Ponto Vermelho
Estão a acabar as férias…
1 de Julho de 2013
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Começam lentamente a extinguir-se os ecos do defeso e a acabar o terrível suplício de muitos adeptos que têm alguma dificuldade em enfrentar este período de inactividade competitiva. Por enquanto ainda estamos só no preâmbulo mas dentro em breve começarão os jogos de preparação que valendo o que valem já dão para entreter o vício… Jogos a sério não demorarão, dado que está agendada para dia 20 no Estoril a meia-final da Taça de Honra da AFL que em boa hora a reeditou, e que começará com um sempre apetecível Benfica-Sporting. Nada mau para matar saudades…

Com as épocas recentes na memória, os adeptos benfiquistas estão expectantes, sendo natural que num universo tão vasto encontremos opiniões diversificadas. Há-as para todos os gostos, mas prevalece a opinião largamente maioritária de que o Benfica irá ter uma época ao nível da anterior mas, como já referido pelo próprio Presidente do Clube, com um final diferente. Contudo, ninguém seja qual for a posição que ocupa na estrutura, pode em bom rigor garantir seja o que for. Mas é seu dever transmitir convicções e essas passam pelas vitórias que deverão estar sempre presentes no horizonte.

Muitas interrogações e especulações se têm levantado, porquanto há pessoas que têm dificuldade em ultrapassar traumas que resultam dos inêxitos. Cada adepto tem uma maneira diferente de observar todas as envolventes, dando primazia a pormenores que abonam as teses perfilhadas, uma situação que ao fim e ao cabo acontece amiúde. Existe uma certa tendência para valorizarmos simpatias pessoais, enfatizando ou desvalorizando atitudes e acções das pessoas em função desse factor aleatório e discutível.

O futebol não foge à regra e porque é deveras mediático, qualquer pormenor é empolado consoante o clube, jogador ou treinador que o protagoniza. Os media em muito contribuem para isso porque sabem de antemão que exercem influência sobre a opinião pública e adeptos que acabam por ir no engodo e dar a sua contribuição espalhando as notícias à velocidade da luz, independentemente de serem verdadeiras ou especulações. E isso leva a que acabemos por ver discussões acaloradas entre adeptos sobre factos que às vezes nunca existiram…

Muito se tem escrito acerca da renovação de Jorge Jesus e sobre a sua capacidade de alterar o estado pessimista de uma parte dos adeptos que continuam a alimentar dúvidas que venha a conseguir a reedição do êxito do campeonato da 1.ª época. Em defesa da sua tese socorrem-se dos resultados obtidos nas temporadas subsequentes em que, com excepção da 2.ª em que a equipa esteve aquém da sua capacidade e das suas potencialidades, o Benfica teve uma caminhada relevante nos dois primeiros terços da época mas depois, por isto e por aquilo, acabou por soçobrar. Por isso interrogam-se: quem nos garante que esta temporada não vai acontecer o mesmo?

Ninguém pode garantir de facto. Seja no Benfica ou seja em qualquer outro lugar. Voltarão à carga esses adeptos baseando-se no facto comprovado, de que isso tem mais probabilidades de acontecer com outros. Tem sido realmente verdade. Mas dantes e recordamos o Velho Capitão Mário Wilson, também acontecia com o Benfica, o que significa que houve uma mudança de ciclo devido a um conjunto alargado de razões e que já dura, infelizmente, há demasiado tempo, preocupando os benfiquistas que estão à espera que o velho Benfica regresse e nos volte a propiciar resultados de harmonia com os que o seu património histórico nos recorda a cada momento.

Se olharmos com atenção, observaremos um nítido progresso nesse objectivo. Mas em qualquer mudança de ciclo, partindo do princípio de que não existem factores a desvirtuar as metas, os efeitos nunca são imediatos. E quando acontecem antes do ciclo ter iniciado a viragem, tendem a ser esporádicos e inconsequentes. Tivémos esse exemplo em 2005 e em 2010, mas se fizermos uma introspectiva, veremos que ainda não tinha chegado o momento de reconhecermos a sustentabilidade desses triunfos nem constatar a solidez dos pilares. Percebemos que isso cause êxtase nos adeptos e simpatizantes, mas não podemos nem devemos embandeirar em arco quando existe ainda um longo caminho a percorrer.

É certo que perante a ausência de êxitos continuados, é quase impossível impedir a euforia dos adeptos sempre que eles acontecem. O problema é que acabam por influenciar a estrutura da equipa levando-a a perder concentração e até mesmo a algum relaxamento em determinados momentos que pode ser fatal. Por muito paradoxal que possa parecer, é mais fácil lidar com esse sentimento de júbilo quando ganhar é rotineiro. Daí que nem sempre percebamos aqueles que repetem a crítica como se os factos que lhe estão subjacentes fossem fáceis de ultrapassar. Mau grado tudo isso, sentimos que toda a estrutura da equipa tem vindo a registar progressos, a reduzir assimetrias e a saber lidar com essa pressão adicional. Acreditamos por isso que hoje estamos muito mais perto do que estivemos ontem.




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