Ponto Vermelho
Como se previa…
28 de Junho de 2013
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“Contra a estupidez os próprios deuses lutam em vão”-Friedrich Schiller.

Se alguém porventura ainda alimentasse a ilusão, por mais ténue que fosse, sobre o tão desejado e necessário passo em frente do futebol português, a Assembleia Geral da Liga realizada ontem na sua Sede no Porto encarregou-se de provar definitivamente que os Fiúsas que enxameiam o futebol cá do sítio só olham para o seu próprio umbigo e não querem nem o progresso nem o desenvolvimento sustentado e progressivo do próprio futebol, mas apenas e só defender aquilo que julgam ser os interesses dos pequenos e médios clubes.

Aproveitando-se da nova conjuntura regressaram ao tempos dos xitos para imporem a sua ditadura democrática, para poderem manter o futebol estagnado e mesmo darem origem a novo retrocesso. Tudo porque apenas olham para si próprios, para os seus interesses imediatos, do salve-se quem puder, em vez de pugnarem para serem alcançadas soluções consensuais e duradouras. Que fossem o mais possível equilibradas para poderem beneficiar os clubes, e não precipitadas e sem suporte porque acabam por prejudicá-los. A todos, numa acção deliberada mas inconsciente em que não tardaremos muito a observar os efeitos.

Convenhamos que a nível da dinamização do processo da reformulação dos quadros competitivos e da procura de consensos o mais possível alargados, o Presidente da Liga Mário Figueiredo deixou muito a desejar. E sabe-se que sem um trabalho de bastidores exaustivo, o cacharolete de propostas encomendadas a uma empresa estrangeira da especialidade, seria de mais para o corporativismo que grassa na maior parte das mentes do nosso futebol. Aliás, as declarações de Fiúsa a criticar a verba dispendida pela Liga com tal estudo foi sintomática, como que a querer significar: Não vale a pena haver estudos para novas propostas organizativas pois o que nós queremos é a mesma coisa de sempre: alargamentos – para já para 18 clubes, mas se forem 20 ou mesmo 22 tanto melhor que nós aprovaremos….

Temos que admitir alguma pertinência na crítica de Fiúsa. Mário Figueiredo já está há tempo suficiente na Liga para saber o que a casa gasta, pois até mesmo as imposições por via administrativa encontram problemas inesperados através de expedientes dilatórios que protelam e nalguns casos impedem a sua aplicação efectiva. E, por mais voltas que sejam dadas, trata-se de uma derrota concludente do Presidente Liguista que ao tentar introduzir vários cenários inovadores para discussão, acabou por atraiçoar grande parte do suporte eleitoral que o conduziu ao cadeirão do poder. Urge agora extrair as correspondentes ilacções porque acabou de ficar muito mais isolado.

Caso o Boavista venha a demonstrar capacidade para participar na I Liga na temporada de 2014/2015 e se não houverem surpresas sempre passíveis de acontecerem no futebol português, iremos ter 18 clubes participantes quando deveríamos ter optado pela redução para um máximo de 14. Vários modelos têm sido sugeridos mas também já se percebeu que enquanto se mantiver o presente status quo não abandonaremos este despautério que não é bom para ninguém. É o modelo tradicional a disputar em duas voltas e não pensem em alterá-lo! A questão de haver menos receitas e jogos com uma ou duas centenas de espectadores são minudências…

Não vale a pena perdermos tempo com as várias peripécias registadas nas últimas temporadas. Vamos concentrar-nos apenas na que se inicia dentro de pouco mais de mês e meio. Vamos ver que capacidade terão os clubes que revelam recorrentes dificuldades poucos meses depois de se iniciar a época, para cumprir os compromissos nomeadamente com os seus profissionais. Mas antes, é importante que a Liga comprove sem subterfúgios, que todos os participantes na maratona estão efectivamente em condições de participar, porque têm circulado suspeições que não é bem assim…

Havendo muita ou pouca verdade nesta assumpção, caso se registem as deprimentes cenas dos ordenados em atraso que não resultem de factos inesperados e difíceis de prever e derivem de razões directamente imputáveis a esses clubes, será por demais evidente que a Liga não terá feito o trabalho de casa e passa a ter grandes responsabilidades na matéria. Como novidade iremos ter um novo enquadramento societário dos clubes que esperamos venha a permitir que, finalmente, seja posto cobro ao aventureirismo e irresponsabilidade de alguns dirigentes de clubes. Esperemos para ver o que acontece, mas conhecendo-se o futebol e a sociedade portuguesa, não nos surpreenderá se continuar tudo na mesma. Ou seja, pelas ruas da amargura…




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