Ponto Vermelho
Coisas que nem sempre se explicam...
4 de Julho de 2013
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Existem efectivamente coisas que não se conseguem explicar de forma lógica e racional. Mas se quisermos encontrar explicações para alguns acontecimentos que vão surgindo no futebol, teremos que porventura de considerar, entre outras variáveis, a enorme paixão que cada adepto e simpatizante nutre não só pelo desporto mais popular mas basicamente pelo clube que escolheu e que contrariamente a outros estados de alma na vida quotidiana, jamais deixará de ser o seu. Não contam obviamente, algumas excepções que vão mudando de clube consoante as circunstâncias e os interesses, de que o mais recente exemplo foi João Moutinho.

Milhares de palavras já se escreveram sobre a situação económica e financeira do Sporting. A crise já foi escalpelizada e espremida até à exaustão pelos milhentos paineleiros da nossa praça, e será consensual que o Sporting não estará por via disso e à partida, em condições de almejar mais do que lutar pelo 3º lugar com o SC Braga, lugar que ainda assim dará acesso ao playoff da Liga dos Campeões. Mesmo que não o venha a conseguir, poderá seguramente projectar a Liga Europa como alvo perfeitamente atingível, muito embora neste momento não se saiba quem vai ficar e quem partirá, um pouco também do que acontece com o FC Porto e com o Benfica, embora nestes dois casos os clubes estejam em condições de suprir as partidas, excepto se elas acontecerem, inesperadamente, em cima do fecho do mercado.

Para além da estabilidade, há a tendência de valorizarmos muito os orçamentos dos clubes para justificar favoritismos destas ou daquelas equipas. É isso que se está a fazer neste momento, pois pelos números que têm vindo a lume, o orçamento leonino para a época que se avizinha, tenderá a ser inferior 3 ou 4 vezes dos projectados para os dois principais clubes, apesar do inevitável apertar do cinto a que a crise obriga. E assim sendo, as opções passam a ser muito mais escassas e os escalões do mercado tornam-se mais apertados. Logo, será crível pensar que a competição para o título voltará a ficar circunscrita aos dois clubes que terminaram a época nas duas primeiras posições.

No futebol, já observámos, felizmente, muitas e complexas situações em que os orçamentos não exerceram a sua ditadura e deram origem a que equipas com muito menos possibilidades conseguissem vencer provas de 1ª linha. Se os orçamentos fizessem lei e fossem absolutamente determinantes, nem o Benfica nem o FC Porto nos últimos anos, nem inclusivamente o Sporting teriam vencido as mais importantes provas da UEFA. E venceram contra clubes com orçamentos muito superiores. Porque poder comprar os melhores jogadores significa sem dúvida possuir um plantel de dimensão superior mas que nem sempre tem correspondência directa em termos de equipa. Os exemplos abundam.

No caso do Sporting, para além das dificuldades de organização do plantel e da equipa, a multiplicidade e o gigantismo dos problemas obrigam à dispersão dos seus dirigentes para acorrer aos diversos focos de incêndio que por todo o lado ameaçam alastrar. E isso levará a uma inevitável erosão em todos os sectores, a despeito da energia a rodos de que o seu principal dirigente tem dado mostras até ao momento. E isso sendo tocante para os sportinguistas e mesmo até fora do universo Sporting, tem ajudado a galvanizar os adeptos leoninos desde finais de Março com a tendência a crescer na proporção inversa da contagem decrescente para o início da temporada.

Com o apoio da imprensa que não lhe tem regateado apoio, com alguns dos Velhos do Restelo a cumprirem um silêncio sabático por motivos estratégicos e com ex-dirigentes sem tempo de antena, um Bruno de Carvalho populista mas firme, tem conseguido levar a àgua ao seu moinho arrastando a maioria de associados que cresceu muito em relação à escassa minoria com que foi eleito. E mais uma vez se provou que o apoio popular pode ser determinante. Assim o entendessem as várias áreas de governação do País que se foram esgotando…

Visto de fora, tem sido curioso observar o apoio que em todas as circunstâncias os adeptos e simpatizantes leoninos não têm regateado ao seu líder e à sua equipa. Sendo gratificante tão significativo apoio, para além de ser um incentivo muito importante na luta de todos os dias para assegurar condições de governabilidade mínimas ao clube, aumenta exponencialmente a sua responsabilidade. E existe o risco manifesto de ser criada uma euforia desmedida que conduza à criação de expectativas que devido ao seu grau de exigência não poderão ser cumpridas. Porque a bola ainda não começou a rolar e por experiência sabe-se que ela será determinante. E, caso as coisas não aconteçam exactamente conforme o esperado, a tendência é a de passar ao estado de alma contrário. Nós benfiquistas sabemos isso… E tal poderá conduzir ao retrocesso e a mais problemas…






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