Ponto Vermelho
Primeiras impressões
13 de Julho de 2013
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Os pontapés-de-saída das novas épocas no tocante ao ciclo de jogos ditos de preparação que são feitos pelas equipas no período pré-competitivo, arrastam por norma muitos adeptos e simpatizantes dos clubes que depois das emoções, euforias e depressões da temporada anterior, estão desejosos de observarem in loco a nova realidade. Jogadores que partiram, outros que chegaram, há sempre algo de diferente em cada equipa mesmo que a componente técnica não tenha mudado. E por muito mal que tenha corrido a época finda, existe sempre a expectativa de que a próxima será melhor. Excepto para aqueles que já nada os anima…

O Benfica que se apresentou ao trabalho no dia 1 com a ausência de diversos jogadores pelos mais variados motivos e que luta, como todos os outros, com indefinições no plantel que se vão manter até ao fim do período regulamentar das transferências, iniciou o ciclo dos jogos de preparação como habitualmente na Suíça. Este ano, o período normal de preparação tem vindo a decorrer no Caixa Futebol Campus, tendo sido encurtado o período de estacionamento em terras helvéticas, que se vai resumir à disputa de 3 jogos (hoje, amanhã e 3ª feira). Esses jogos encerram graus de exigência diferente o que também é natural acontecer.

No jogo que hoje decorreu com o Étoile Carouge e que teoricamente seria o que encerrava menos dificuldades uma vez que o adversário milita nos escalões secundários do campeonato suíço, despertava curiosidade para os emigrantes que nunca perdem o ensejo de ver ao vivo o Benfica e qualquer equipa portuguesa por constituir uma oportunidade que não querem desperdiçar. Mas também para todos os restantes adeptos que ardiam de desejo de verem as novas aquisições e particularmente o vagão de sérvios como alguém se apressou a chamar. Um desejo satisfeito dado que todos eles se estrearam de águia ao peito.

Devido a toda uma série de contingências e aos poucos dias de treino, não se esperavam grandes cometimentos não só porque as pernas nesta altura da época pesam, mas porque por muitos treinos que já tivessem havido, o entrosamento teria que estar longe de ser um facto consumado. Mas na verdade as atenções estavam centradas nos novos valores tendo em conta as referências elogiosas com que vinham catalogados. Dada a fragilidade do adversário não se anteviam quaisquer dificuldades, restando avaliar até onde iria a capacidade de resistência dos jogadores do Étoile. Amanhã e 3ª haverá testes mais exigentes.

Parece claro que a despeito de haver jogadores que ainda não se apresentaram, o plantel encarnado neste momento está sem dúvida mais equilibrado. Sobretudo nas laterais defensivas onde entrou o recém-chegado Cortez bem como o regressado Sílvio, ainda que este só tenha jogado no período complementar. No meio-campo surgiu Djuricic como 10 apoiando Lima que desempenhou o papel de ponta-de-lança móvel a exemplo do que vinha fazendo na época passada, mas aí com um ponta-de-lança fixo – Cardozo. Um Benfica diferente com cheirinho àquele que encantou a plateia na época de 2009/2010.

Não sendo por motivos óbvios possível aferir o actual estado da equipa dada a fragilidade do adversário, ainda assim foram visíveis algumas boas indicações e golos de belo efeito, factores que resultaram da classe dos jogadores que demonstraram aqui e ali um razoável entendimento. No entanto ainda há muito trabalho pela frente dado terem existido alguns erros que não podem acontecer em competição a sério sob pena de vir a sair caro, como foi aliás bem visível no lance do golo suíço que apanhou Cortez adiantado e em que não existiu compensação por parte de nenhum companheiro.

São erros normais nesta altura da época e que são cometidos por jogadores que acabaram de chegar e que ainda não conhecem bem os seus companheiros bem como as nuances tácticas da equipa. Estes jogos servem exactamente para poderem ser corrigidos todos esses aspectos, para criar a habituação a um futebol algo diferente e mais exigente em termos físicos e tácticos. Demos tempo ao tempo. Em contrapartida houve várias coisas positivas, desde logo a afirmação de Djuricic que herdou a mítica camisola 10 de Rui Costa e de Pablo Aimar. Embora jogando à vontade, deu para ver que Djuricic poderá vir a ter um papel importante na equipa pois possui excelente técnica e visão de jogo.

Também Sulejmani autor de 2 golos demonstrou classe e engodo pela baliza sendo um jogador que deve ser seguido com atenção, enquanto que na defesa Mitrovic resolveu de forma eficiente o pouco que teve para decidir. Já Markovic encostado ao lado esquerdo esteve mais discreto ainda que revelando bons pormenores. Das restantes novidades Lisandro actuou de forma calma e serena, e o regressado Ruben Amorim (no lugar de Matic) teve um labor constante e destacou-se pela precisão nos passes longos. Sílvio foi regular mas rendeu mais no lado direito e Michel demonstrou as insuficiências conhecidas. Cortez com forte propensão ofensiva e muita vontade, precisa de perceber melhor o futebol que se pratica em Portugal. Quanto aos outros companheiros exibiram-se dentro dos parâmetros habituais, mas gostaríamos de sublinhar Urreta numa posição diferente e de onde marcou o melhor golo da noite.




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