Ponto Vermelho
O que estará mais para acontecer?
19 de Julho de 2013
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Mantem-se a máxima que determina que no futebol português tudo pode acontecer. Até as coisas mais inverosímeis e que jamais pensaríamos que pudessem vir a ter lugar. Nova época e nova borrasca em perspectiva, desta vez afectando o tecido da arbitragem que vive momentos de alvoroço por causa das classificações relativas à época passada e que, depois dos primeiros rounds, continuam a provocar ondas de choque e um profundo descontentamento na classe. Este terá sido um pretexto forte para agitar as águas que prometem provocar ondas alterosas.

Foram amplamente divulgadas as razões para tal agitação – os critérios classificativos que pelo que se observa não agradou nem a gregos nem a troianos. Até agora a responsabilidade tinha sido atribuída à Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol que teria resolvido introduzir novas nuances através de uma estranha fórmula matemática que com a sua aplicação, para além das injustiças, destruiu toda a lógica, o bom senso, e sabe-se lá que mais. Perante os dados que vieram a lume, foi possível observar enormes desfasamentos na aplicabilidade coerente dos critérios que poderiam resultar de lapsos sempre possíveis quando se testa um novo figurino.

Como extensão do clamor público dos árbitros com os internacionais à cabeça, ficaram a aguardar-se explicações dos responsáveis em particular do presidente do CA, Vítor Pereira. Que as deu logo a seguir sem grande convicção prometendo rectificar o que viesse a ser detectado como sendo incorrecções. Desde logo se percebeu que não passaria de pormenores que segundo o líder do CA não justificavam de modo nenhum o burburinho que se estava a gerar no sector e que já era do domínio público, algo contraditório com o corporativismo que a classe sempre deu mostras ao longo da sua existência.

E o que é facto é que não tendo havido alterações substanciais nas classificações, o sector voltou a agitar-se com a Associação da classe a emitir um comunicado duríssimo criticando abertamente o Conselho de Arbitragem. Esperava-se pois que no curso de início de época na Covilhã e que reune a nata da arbitragem voltasse a haver novidades, pois face à situação que o mundo da arbitragem está a viver todas as figuras gradas convergiram para aquela cidade serrana. Assim sendo, com todos presentes, seria possível discutir as divergências olhos nos olhos e conseguir encontrar pontos de entendimento que ajudassem a ultrapassar o diferendo.

E eis que, surpresa das surpresas, surgiu a bomba com Vítor Pereira a afirmar perante os árbitros que as tão badaladas classificações não tinham sido da responsabilidade da Secção de Classificações do Conselho de Arbitragem mas sim de alguém com responsabilidades institucionais acima do próprio CA! De facto, esta afirmação do líder deve ter deixado os árbitros estupefactos bem como as pessoas que costumam acompanhar estas situações do complexo e estranho mundo da arbitragem portuguesa. Não era evidentemente caso para menos!

A ser inteiramente verdade esta revelação (e não existem razões para que se possa duvidar), ultrapassa largamente tudo o que se poderia esperar, representando uma usurpação de funções atribuídas a um órgão que foi ultrapassado numa missão de que estava incumbido e era da sua responsabilidade. Mas para além do facto em si que deve levar a uma profunda reflexão sobre quem é quem, o que faz e para onde caminha, existe outra questão bem mais grave que é vir a saber-se esta nova realidade por mero acaso e apenas porque houve problemas nas classificações.

Não tivesse surgido este alarido e provavelmente tudo passaria despercebido aos olhos da opinião pública. Isso leva-nos a algumas interrogações: Quem terá(ão) sido a(s) misteriosa(s) personagem(ns) que puxou(aram) a si a responsabilidade das classificações? Porque razão a Secção de Classificações e o próprio líder do CA, sentindo-se ultrapassados não denunciaram a situação e se demitiram de imediato? Porquê Vítor Pereira assumir este papel fragilizado perante a plateia de árbitros que longe de acalmar os ânimos ainda foi acirrá-los?

Quer-nos parecer, sem sombra de dúvida, que subjacente a tudo isto está uma intensa luta de bastidores para controlar a arbitragem e que deixou Vítor Pereira numa situação muito periclitante e com a autoridade muito abalada. Não foi por acaso que de rompante surgiram em cima da mesa vários nomes bem conhecidos para o substituir, entre os quais o de Carlos Carvalho figura de proa ligado ao CA da AF do Porto e que tivémos ensejo de ver referenciado nas escutas do Apito Dourado. Aguarda por isso a opinião pública uma clarificação urgente de todo este imbróglio antes que seja tarde. É que a época está quase a começar e bem precisa de se iniciar com a máxima acalmia. Será possível?




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