Ponto Vermelho
De volta a Óscar Cardozo
16 de Julho de 2013
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Com o fim das férias dos internacionais do plantel do Benfica regressa também o proscrito Óscar Cardozo. Ao que diz a imprensa até terá antecipado a sua chegada para ter uma conversa com o Presidente encarnado para saber o que a SAD do Benfica lhe tem reservado para o futuro próximo. Depois da atitude pública reprovável protagonizada pelo ponta-de-lança paraguaio na final da Taça de Portugal, muita tinta tem corrido sobre aquilo que o Benfica devia ou não fazer, desfilando um ror de aconselhamentos dos quais os responsáveis encarnados deverão ter certamente tomado boa nota.

Grosso modo o panorama tem sido aproveitado para tecer considerações negativas sobre a atitude (ou falta dela) da Direcção encarnada e em particular do seu Presidente que, segundo algumas pessoas, deveria ter agido de imediato. Situemo-nos no momento dos acontecimentos em que o desmoronar das expectativas de tudo poder ganhar se tornou irreversível. Aí, escusado será dizer que carga psicológica terá atingido certamente picos impensáveis. Como considerar então as reacções não só de Cardozo como depois da falta de fair play da equipa: com inflexibilidade ou com alguma bonomia?

Temos observado as mais opiniões mais díspares. Mas tratando-se de uma equipa profissional habituada à pressão que a acompanha em permanência, é obvio que tem que estar preparada para enfrentar situações complicadas sobretudo na altura dos desaires. A final do Jamor foi o epílogo de uma sequência anormal de dois resultados decisivos negativos, materializados nos últimos momentos, mas o Benfica tem que estar ciente de que os jogos só acabam quando o árbitro apita. Portanto, ainda que possamos olhar para o assunto com alguma compreensão pelo estado em que os jogadores se encontravam naquele preciso instante, a realidade é que nada desculpa o que aconteceu que acabou por colocar em xeque a imagem dos encarnados.

Posto isto, coloca-se a questão sobre a forma como a Direcção do Benfica deveria agir perante os factos consumados. E se no que toca à atitude da equipa se justificava plenamente um pedido de desculpas público dado que o ocorrido não pode nem deve ser a imagem que deve ressaltar de qualquer equipa do Benfica, já em relação a Cardozo o facto de publicamente nada ter sido avançado da parte dos encarnados fez com que se enveredasse, como é da praxe, pelas especulações mais imaginativas. Apenas Jorge Jesus se pronunciou no final do desafio e, depois na entrevista à Benfica TV dizendo o óbvio – que Cardozo não tinha procedido de forma correcta e que tinha transmitido a sua opinião a LF Vieira.

O Presidente dos encarnados tem mantido o silêncio sobre o tema e não sabemos se teria avançado pormenores caso não tivesse cancelado a entrevista que chegou a estar prevista na TVI. Muitos entendem que já se devia ter pronunciado porque a pré-época já está a avançar. De concreto sabemos que o episódio e o facto de ter sido encarada a sua possível venda deu origem a que houvesse a automática desvalorização do seu passe, estando os eventuais clubes interessados a jogar com esse factor. E isso não é evidentemente uma boa situação quer para o clube quer para o jogador em que o desgaste é acentuado. Seja como for esta questão não estará longe de ter novos desenvolvimentos, aguardando-se os próximos dias para se saber o que tem em mente o presidente encarnado, depois da atitude indesculpável do jogador.

Afirmaram também alguns que o silêncio de LFV teve como consequência que Jorge Jesus tivesse ficado desprotegido. Não concordamos de todo. Os timings são como é natural escolhidos pelo Presidente do Benfica como gestor do processo, até porque tem em seu poder todo um conjunto de dados que ninguém, por mais que julgue estar documentado, terá. Haverão certamente fundadas razões para que isso tivesse acontecido e a interrogação que eventualmente se poderá colocar é se aquilo que vier a ser decidido justificou a manutenção de um silêncio prolongado. Mas como isso ainda não aconteceu, de nada adianta haver palpites neste momento.

A todo este vasto processo de intenções não será alheio o facto de muitos quererem fazer incidir sobre Jorge Jesus uma pressão extra que lhe advém do facto de ter de conseguir bons resultados no imediato, situação que ganhou particular animação com o sorteio do campeonato que levou muita gente a esfregar as mãos de contente. É que sendo Jesus o treinador de LF Vieira, caso os resultados não sejam satisfatórios no imediato, será criada uma pressão adicional que não deixará de envolverá ambos. E isso interessa obviamente a muita gente…






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