Ponto Vermelho
Preocupações de Pré-Época
6 de Julho de 2013
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Ciclicamente, em cada pré-época, repetem-se as preocupações das estruturas dos clubes em dotar os respectivos plantéis com jogadores que possam satisfazer os objectivos traçados. Conhecida a dependência das nossas principais equipas em encaixar verbas significativas que consigam colmatar os défices das suas tesourarias, o defeso e nalguns casos a janela de Janeiro concorrem através das transferências para que sejam atingidas essas metas. Mas para isso torna-se necessário, em primeiro lugar, que existam activos susceptíveis de atraírem as atenções daqueles que podem pagar sem dificuldade de maior mesmo tendo em conta a actual conjuntura difícil.

Fixados os atletas com mercado, o preço a pagar é naturalmente definido por vários factores. Em função do valor do atleta obviamente, mas também pelo facto da equipa ter feito uma boa temporada não só interna mas em particular nas provas europeias. Daí que os jogadores do Sporting, mesmo com valor similar, tenham tendencialmente um valor de mercado inferior aos do Benfica e FC Porto derivado da época horribilis do clube de Alvalade. E depois, com muita influência, a maior ou menor necessidade de vender, bem como da urgência em fazê-lo para realizar mais valias.

Tendo o FC Porto por circunstâncias do mercado já conseguido suprir essa necessidade mesmo com casos pendentes, são conhecidas as projecções que dão conta que o Benfica também terá de fazê-lo até ao final do período do defeso. Por força da sua carreira na Liga Europa diversos jogadores estão, como é natural acontecer, a serem cobiçados por grandes clubes da Europa, sendo apontados vários nomes como estando em vias de terminarem a sua ligação contratual aos encarnados. Nestas alturas devido à guerra de empresários e à habitual especulação dos media, muitos são os alvos que são badalados, restando saber no final quais o que efectivamente demandaram outras paragens.

Um dos casos que já está no mercado é Óscar Cardozo pelas razões de todos conhecidas. Tal como durante a sua carreira de 6 épocas de águia ao peito em que nunca conseguiu gerar consensos nos exigentes adeptos benfiquistas, também agora que está na eminência de partir definitivamente volta a não ser totalmente consensual, havendo ainda alguns que defendem que, em face do seu passado benfiquista como emérito marcador de golos, deveria de haver alguma compreensão por parte do Presidente do Benfica e do treinador pelo despautério ocorrido na final da Taça de Portugal no Jamor.

O Benfica como qualquer equipa de alta competição estabelece regras e regulamentos para todos os seus profissionais que quando assinam contratos ficam automaticamente veiculados ao clausulado dos mesmos. E se ninguém está livre enquanto ser humano, jovem e debaixo de intensa pressão com os índices de adrenalina a atingirem picos em determinadas ocasiões que os podem levar a ter comportamentos pouco ortodoxos, a verdade é que como figuras mediáticas que arrastam multidões devem ser os primeiros a dar o exemplo, sobretudo ao público mais jovem que neles se revê.

Logo, por mais autocontrole que tenham que exercer, estão impedidos de entrar por caminhos em que, para além de se prejudicarem a si próprios, lesam a equipa que representam sabendo-se o mediatismo que lhe está subjacente. Quando o fazem terão que sofrer as consequências. Seja quem for e por mais importância que tenha na equipa. Foi precisamente o caso de Cardozo. Visto o caso do lado de fora, quer-nos parecer tendo em conta os antecedentes de outras épocas (sobretudo no defeso), que a acção poderá não ter sido completamente inocente, potenciada por um empresário que passa por ser provavelmente o mais loquaz de todos e que está desesperado por aumentar o seu pecúlio de comissões...

Isso fez com que o valor do seu passe tivesse sido desvalorizado criando dificuldades adicionais para a transferência a menos que o Benfica aceitasse negociar ao preço da chuva. É que os eventuais clubes contratantes, sabedores da situação, jogam com ela tentando baixar o preço. Não basta que Pedro Aldave, como tem acontecido, afirme por norma três vezes ao dia que anda meio-mundo atrás de Cardozo. É preciso que apresente propostas concretas e sérias que permitam a discussão. Ao que se diz Luís Filipe Vieira terá fixado o valor mínimo de € 15 milhões para uma eventual transferência, que não sendo pouco nem muito será aquilo que julga adequado ao valor do jogador. Esta situação de impasse não é benéfica para ninguém e muito menos para o jogador que estará a ter umas férias pouco descansadas. Mas faltando quase 2 meses para fechar o período de transferências ainda há um mundo de possibilidades. É preciso ter calma e ponderação. Quem afinal fez a cama?






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