Ponto Vermelho
No limiar de uma nova era
29 de Junho de 2013
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Nestes últimos tempos a questão dos direitos televisivos tem trazido muitos benfiquistas (e não só) em sobressalto. Em particular os mais jovens que, sendo mais impacientes, gostariam de ver já resolvido um assunto que por ser melindroso e complexo, obedecia a um determinado tipo de timings que não se compadece com a urgência de satisfação da curiosidade. Finalmente as coisas começam a fluir de uma forma natural abrindo caminho a uma nova era que se deseja profíqua, desafiante, e de grande dinamismo para o Benfica.

É sem dúvida nenhuma, um enorme desafio para o Benfica. Porque trás com ele uma experiência nova por se tratar do primeiro clube a nível mundial a passar a transmitir os desafios da sua própria equipa, mas também porque se afasta de algum modo da filosofia que tem sido implementada nos canais de clubes de outros países. É no entanto preciso reconhecer que, contrariamente a todos os outros, o Benfica por ser tão eclético e ter em actividade inúmeras modalidades incluindo os escalões de Formação que estão mais pujantes do que nunca, estava, à partida, em condições de propiciar para além do futebol, uma programação constante e variada das restantes modalidades que assim podem ser acompanhadas por todos.

Tomada a decisão de não renovar o vínculo com a Olivedesportos depois de uma ligação com altos e baixos e que, reconheça-se foi útil e necessária durante os anos que se seguiram à débacle dos encarnados que por via disso ficaram numa posição de fragilidade negocial, era, depois de encetada a recuperação financeira e da imagem do clube, uma hipótese reclamada pela esmagadora maioria dos benfiquistas. Essencialmente porque a empresa passou a ter colada a imagem associada ao Sistema com todos pecados que o mesmo sempre arrastou, e também porque a partir de uma determinada altura, o Benfica passou a ser recorrentemente hostilizado através dos comentários e da manipulação de imagens conforme é do domínio público.

Em plena crise com todos os indicadores económicos a baixarem e com um mercado exíguo como é o português, a solução foi encontrada dentro da própria casa. De imediato se levantaram vozes (até de dentro do próprio universo benfiquista), a lançar interrogações todas elas de cariz pessimista: Insuficiente capacidade técnica para efectuar as transmissões, sérias dúvidas sobre o retorno que previam não chegaria aos calcanhares do oferecido pela Olivedesportos e, até a questão da isenção dos comentadores foi posta em causa. Como se a maioria dos outros o fossem… Uma maneira bem portuguesa de antecipar desgraças antes de se ver… para crer, a que não estava ausente uma forma capciosa de fazer abortar uma opção inovadora.

Ao adquirir os direitos da Liga Inglesa com todo o mediatismo associado, o Benfica deu uma pedrada no charco. Que se acentuou ainda mais com o regresso de José Mourinho duplicando o contingente de treinadores portugueses na Premier League. Foi sem dúvida um importante trunfo negocial. Decorriam as coisas quase em velocidade de cruzeiro quando de repente foi anunciado que as duas principais plataformas que distribuem os conteúdos televisivos (A ZON e a PT-MEO que por acaso só controlam 90% do mercado) se tinham juntado em socorro do empresário Joaquim Oliveira e iriam abdicar de ter canais que fizessem concorrência à Sport TV cujo balão se tem vindo progressivamente a esvaziar.

A despeito de existir uma lei anti-monopolista que impedia o negócio tal como ele estava pensado e programado uma vez que indo avante a pretensão, a Benfica TV ficava demasiado circunscrita. Nem sequer vale a pena falar de princípios porque eles pelos vistos não existem e de moral porque claramente ela anda igualmente arredia. O tema está para decisão na Autoridade da Concorrência e está igualmente a mexer na Assembleia da República com audiências previstas para todos os operadores envolvidos. Aguardemos pois os desenvolvimentos sem qualquer tipo de stress.

De concreto e para já o que se sabe é que a Benfica TV vai passar a canal Premium já na próxima 2ª Feira e chegou a acordo com as referidas operadoras para distribuição dos seus conteúdos para o território nacional e com a ZAP para Angola e Moçambique, mantendo-se a hipótese de serem também distribuídos na Vodafone e na CaboVisão, enquanto que à luz da nova realidade, estão de momento suspensos para redefinição, os acordos com as operadoras internacionais que distribuem o canal no estrangeiro. Espera-se uma interrupção breve dado que isso passará a afectar milhares de benfiquistas e portugueses na diáspora.

É pois de grande expectativa o arranque da nova Benfica TV. Tal como em 1 de Outubro de 2008 com a transmissão experimental do Benfica-Nápoles, o dia 1 de Julho de 2013 passará a figurar no álbum das inovações com o canal encarnado. Calculamos que nesta altura será grande a azáfama de todos os responsáveis e profissionais da BTV para que possa estar tudo pronto a tempo e horas, dado que o aumento da responsabilidade é um facto inquestionável. Situamo-nos naqueles que entendem que vale sempre a pena inovar para se conseguirem melhores performances. E isso significa assumir riscos de algo em que se confia mas que não garante certezas antecipadas. Apenas e só as que resultam das nossas próprias convicções. Porque pior do que não ter vencido é não o ter tentado




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