Ponto Vermelho
O país que temos…
2 de Julho de 2013
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1. Num país em acentuado estado de degradação e com o governo a desfazer-se penosamente aos bocados perante a normal hesitação e tibieza de quem já devia ter agido em defesa do interesse nacional (para já não falar na diáspora, uma palavra agora muito em voga) – o Presidente da República –, nenhum português informado pode ficar surpreendido com qualquer acontecimento que se registe neste cantinho, seja por acção ou por omissão. Diariamente olhamos para o cacharolete de notícias e observamos que tudo, mas mesmo tudo, pode acontecer, com a agravante de ser olhado com indiferença por infelizmente ser corrente e normal no nosso quotidiano.

Enquanto isso, o que resta de significativo e que pode render dinheiro para cumprir a malfadada meta do défice que nunca iremos atingir, vai sendo desmantelado e vendido peça a peça até que num futuro não muito longínquo nada nos reste a não ser o tempo mediterrânico que até ele nos está a pregar partidas. Valha-nos, sem grande convicção, uma réstea de esperança para que não cheguemos a esse ponto. Mas se porventura dele nos aproximarmos, não faltarão os vendilhões do templo a chorar lágrimas de crocodilo sobre o leite derramado. Eles, que em primeira instância, foram os grandes culpados dessa situação degradante. Este país secular que já deu lições ao Mundo, não passa hoje de uma caricatura desse passado longínquo. E o povo sofredor, como bastas vezes acontece, está sonolento e com grande dificuldade em acordar da profunda letargia…

2. No desporto não poderia ser diferente. E no futebol, dada a sua expressão e ao mediatismo que atinge por força da imensa paixão que os portugueses nutrem pelo desporto-rei, todos há muito nos habituámos às situações mais disparatadas e aos acontecimentos mais insólitos. Num sector onde o chico-espertismo atinge uma enorme expressão e onde muitos dos culpados fazem gala da sua inocência em locais que deviam ser emblemáticos com a caução de altos representantes, vão sucedendo episódios que pela sua prática e pela sua natureza nos deviam deixar a todos envergonhados. Ao invés, a habituação que deriva da prática continuada transforma-os em situações corriqueiras que acabam por abrir caminho a novas situações num ciclo vicioso sem fim.

Alguns dos casos correm os trâmites habituais e normais, o que significa que depois da campanha mediática (curta e nalguns casos intensa consoante a natureza dos intervenientes), caminham lentamente para o esquecimento. E num qualquer dia de um qualquer mês de um determinado ano, quando deles não restar mais do que uma breve recordação e as hostes estiverem calmas e tranquilas, um qualquer órgão decisório dirá de sua justiça ou injustiça que poderá passar, inclusivamente, pelo arquivamento por falta de provas. Isto, se entretanto e por curiosa coincidência não tiver já passado o prazo de prescrição. Ainda que estranhamente, porque será que não nos admiramos quando isso acontece?

3. Tendo em conta estes cenários que deveriam ser hipotéticos mas acabam por ser de um realismo impressionante, é sempre interessante recordar (pelo menos para se saber se ainda existem) alguns dos que fizeram actualidade até há bem pouco tempo. Por exemplo: Depois de dois arquivamentos pela justiça desportiva por falta de provas que é feito do mediático caso do depósito de € 2000 na conta do fiscal de linha José Cardinal num balcão de um banco da Madeira antes de um Marítimo-Sporting e que envolvia o ex-V.P. do Sporting da Direcção de Godinho Lopes, P. P. Cristóvão? Em que ponto estão as restantes acusações do M.P. respeitante ao mesmo arguido? É que constou que estavam algures nas imensas pilhas de processos a aguardar vez. Presumimos que ainda por lá se mantenham. Mas quando avançarão depois de já ter decorrido um ano? Fazemos votos, entretanto, para que não se extraviem.

4. De igual modo continuamos curiosos sobre os acontecimentos registados na madrugada de 10 de Fevereiro na Sede da Federação Portuguesa de Futebol que levaram ao desaparecimento dos PC’s de Fernando Gomes e Vítor Pereira. Aqui é ainda mais estranho porque segundo a própria polícia, foram recolhidas muitas e abundantes provas do assaltante, incluindo salpicos de sangue recolhidos no próprio local. É que caminhamos apressadamente para os 5 meses após a ocorrência e nada mais transpirou do assunto. Será que já avançou e está em segredo de justiça, bem guardado, contrariamente ao habitual? Será que essas provas fundamentais foram enviadas para algum laboratório estrangeiro para apuramento do ADN do suspeito? Depois de tanto alarido e da lembrança semanal do Sub-Director de A Bola José Manuel Delgado, não será que a opinião pública deveria ser informada sem pôr em perigo a eventual investigação? Quando teremos então novidades? Aguardamos pacientemente…








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