Ponto Vermelho
Casos estranhos… ou talvez não!
8 de Julho de 2013
Partilhar no Facebook

Com os portugueses com preocupações acrescidas pela irresponsabilidade e falta de decoro dos políticos que insistem em moerem-nos no juízo agravando ainda mais as nossas dificuldades quotidianas e reduzindo drasticamente a nossa esperança de termos um futuro melhor, a pré-época tem prosseguido sem especial relevância e sem factos a entusiasmar os adeptos. É fruta do tempo e quiçá uma estratégia propositada que dará lugar, mal a época começe a encurtar drasticamente, aos últimos retoques nos plantéis, tendo em conta que os clubes ainda aguardam pelas melhores oportunidades que levarão à partida de atletas e à eventual chegada de outros para promover o respectivo equilíbrio.

No caso particular do Benfica, enquanto o affaire Óscar Cardozo continua em banho-maria, foi noticiada a chegada do defesa ambivalente Sílvio ligado ao Atlético de Madrid para suprir o défice (continuado) das laterais, restando esperar que possa, finalmente, resolver uma situação que se tem vindo a arrastar de ano para ano desde a partida de Fábio Coentrão. O jogador virá a título de empréstimo, sendo que passará a ser uma excelente oportunidade para poder confirmar todo o potencial que se lhe reconhece e que por esta ou por aquela razão tem vindo sistematicamente a adiar. Além de que, para o ano, há Campeonato do Mundo e acredita-se que Portugal esteja presente…

Para a zona central da defesa acaba também de aportar o argentino Lisandro López a quem se augura um futuro radioso. Ao contrário de Sílvio, falta aferir a sua capacidade de adaptação a um novo País e a um novo continente, para além de vir encontrar um diferente tipo de futebol. Acresce que, falta saber qual irá ser a composição final do plantel naquela zona do terreno dado que se fala da possibilidade da saída do seu compatriota Ezequiel Garay, e isso poderá significar mais e melhores possibilidades na sua candidatura a uma vaga na equipa principal. Aparte isso, será um assunto a seguir com atenção dadas as boas indicações com que o atleta vem referenciado.

Na perspectiva dos adeptos a situação do reapetrechamento do plantel é sempre vista de forma difusa. Haverá casos de jogadores em que as decisões que vierem a ser tomadas (quaisquer que elas sejam) nunca merecerão concordância. Porque poderão existir aspectos relevantes que são de todo desconhecidos dos adeptos mas que a estrutura não ignora e que tem que considerar na altura da decisão, acabando por ter às vezes um peso decisivo. E há outros em que sendo-lhes reconhecida capacidade e margem de progressão, as suas características não serão as mais indicadas para o tipo de futebol idealizado pelo técnico.

Será porventura o caso de Miguel Rosa que voltamos a frizar –, não percebemos a razão porque não teve a possibilidade de se estrear na equipa principal ele que foi considerado o melhor jogador da II Liga. E mesmo depois de constatarmos as explicações que a esse propósito foram expendidas pelo ex-treinador da equipa B Luís Norton de Matos, não ficámos de todo convencidos. Vemos com alguma mágoa a saída de um jogador que nos vários jogos que presenciámos, sempre ou quase sempre, nos encheu as medidas. Mas é evidente que até devido à sua idade está na altura de se afirmar definitivamente e por isso, não tendo lugar no plantel principal, o mais indicado será sair.

Outros casos pertinentes e a merecer atenção serão o guarda-redes Jan Oblak e o defesa-direito João Cancelo reconhecidos como tendo enorme capacidade e grande potencial de crescimento. Na recente entrevista e a menos que tenhamos percebido mal, Jorge Jesus deixou implícito que ambos os jogadores não estavam (ainda) maduros para representar o Benfica ao mais alto nível. Por lhes faltar experiência, o que é de facto verdade. Para mais, no caso de Oblak que navega na mesma faixa etária, porque entende que para o posto de guarda-redes deverá ser um atleta mais velho e mais experiente.

Aceitando parcialmente a argumentação de Jesus, diríamos que, do nosso modesto ponto de vista, as justificações aduzidas não nos convenceram por duas ordens de razões: a primeira porque a experiência ganha-se começando-se gradualmente a jogar ao mais alto nível e, segundo -, porque se trata de posições carenciadas na equipa que as constantes adaptações tão do agrado do técnico não têm resolvido. Acresce que, Jesus referiu a questão dos dois guarda-redes estrangeiros como sendo um óbice pois eliminaria um jogador de campo. Oblak sendo esloveno, foi contratado pelo Benfica quando tinha 17 anos e de cá não saíu estando prestes a iniciar a sua 4ª época em Portugal. Nesse sentido e a menos que estejamos equivocados, tendo em conta que tem feito cá a sua formação, não será que para efeitos de UEFA contará como formado localmente?

Estamos de acordo que a experiência é fundamental em todas as profissões. E nesse sentido, sendo um lugar muito específico, percebemos as reticências do treinador do Benfica. Mas se olharmos para trás, (não é preciso recuar muito…) constatamos que nem sempre a experiência comprovou. E se recuarmos ainda mais, na história do Benfica abundam os casos de falta de experiência em que os atletas em causa se revelaram jogadores de primeiríssima água. Nem sequer se torna necessário citar casos pois quase todos os conhecemos…




Bookmark and Share