Ponto Vermelho
Um caso… sem acaso
11 de Julho de 2013
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Nos últimos dias a juntar ao rol de problemas que Bruno de Carvalho e a sua Direcção têm vindo a enfrentar sem descanso, surgiu agora o chamado caso Bruma que não apareceu do nada e muito menos por acaso… Os ditos novos tempos estão a revelar uma tendência crescente para a escalada de pessoas sem escrúpulos que tentam aproveitar tudo para satisfazerem os seus incontroláveis desejos terrenos de sucesso. Nem que para isso tenham que vender a alma e a sua própria família…

No futebol onde para além daquilo que a UEFA apelida de fair-play financeiro que contraria tudo ao que vimos assistindo com a lei do dinheiro a impor-se cada vez mais perante a indiferença da FIFA que navega nas mesmas águas turvas, existe uma prolífera casta de oportunistas atraídos pelas incríveis somas que são movimentadas no futebol. Quando não existem regras sérias ou são, bondosamente abastardadas, é de esperar que cada vez mais assistamos aos maiores despautérios, em que tudo é válido para os objectivos que só têm um fim em vista – tratar os atletas como mercadorias e sacar milhões à sua custa.

Diariamente, em todos os pontos do globo, há empresários, agentes, olheiros, representantes, enviados especiais, comissionistas e aparentados a calcorrear milhares de milhas utilizando os mais variados meios de transporte e socorrendo-se dos mais diversos expedientes por aquilo que os faz correr: descobrir jogadores com potencial para poderem realizar o seu negócio. É a coisa mais vulgar deste mundo em que quando aqui ou ali é detectado algum jogador ainda que em estado bruto, seja atraído para negócios de milhões e proposto um futuro risonho jamais sonhado. E como o vil metal tem um efeito poderosíssimo, primeiro é preciso trabalhar todos os potenciais beneficiários que giram à sua volta, de que até nem escapam os progenitores.

O continente africano tem dado ao Mundo alguns dos seus mais extraordinários jogadores. E as ex-colónias portuguesas que durante décadas alimentaram o mercado português sobretudo o Benfica com muito do seu potencial, a começar pelo mais mediático jogador português de todos os tempos, continuam a ser um alfobre pouco explorado devido à nova conjuntura que tem obrigado os principais clubes portugueses a desviarem-se para outras rotas. Mas as potencialidades existem e mantêm-se intactas.

A actual Guiné-Bissau mais incógnita e com menor logística e possibilidades, que não pode ser comparada a Angola e Moçambique tem revelado talentos que despertaram a atenção. O Benfica ainda recentemente lá se deslocou com a sua equipa de juniores, estabeleceu protocolos, tendo sido bem visível o carinho e o entusiasmo que aquelas gentes demonstraram em receber a representação encarnada. Também o Sporting, fruto do seu trabalho de potenciar jovens jogadores, acolheu e revelou na Academia, entre outros, o talento que agora anda nas bocas do mundo – Armindo Na Bangna mais conhecido por Bruma.

Sabendo-se que os caça-talentos estão sempre atentos e não perdem oportunidades de negócio, compete a cada clube proteger os seus interesses e os dos atletas. É certo que apesar de ter revelado grande potencial nas camadas jovens, só a conjuntura terrível do Sporting na época passada levou Jesualdo Ferreira a apostar em si e a projectá-lo. Mas também competia à estrutura leonina e ao então presidente Godinho Lopes salvaguardar os interesses do clube e… do próprio jogador que, jovem e inexperiente como era, estava à mercê de um qualquer aventureiro sem escrúpulos.

Por razões que desconhecemos tal não foi feito e essa terá sido a razão fundamental para o enorme imbróglio que se gerou e que, muito provavelmente, terá consequências gravosas para os leões, em mais um caso igual a tantos outros de jovens jogadores que demandaram a outras paragens sem que o Sporting colhesse os frutos do seu profíquo trabalho de formação. Em recente entrevista do jogador em que este confessou, candidamente, que tinha faltado a uma reunião com o actual presidente leonino por ter adormecido, revela bem a sua ingenuidade e a forma como era um alvo demasiado frágil.

Com um empresário que a conselho de terceiros deixou de o ser, entregue a tutores e advogados que obviamente defendem os seus (deles) interesses, um Bruma influenciável transformou-se numa bola de pingue-pongue sem saber para onde ir nem o que dizer. E com o Sporting debilitado e sem grande margem de manobra, era de prever que os actuais influenciadores do jogador fossem criando clivagens e dificuldades de toda a espécie, por forma a dar azo à criação de um pretexto para a ruptura definitiva com o Sporting.

A avaliar pelas últimas notícias, parece que o pretexto desejado já terá surgido com o seu quê de insólito. Será, porventura, um caso irreversível de divórcio que não surgiu por acaso com o jogador a servir de juguete de vários interesses que não os seus. Pessoalmente, seria aconselhável permanecer mais uma ou duas épocas em Alvalade para que, caso mantivesse a evolução, demandar outras paragens com benefícios mútuos. Com estes focos de incêndio à sua volta, espera-se que não venha a sofrer a erosão de se ter transformado na figura maior de uma novela cujo principal protagonista está ausente. Um exemplo negativo para todos, mesmo para aqueles que (aparentemente) julgam que nada têm a ver com o assunto…


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