Ponto Vermelho
Em pé de guerra...
14 de Julho de 2013
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Muito recentemente a opinião pública foi fustigada com notícias que davam conta de que o mundo da arbitragem para variar se encontrava num estado de grande agitação motivado por um facto sempre muito sensível pois mexe com cada profissional da arbitragem –, as notas atribuídas e as consequentes classificações que determinam subidas e descidas nas várias categorias. Todos os anos no fim de cada época desportiva existe algum descontentamento por esse facto, mas este, por ter sido aplicada uma nova fórmula matemática agitou as águas e provocou um descontentamento sem precedentes a avaliar pela extensa reportagem que o jornalista Carlos Rias do diário desportivo A Bola voltou a fazer nos meandros, nomeadamente na organização da classe – a APAF.

No seguimento da forte contestação que se começou a gerar devido às alegadas injustiças verificadas, o Presidente do Conselho de Arbitragem da FPF Vítor Pereira, concedeu uma entrevista reconhecendo parcialmente justeza nalgumas situações e prometeu que iriam ser atempadamente corrigidas para transmitir um maior equilíbrio e justiça aquilo que seria realmente a verdade dos factos. Foi contudo pouco assertivo nas justificações das anomalias apontadas e tentou passar a imagem de que se tratavam de pormenores a corrigir o que desde logo indiciava problemas num curto espaço de tempo, a menos que entretanto o cerne da questão fosse abordado, discutido e eventualmente corrigido. De caminho tentou passar uma imagem forte de exclusividade de que ninguém alheio ao processo deveria ter qualquer tipo de interferência. Nem o próprio presidente federativo. Típico!

Já antes do processo se iniciar e passar a ter desenvolvimentos decisivos, o melhor árbitro do planeta tinha deixado um alerta público em que aquilo que não disse mas ficou claramente implícito demonstrava, sem sombra de dúvida, de que os bastidores da arbitragem já estavam a fervilhar e havia um profundo mau-estar que poderia vir dar origem a alguma agitação. É certo que o sector nunca viveu uma paz celestial porque mexe com diversificados e poderosos interesses e está sempre sujeito a intensas pressões, mas partindo do seu interior da forma como foi tornado público, configura um nítido tiro nos pés e não ajuda, de nenhum modo à acalmia e à pacificação da classe que pelas razões que se conhecem nunca teve sossego. Com ou sem profissionalismo.

A velha e requentada questão dos delegados e observadores é uma questão que tem perdurado, e as alegadas situações de incompatibilidade de alguns membros apenas e só contribui para que hajam suspeições sistemáticas devido a um sistema que estando demasiado dependente do factor humano, origina erros e imprecisões que criam focos permanentes de instabilidade na classe. Nesse particular, o processo Apito Dourado transmitiu-nos a certeza daquilo que já há muito rumorejava à boca pequena na opinião pública que acompanha mais de perto o fenómeno futebolístico, sobre a teia complicada de interesses que ciranda à volta de um sector sempre debaixo de fogo.

Mas a questão central prende-se com a forma como está montada a tenda que apesar de vários avanços, actualizações e progressos, está eivada de contradições e afectada por interesses individuais e colectivos de há longos anos a esta parte, pois representa um objectivo muito importante para quem detém e manipula o poder a seu bel-prazer e não o pretende de nenhuma forma abandonar, porque sem ele passaria a estar em pé de igualdade com todos aqueles que lutam diariamente pela verdade desportiva. Essa problemática justifica em grande parte as assimetrias dentro do próprio sector em que interesses obscuros se têm sobreposto ao colectivo da classe numa lógica de dividir para reinar, premiando ou castigando em função da sua maior ou menor permeabilidade aos jogos de poder.

Com a época prestes a iniciar-se o mundo do futebol observa com alguma preocupação este conflito que não deixará de ter marcas no sector onde as clivagens e as incompatibilidades entre os mais influentes árbitros e a cúpula são cada vez mais nítidas. Urge que o bom senso e o diálogo construtivo entre todas as partes interessadas avance rapidamente, encontrando um ponto de equilíbrio nas questões que estão em cima da mesa, com bom senso e com a definição de um critério objectivo que consiga obter a mais ampla concordância possível por forma a que a temporada se inicie com tranquilidade e não com resquícios de situações mal resolvidas que acabam por ter sempre efeitos negativos. O futebol agradece e nós todos que o muito o apreciamos também!








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