Ponto Vermelho
Bandalheira...
12 de Julho de 2013
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Alertas de vários quadrantes têm sido emitidos chamando a atenção para os perigos que ameaçam e estão a afectar o futebol na nova variante dos comissionistas que crescem todos os dias como cogumelos, ao terem descoberto nele há já algum tempo, o novo El Dorado dos tempos modernos. A despeito de ser uma actividade regulamentada pela FIFA, as centenas de milhões que o mesmo movimenta, têm atraído um sem número desses fans que têm vindo de forma acelerada a abastardar a actividade e a afectar a imagem de que gozavam os verdadeiros empresários.

Hoje em dia, se é certo que existem vários empresários de renome e com prestígio que são reconhecidos internacionalmente, a esmagadora percentagem é olhada com enorme desconfiança pelo mundo do futebol, dado que se chegam a atropelar uns aos outros para conseguirem a representação dos jogadores a quem prometem mundos e fundos na ânsia de virem a conseguir as tão almejadas comissões que podem atingir os milhões com a maior das facilidades. É um verdadeiro regabofe aquilo a que assistimos com tendência a aumentar. O dinheiro, montes de dinheiro, atrai por norma toda a casta de oportunistas sem qualquer espécie de escrúpulos.

Se por norma os jogadores de nomeada e com carreira feita, são quase sempre representados por empresários reconhecidos, existem muitos outros jogadores que no início das suas carreiras se atrelam a personagens desconhecidas e obtusas que mais não pretendem do que obter chorudos dividendos à sua custa, prometendo-lhes num futuro próximo uma grande carreira internacional e a transferência para os mais importantes clubes da galáxia. Por exemplo, no futebol português vários têm sido os casos de fraude que têm acontecido com jogadores e que o Sindicato da classe e a própria imprensa têm vindo a denunciar.

Jovens com pouca experiência e pouco avisados são atraídos por empresários vindos do nada em conluiu com alguns dirigentes de clubes pouco escrupulosos, com a promessa de aliciantes contratos que por vezes não passam de mera trapaça atendendo a que, não tendo intenção de pagar, as condições oferecidas vão muito para além do que aquilo que os incautos jogadores alguma vez sonharam. Com a colocação dos jogadores nos clubes os empresários recebem a sua parte, os dirigentes servem-se da força de trabalho dos jogadores e estes, passado algum tempo são confrontados com situações de grande dificuldade pois os salários não são liquidados e começam as promessas de pagamento na semana seguinte. Mas do dinheiro nem a cor…

Situações deste tipo começaram fundamentalmente a acontecer em clubes secundários longe das luzes da ribalta, mas gradualmente têm-se alastrado a outros de maior expressão. A chaga dos ordenados em atraso ao plantel sem que factos anómalos e inesperados tenham acontecido, costuma ser uma das variantes desse esquema, mas aí, para além da irresponsabilidade de dirigentes, tem havido algum lascismo por parte dos órgãos de cúpula do nosso futebol e em particular da Liga de Clubes que nos últimos tempos tem prometido estar atenta e actuar relativamente a esses casos deprimentes.

Mas o aparecimento em fila no mercado de novos agentes cheios de avidez, tem levado à procura e ao descobrimento de novas nuances que há já algum tempo começaram a afectar os principais clubes. São variados os casos em que isso aconteceu, sendo que alguns esgotadas as possibilidades na justiça desportiva, as acções ainda decorrem nos tribunais de trabalho passados vários anos. Mas aqui, não estamos propriamente a falar de jovens imberbes mas de jogadores já com experiência em que, com as tais promessas mirabolantes dos empresários, viraram as costas aos clubes alegando, curiosamente, falta de condições psicológicas para consumarem a rescisão…

Neste momento, para além do tão mediatizado caso Bruma e que é bem ilustrativo do que pode acontecer nesse campo, foi hoje noticiado outro caso que terá contornos similares desta vez no Benfica, envolvendo o jovem guarda-redes Jan Oblak. A ser verdade, é mais uma prova de que se torna não só necessário como urgente que a FIFA e a UEFA intervenham rapidamente para, em conjunto com as Federações nacionais, impedir este crescendo de casos que ameaçam tornar ainda mais, o futebol numa quinta de interesses obscuros em que os clubes e os jogadores são os mais prejudicados. Ambos, não podem estar à mercê de parasitas e aventureiros sem escrúpulos cujo objectivo único é locupetarem-se com o resultado do esforço dos outros!






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