Ponto Vermelho
Regresso a meio-gás
21 de Julho de 2013
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Ontem demos as boas vindas ao regresso da histórica Taça de Honra da AF Lisboa desejando que a prova se voltasse a implantar no panorama futebolístico lisboeta depois de vinte anos de interregno. Muita coisa mudou desde então, os tempos são outros e a forma como o público e os adeptos mais jovens olham para uma prova que não lhes diz rigorosamente nada, prometia alguns contratempos e à partida, pela crise que tudo condiciona (apesar do preço dos bilhetes ser acessível) não se esperava uma grande adesão do público.

Assim foi, até porque, com excepção do Estoril e do Belenenses que deram o pontapé-de-saída, quer Benfica quer Sporting (ainda que por diferentes razões) apresentaram onzes muito diferentes daqueles que irão iniciar o campeonato. Ainda assim, a despeito do regresso da prova estar longe daquilo que seria certamente o desejo do empenhado presidente Nuno Lobo, admitimos que foi um ponto de partida para que a prova se torne de novo obrigatória. O ideal seria regressar ao que era dantes – representar o Torneio de Abertura oficial da época –, mas devido à nova realidade que obriga os clubes a outro tipo de gestão e ginástica financeira, deverá ser definido pela Associação em conjunto com os clubes, datas de realização que não colidam com interesses.

Posto isto, longe de se poder afirmar que o regresso da prova tenha constituído um êxito, teve pontos positivos mas outros a carecer de revisão. Porque se se pretende que a prova venha a atingir a tradição do passado, é preciso que todos – a começar pelos clubes – não a encarem de ânimo leve e lhe transmitam a dignidade e o empenho que a mesma merece e justifica. Dizer como disse o treinador da equipa B do Benfica, Hélder Cristóvão, que ”encarámos este jogo como uma unidade de treino “, é não só desvalorizar a prova como ter menosprezo pelo rival de tantas batalhas, pelos adeptos e pelo público.

É por demais sabido o impacto que assumem as declarações de qualquer responsável do Benfica. Não é novidade para ninguém que os vários quadrantes estão sempre à espera de qualquer deslize ou de qualquer comentário ou declaração que possa dar azo a manipulação. Daí que tenha que haver alguma prudência com o que é dito e que possa prestar-se a equívocos. E nesse particular Jorge Jesus pelas razões conhecidas tem dado origem a que por vezes isso aconteça, como é exemplo a questão da hegemonia que muitos perceberam o que quis dizer mas alguns continuam a insistir em distorcer o sentido das suas declarações.

Quanto ao derby em si não parece difícil reconhecer que o Sporting foi um vencedor justo. Porque apresentou uma equipa, foi empenhada, solidária e fez pela vida, enquanto que o Benfica se limitou a apresentar onze jogadores que, apesar de alguns nomes mais sonantes, nunca passou de uma caricatura de si próprio e demonstrou à saciedade que os nomes e as camisolas não ganham jogos. E a atitude sobranceira como encarou o desafio ficou espelhada nas declarações do treinador Hélder Cristóvão no final do desafio.

Provavelmente será erro nosso, mas não percebemos o que se queria atingir com a equipa escalada e com a atitude demonstrada ao longo de quase todo o desafio onde, para além do sérvio Mitrovic apenas um ilustre desconhecido de seu nome Harramiz surpreendeu pela positiva. O resto foi um deserto de ideias que teria inevitavelmente que terminar com uma derrota merecida. Dar minutos de jogo a alguns jogadores acabados de regressar de férias e que ainda não tinham disputado qualquer desafio poderá, sem dúvida, ser uma medida lógica, mas para além disso era preciso ter em conta que estavam várias questões em equação que não podiam nem deviam ter sido menosprezadas.

Desde logo o respeito pela prova, pelos espectadores em geral e pelos adeptos que mereciam e justificavam outro tipo de atitude. Depois porque não é segredo para ninguém que continuam bem vivos todos os últimos acontecimentos no final da época transacta que poderão ser chamados à colação caso os resultados da pré-época não sejam positivos. Assim, se nesta altura da temporada em condições normais, uma derrota poderia ser encarada com alguma compreensão, perder com o Sporting mas sobretudo da forma como aconteceu, acabou por deixar marcas em alguns adeptos menos tolerantes.

A Taça de Honra constituía a primeira prova de um exame contínuo e essa falhou. Resta à equipa técnica perceber rapidamente que é preciso inflectir nalgumas situações pelas razões conhecidas. Percebemos que um caminho faz-se percorrendo, e se tem rectas e planos, também tem curvas, montanhas e descidas. Nem sempre quem está de fora consegue compreender, de forma lógica o que se passa lá dentro. É essa, pelo menos, a nossa convicção. Por isso, a despeito de tudo isto, não encaramos o futuro carregados de pessimismo. Pelo contrário, estamos em crer que quando começarem os jogos a doer a equipa saberá estar à altura daquilo que dela esperam os seus adeptos.

P.S. 1 - Mais uma vez sofremos 2 golos (de bola parada) o que manteve a média dos jogos anteriores.

P.S. 2 - Finalmente com o Belenenses um jogo em que mantivemos a baliza inviolada. Já é um progresso!




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