Ponto Vermelho
Olhar para o amanhã
30 de Junho de 2013
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Muitas vezes a rivalidade sempre desejável se pura e bem interpretada, transporta-nos com alguma irracionalidade própria do adepto de futebol para patamares indesejados mas de que nem sempre nos conseguimos libertar. Porque não o queremos ou porque simplesmente não somos capazes. Tudo isso, aliado ao tradicional pessimismo dos portugueses (nos últimos tempos com bastas razões aliás), faz com que não consigamos obervar os acontecimentos do dia a dia com a serenidade, ponderação e distanciamento que seria aconselhável.

A rivalidade que há mais de um século existe entre os dois grandes clubes de Lisboa e do País nem sempre tem evoluído no melhor sentido, perdendo-se por vezes o sentimento do ridículo através de posições extremadas que conduzem a situações que acabam por ser desfavoráveis nos dois sentidos. Ao ter acontecido nas últimas dezenas de anos, deu origem a que qualquer dos clubes, para além da ausência de títulos, caminhassem para o abismo cada vez mais, enquanto que terceiros beneficiavam com isso retirando daí bastos dividendos.

Nunca é demais repetir a crise em que se precipitou o Benfica na década de noventa. Também como no Sporting nos tempos presentes, os encarnados foram vítimas de investimentos estratégicos pouco ponderados e de acções irresponsáveis de algumas Direcções que o foram encaminhando progressivamente para o fim da linha, com o clímax da insensatez a ser atingido no tempo de Vale e Azevedo. É bom que todos os que viveram de perto esses tempos conturbados e desesperantes tenham isso sempre presente, e a geração mais jovem que não os viveu, daí saiba retirar os competentes ensinamentos.

Vale para todos. Mesmos os que quando estão a ganhar se esquecem que para aí chegar é necessário ultrapassar um sem número de metas para que os clubes possam estar estabilizados nas várias vertentes. Porque sendo a glória passageira, os adeptos só suspendem a exclusividade dedicada à obtenção de títulos e viram agulhas para outros aspectos da vida dos clubes quando não os conseguem. Até lá o resto pouco importa incluindo a parte financeira que é remetida para secundaríssimo plano. Basta olhar, por exemplo, para a presença de associados nas Assembleias Gerais dos Clubes que discutem os Relatórios e Contas. E até mesmo das SAD’s…

Não se pode ignorar, contudo, a vital importância que o futebol, as vitórias e os títulos têm na vida de um clube. Tudo, de uma forma ou de outra, gira à volta dele e os seus resultados influenciam tudo o resto. Mas até chegar ao patamar das vitórias estabilizadas, é imprescindível ultrapassar um conjunto de factores internos e fazer face à feroz conjuntura externa que implantada no terreno há muito e bem oleada, tudo tem feito e fará, para obstar a esse desiderato. E pelo que se vê e se ouve e do que não chega ao conhecimento público, está para durar a despeito de pequenas melhorias que só atingirão alguma expressão com o tempo. Não é pois, fácil a tarefa ainda que aliciante.

Dirão porventura os mais radicais que o Sporting tem o que merece. Assiste-lhes, porventura, alguma razão. Porque vários foram os sportinguistas influentes que então glosaram a vida difícil do Benfica e depois se aliaram a Pinto da Costa para destruir o Benfica. Isso é histórico e não há como alterar essas evidências. Mas os clubes que são a fonte da nossa paixão, não têm culpa dos comportamentos dos seus dirigentes e associados, que por vezes se deixam atingir por factores de alienação associados à inveja e à maledicência, no sentido de impedir a progressão dos outros apenas e só porque eles próprios não o conseguem. Mas perguntamos: para além do FC Porto, a quem aproveitou essa prática? Ao Sporting? Ao Benfica?

Realiza-se hoje a Assembleia Geral do Sporting. Um dos pontos (a reestruturação da dívida e a proposta de recapitalização da SAD) é absolutamente decisivo para o futuro do clube de Alvalade. A proposta, como qualquer outra, terá os seus méritos mas também as suas fraquezas. Além de que será a possível face ao momento. A avaliar pelas várias opiniões vindas a terreiro, é de crer que, apesar de obrigar a maioria qualificada, a mesma seja pacificamente aprovada. Ver-se-á depois a sua aplicação no terreno.

Sejam quais forem os resultados de uma coisa temos a certeza: manter-se-á acesa a rivalidade e o Sporting transcender-se-á sempre que defronta o Benfica. Apenas esperamos que com cada um no seu galho, os dirigentes sejam serenos e ponderados nas atitudes e comportamentos, dado que não se podem esquecer que isso aumenta ou diminui a temperatura entre os adeptos. E também que anda por aí gente que está pouco interessada na normalização de relações… Por último, que todos sem excepção saibam estar à altura dos novos desafios. Que são muitos e difíceis.




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