Ponto Vermelho
Os apressados-II
15 de Julho de 2013
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Ontem o Benfica teve mais um jogo de preparação ou se quisermos um teste na Suíça. Desta vez o adversário foi o Bordéus nosso velho conhecido das lides europeias exactamente com o mesmo tempo de preparação dos encarnados. Muitos atribuem uma importância relevante a estes encontros considerando, primeiro do que tudo, os resultados finais. Há até quem, para ser mais completo, elabore classificações da pré-época, em que não faltam os campeões e os apurados para as provas europeias. E até não faltam aqueles que vão descer de divisão. Para já não entrarmos no campeonato das transferências

Não faltam igualmente aqueles que num qualquer jogo de preparação em que simbolicamente existe uma tacinha para abrilhantar a ocasião, considerem que o clube vencedor já ganhou o primeiro troféu da época. São aqueles cujo horizonte da profissão de jornalista se revela demasiado acanhado, estando cingidos ao mundo clubista e que vêem o que se passa à sua volta pelos olhos dos adeptos fanáticos que não enxergam muito mais para além do seu nariz. A profissão é frequentemente suspensa, diríamos mesmo engavetada e, como não poderia deixar de ser, abastardada. Nada que surpreenda nos dias de hoje.

Para além das insuficiências que caracterizam qualquer equipa em permanência e especialmente no início de cada pré-temporada em que o plantel está em mutação, os jogadores das selecções apresentam-se mais tarde e os índices físicos estão muito aquém do desejável (individualmente cada caso pode ser um caso), é uma teoria LaPaliciana que as equipas que menos alterações sofreram são as que, por maioria de razão, se apresentam mais competitivas e obviamente do ponto de vista desses jornalistas-adeptos, as que estão em posição de teoricamente alcançarem resultados mais imediatos para que possam elaborar a dita classificação. Que vale o que vale porque depende da substância dos adversários que encontraram, bem como do seu grau de preparação.

Esses jogos como (quase) todos sabemos servem exactamente para integrar novos jogadores, ensaiar várias soluções, novas nuances e sistemas tácticos que não devem ser testados com a competição a decorrer. E só se sabem se resultam se forem ensaiados nesses jogos da pré-época em que os resultados, não sendo desprezíveis, são o que estão no fim da escala de importância. No caso do Benfica e até ao momento, a chegada de novos jogadores é sintomática, aparte serem da região dos Balcãs, do Norte da Europa ou sul-americanos. Seria pois previsível um ror de experiências que teriam que se reflectir necessariamente nas exibições da equipa e na sua capacidade de resposta. Mas continua a haver gente que observa tudo pelo prisma negativo; uns porque defendem outros interesses e outros porque enfermam de pessimismos congénitos.

Acresce que nesta fase da pré-época como todos podem vislumbrar, os treinos têm sempre uma especial incidência sobre a parte física em detrimento de outras componentes nomeadamente a de velocidade. E isso não pode deixar de se reflectir no comportamento da generalidade dos jogadores. E fazer jogos em dias seguidos e integrar 7 ou 8 jogadores tem que se fazer sentir. Começar a dar bitaites sobre pretensos avanços ou recuos ou sobre situações de superioridade ou inferioridade relativamente a qualquer adversário para além de ser prematuro, indicia que há já plumitivos que estão mortinhos por puxar esse tema para a actualidade regionalista. Não vamos por aí.

Não se pode nem deve escamotear que neste momento, para além da integração gradual que está a ser processada a nível de novos jogadores, a sua habituação ao futebol português e ao sistema táctico da equipa, existe um conjunto de situações por resolver. Sem se saber qual a direcção que será escolhida, tudo o que possa ser dito em jeito de antecipação corre o risco de não passar de pura especulação. Seria concerteza desejável, sobretudo para a estrutura e para os adeptos, que tudo estivesse já resolvido. Mas como sabemos, para além de eventuais erros e insuficiências próprias, existe o mercado incompreensivelmente aberto muito para além do que seria lógico (com as competições a decorrer), e isso impede os clubes e naturalmente o Benfica de pensar definitivo.

Nesta conjuntura em que continuam a grassar as dúvidas, ninguém pode afirmar de forma peremptória a conclusão definitiva de todo este processo. No Benfica e em qualquer outro lugar. Assim sendo, antes do fim do período de transferências será sempre prematuro avançar demasiado como alguns já estão a querer fazer. Como precipitado será dizer que este ou aquele clube já leva avanço. As contas fazem-se no fim e só aí se pode confirmar ou desmentir a versão última das coisas. O Benfica que o diga pois tinha 4 pontos de avanço na recta final e no sprint sob a meta acabou por ficar com menos um. Logo…

P.S. À margem disso: será mesmo que para gáudio de alguns jornalistas JJ irá apostar num defesa-esquerdo de raiz?






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