Ponto Vermelho
Visões retrógradas ou interesses encobertos?
26 de Junho de 2013
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O conservadorismo que tem estado presente em todos os capítulos do futebol português ameaça manter-se. Porque o corporativismo em que é baseada a acção de muitos dos dirigentes anquilosados, não permite que assumam atitudes progressistas com receio de virem a perder o pouco que têm. Neste particular mantêm-se fiéis ao velho ditado do mais vale o pouco certo do que muito duvidoso. São maneiras de ver os problemas que cada vez mais se revelam erradas dado que isso não lhes evita dificuldades todas as épocas e impede, de forma clara, o progresso organizacional e competitivo do futebol português no contexto europeu e mundial.

Amanhã, em cima da mesa, estarão várias propostas de reformulação dos quadros competitivos apresentados pela Direcção da Liga Portugal baseadas em estudos de uma empresa especializada. Há efectivamente para discussão pelos clubes modelos e propostas diferentes mas, atendendo às experiências do passado, não se auguram grandes progressos fora do modelo tradicional e que já se provou há muito que não serve os interesses do futebol português. E nem sequer estamos a falar dos pequenos, médios ou grandes clubes mas no todo do futebol.

A avaliar pelas posições assumidas pelos vários Fiúsas que gravitam no nosso futebol, o que importa é manter o conservadorismo de posições, que não são boas quer para os pequenos quer para os grandes clubes. Porque o que sempre esteve subjacente foi a obtenção de mais receitas para todos e em particular do bolo televisivo que, como tem sido amplamente divulgado, está a muitas milhas de distância de qualquer campeonato europeu em que qualquer clube por pouca dimensão que tenha, ultrapassa largamente a fatia auferida pelos mais representativos clubes portugueses.

Neste particular consideramos que o Presidente da Liga apesar dos méritos da sua proposta, não terá seguido a estratégia mais adequada ao optar pela confrontação que não terá sido a fórmula mais eficaz para abordar tão complexo problema. Teria sido porventura mais asizado ter escolhido a via prévia de sensibilização do Governo e dos Grupos Parlamentares para uma acção que revelava contornos passíveis de propiciar uma discussão séria e ajustada à realidade concreta do futebol português. Até porque é isso que se verifica em praticamente todos os países euopeus e será, mais tarde ou mais cedo, uma inevitabilidade em Portugal. Só não se sabe é quando.

Como se sabe, o monopólio da Olivedesportos de Joaquim Oliveira continua a dispor de amplos apoios nos mais diversos sectores e não vai ceder de mão beijada o que levou anos a construir e a solidificar. Por via disso permite-lhe influenciar as várias coordenadas do futebol português e definir, de harmonia com os seus interesses, a velocidade e o rumo a seguir pela esmagadora maioria de clubes que recebendo migalhas continuam a achar que nada deve mudar na organização do nosso futebol e têm por sistema bloqueado o seu progresso e desenvolvimento. O engessamento de quase todos eles ao Sistema imposto por aquela empresa, inibe-os de terem perspetivas diferentes das defendidas pelo monopolista.

Será isso, mais uma vez, que estará em equação amanhã na discussão sobre os modelos organizativos. Existindo a obrigatoriedade de inclusão do Boavista na I Liga para a época de 2014/2015 (caso evidentemente reuna todos os pressupostos para participar), parece evidente que o alargamento será de novo, certamente, o modelo a defender pela maioria. Mantendo-se os interesses e o conservadorismo dos dirigentes que continuam de pedra e cal ao leme dos clubes, não será arrojado prever que as propostas de novos modelos tenderão a ser ignoradas, não importando a sua bondade e a sua exequibilidade.

Por uma questão de princípio ainda que com contornos e definições estabelecidos na Lei de Bases do Sistema Desportivo, deve ser entregue às várias organizações do futebol as fórmulas organizativas e as decisões que respeitem ao futebol. Mas sempre que se constate que as várias instâncias desportivas revelam por sistema incapacidade para tratar e ultrapassar os seus próprios problemas, não vemos porque razão a tutela não poderá intervir no sentido de pôr ordem na mesa sem correr o risco de isso ser considerado uma ingerência. É que assistir impávida e serena ao despautério sistemático pode ser cómodo mas não resolve o problema de fundo que não só se mantem como se agrava.

Aguardemos por isso pela discussão em que, é bom que reflictam nisso, não estão só em causa os interesses imediatos de meia-dúzia de clubes. Em equação estão os modelos que poderão conduzir o futebol português a outros patamares de desenvolvimento e progresso ou, alternativamente o corporativismo que longe de resolver os problemas existentes, irá contribuir para mais um retrocesso no nosso futebol. Os interesses de muito poucos não deverão sobrepor-se aos interesses da maioria. Tenham isso bem presente!




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