Ponto Vermelho
Nova época – final diferente?
27 de Junho de 2013
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Entretidos com a Taça das Confederações no Brasil (com tudo o que tem acarretado) e com o Mundial de Sub-20 na Turquia onde Portugal alimenta aspirações baseado no lote de bons jogadores que possui na categoria, quase sem darmos por isso estamos na última semana que antecede a pré-época com os aeroportos a registarem a tradicional afluência de jogadores que regressam de férias e das caras novas contratadas. Regista-se contudo uma evolução nesse aspecto, pois muitos dos novos já antecipam a chegada para se começarem a adaptar ao novo ambiente que os espera e conhecerem os cantos da sua nova casa nos próximos tempos.

Por sua vez os adeptos também vão evoluindo nesse aspecto, sendo que longe vão os tempos em que a euforia os invadia com o anúncio da chegada de novos craques. A crise está aí na sua plenitude e atinge violentamente todos, acontecendo que no caso do Benfica devido a um novo fim de época sem serem alcançados os objectivos que muito prometeram até ao último momento mas acabaram por não se concretizar, a expectativa está estabilizada, não há entusiasmos desmedidos e, a avaliar pelos desejos, só haverá mesmo euforia quando finalmente!!! for contratado o tal defesa-esquerdo que se está a transformar numa reedição do mítico D. Sebastião…

Esta forma calma e algo abúlica como uma parte dos adeptos benfiquistas está a aguardar o início da nova época e as etapas que se seguem, terá a ver fundamentalmente, com a memória bem fresca de falhanços de objectivos (títulos) e também porque é da praxe serem encaradas todas as alterações de pessoas na estrutura como um sinónimo que as coisas passarão a ser diferentes. Não necessariamente para melhor como aliás se tem visto na história recente do século, em que a precipitação de rectificar o que terá estado mal deu origem a mais instabilidade, a novos erros, e a novas reprogramações.

É certo que tudo isso casa com as nossas características latinas em que a paciência para esperar é coisa que quase nunca existe. Mas temos que admitir que sem coerência, sem estabilidade, e sem um fio condutor que aponte um rumo consequente, é quase impossível atingir objectivos estáveis e duradouros. Talvez tenha sido por isso que o êxito da época de 2004/05 foi quase fruto do acaso, e foi também por essa razão que a vitória de 2009/10 ainda que justa e expontânea, não assentou em pilares sólidos que permitissem que a construção não abanasse e, pior do que isso, se abatesse com estrondo logo na época seguinte.

Mais duas tentativas foram feitas sem que se vislumbrasse a porta que abre a chave das vitórias coerentes e continuadas. E, contrariamente à anterior em que desde cedo as expectativas sairam defraudadas, em ambas se foi enchendo o balão da esperança e do entusiasmo para, no final, contra todas as expectativas incluindo as dos adversários, a equipa ter baqueado nos derradeiros momentos quando estava prestes a atingir a glória. E se na pretérita temporada existiram factores externos que influenciaram de forma clara o resultado final, na que findou essa desculpa não pode ser evocada.

Esta visão é partilhada pelos adeptos mais imediatistas sobretudo as novas gerações que estão com pressa (legítima) de ver ganhar. Mas existem outras opiniões que compreendemos, que não consideram as duas últimas épocas como totais fracassos. Pelo contrário, ainda que não tenha sido conseguido o objectivo último de vencer (excluimos a final da Taça de Portugal que deve e tem que ser considerada uma derrota em toda a linha), foram dados importantes passos na estabilização da estrutura (dentro e fora do campo), ainda que por força da conjuntura, da debilidade dos clubes portugueses e do facto da Liga portuguesa ser pouco atractiva, seja complicado manter os melhores activos da equipa de ano para ano.

É no entanto evidente que essa estabilidade assenta, não só mas também, em pilares competitivos em que a vitória tem que passar a ser considerada um factor fundamental. Para toda a estrutura e para os adeptos e simpatizantes que ano após ano anseiam alcançar esse desiderato. É por isso que o tiro de partida que está prestes a ser dado para a nova época assume, nesse contexto, uma importância acrescida. Os erros e as insuficiências que têm sido bastas vezes compreendidos e tolerados pelos adeptos tenderão a despoletar a impaciência, caso o pontapé-de-saída não corra de acordo com o esperado. Em termos pessoais estamos convictos de que, sendo uma hipótese que não pode ser desprezada, não irá acontecer e os adeptos não regatearão o seu apoio como é norma suceder. Até porque se pressentem no ar algumas novidades…






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