ânimos dos adeptos, mas daí a atribuir-lhe a maior percentagem de responsabilidade vai uma certa distância. Existem todos os outros agentes que, pelo que nos é dado ver, se escusam a intervir e a tomar decisões o que agrava as situações.

Existe alguma tendência para chamarmos à colação exemplos sublimes de outros países. Não fica mal fazê-lo, antes pelo contrário. Mas compararmos a cultura anglo-saxónica com a latina não será porventura a melhor comparação, se atendermos aos séculos de história decorridos e que demonstram uma acentuada diferença de comportamentos. Para o bem e para o mal. Uma das coordenadas para que cada pessoa possa encarar com optimismo o presente e o futuro é viver o dia a dia pessoal e dos seus com tranquilidade, coisa que os portugueses raramente tiveram. E essa continuada incerteza aliada ao seu temperamento latino impulsivo, acaba por fazer a diferença nas atitudes e nos comportamentos nos vários actos a que são chamados perante a sociedade.

Regressando pois ao Futsal diríamos, em primeiro lugar e para que não restem dúvidas, que o Sporting foi um justo vencedor. Mas como resumiu o treinador do Benfica, se foi uma manifesta evidência a superioridade leonina na fase regular (ao contrário da evidente irregularidade benfiquista), tal já não foi tão nítido nos jogos da final em que os detalhes fizeram a diferença. E francamente não vemos porque não se possam referir as arbitragens em que houve de facto erros de bradar aos céus em alguns dos 4 jogos e que poderão de alguma forma ter contribuido para o desenlace final. Acrescente-se, para avivar memórias, que no antepenúltimo jogo também o treinador sportinguista a elas se referiu, sem que isso possa ser visto como qualquer desculpa esfarrapada. O Sporting no cômputo geral foi mais regular, cometeu menos erros e por isso comemorou no final na Luz e em Alvalade. Tão simples quanto isso.








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