Ponto Vermelho
Bater no ceguinho
10 de Julho de 2013
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Depois de mais uma exibição nos Jerónimos que em nada ficou a dever às outroras arregimentações da populaça que fizeram história no Estado Novo e que marcou decisivamente o novo Cardeal Patriarca que por acaso começou de forma infeliz, continuemos a olhar para o desporto português que globalmente falando definha a cada passo acompanhando o sinal dos tempos e as dificuldades crescentes de cada vez mais portugueses, perante as constantes brincadeiras de políticos irresponsáveis que insistem em calcar o povo real, tal como recentemente foi ilustrado por um dos ilustres banqueiros da nossa praça.

Face ao apertar do cinto que como sabemos não é generalizado, apesar dos contratos-programas com as respectivas Federações desportivas ficarem muito aquém daquilo que elas necessitariam para poderem desenvolver as actividades que lhe estão adstritas, em particular o vital sector de formação que estabelece os alicerces ao fomento e desenvolvimento de novas gerações de atletas, novos e decisivos cortes foram levados a cabo pela tutela com o argumento de que num cenário de crise aguda o desporto também teria que dar a sua contribuição. Dito assim desta maneira até parece a coisa mais lógica e justa deste mundo…

Mas olhando ainda que de soslaio para o tema, chegamos à conclusão de que a situação é muito mais gravosa porque encerra uma tendência de cortes ano após ano, tendo o presente constituído um bom exemplo daquilo que o Estado não deve fazer ao acentuar os cortes a algumas Federações que nalguns casos chegam aos 9%. Depois da pouco produtiva participação nos Jogos Olímpicos de Londres em que só obtivémos uma medalha, houve por aí uns artistas com responsabilidade que ficaram escandalizados por até micro-países as terem obtido.

Esqueceram-se no entanto de analisar todas as envolventes que rodearam a nossa Representação Olímpica, a começar pelas condições em que a mesma se preparou. E, sobretudo, da colaboração e participação do Estado na qual se incluem todas as premissas que permitam uma preparação consistente e eficaz. Se tal tivesse sido asizadamente feito, porque estavam em causa dinheiros públicos seria lógico que se pretendessem resultados, a despeito das várias modalidades olímpicas poderem ser afectadas por situações aleatórias. E naturalmente porque qualquer país olha com muita atenção para os atletas seleccionados para os Jogos porque está em equação a representação e a imagem nacional no maior evento desportivo do planeta. Mas em Portugal, a exemplo de muitas outras coisas, há gente que continua a esquecer-se desses pormenores

Estamos habituados. Logo após as coisas correrem (previsivelmente) mal, alguns dos responsáveis enveredam pelo discurso habitual de sacudirem a água do capote, o tempo vai passando, a opinião pública esquecendo e, quando damos por isso, já passaram mais 4 anos… O que se fez entretanto? O possível que é muito insuficiente para a ambição de virmos a ter um desporto evolutivo o que não seria assaz difícil. Outros países de pequena dimensão e com parcos recursos o fazem com sucesso. E isso só pode acontecer se tivermos uma política sustentada e coerente a nível do desporto escolar e dos escalões de formação que é coisa que apesar do enorme esforço das Federações, Associações Regionais, dos clubes e das Autarquias não temos, porque em vez de receberem os apoios indispensáveis do Estado apenas vêem cada vez mais esses apoios a minguar. Como será possível assim obter resultados satisfatórios?

Ainda assim, com todas estas insuficiências, o trabalho desenvolvido por todas aquelas entidades e naturalmente pelo esforço e espírito de sacrifício dos atletas que apesar de tudo vão conseguindo por vezes obter resultados incoerentes, se atendermos à inexistência de uma política concertada, coerente e transversal por parte do Estado. Sendo compreensivos para as restrições orçamentais que atingem transversalmente (quase) todos os sectores poderia ser feito muito mais, bastando para isso haver vontade política que parece andar sistematicamente arredia. Têm sido inevitabilidades contínuas…

Um dos factores fundamentais para desenvolver um trabalho profíquo é, sem dúvida, o da motivação. E exigir que se faça mais com cada vez menos, é manifestamente injusto para quem com enorme esforço pessoal tem vindo a lutar tenazmente contra essa contínua míngua de recursos disponíveis. Há quem, sem nunca ter passado por esse problema crucial, se entretenha a divagar com essa estória de aproveitar as oportunidades na crise… e, de facto, há até quem disponha de abundantes recursos e não as aproveite. Não se aplica todavia a quem sempre o fez, que mesmo no tempo das vacas gordas dispunha de orçamentos muito aquém do que seria exigível. Por onde andavam nessa altura esses espíritos tão imaginativos?






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