Ponto Vermelho
Divagações da Pré-Época…
22 de Julho de 2013
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Enquanto os sportinguistas ainda comemoram um Domingo épico que provavelmente não se voltará a repetir nos próximos tempos e rejubilam com a inesperada (mas justa) vitória na ressuscitada Taça de Honra e com o êxito no Canadá ambos na lotaria das grandes penalidades, alinham-se na imprensa os comentários da praxe que glorificam os vencedores e fustigam sem apelo nem agravo os vencidos. E por maioria de razão o Sporting, que alguns já tinham apressadamente condenado ao cadafalso por força destes resultados positivos nas primárias, já admitem que pode não ser bem assim…

Aparte essas análises precipitadas com antecipações de vencedores e vencidos que os sortilégios do futebol por vezes têm a faculdade de desmentir a cada momento, prossegue a pré-época que tem dado origem (como aliás é frequente) a resultados incongruentes e que têm animado os paineleiros de ocasião. No fundo o que importa é introduzir novidades tenham elas muito, pouco ou nenhum fundamento, para apimentar as notícias se considerarmos que a pré-época é uma fase difícil para alguns órgãos de informação mais ligados ao desporto por ausência de notícias substantivas.

No diário da verdade a que temos direito em fecho de ciclo e agora com um novo visual, têm sido, por exemplo, tratados com o devido destaque, os pretensos desvios do Benfica de jogadores em quem o Sporting teria manifestado interesse na sua contratação (fosse por empréstimo ou a título definitivo), deixando nas entrelinhas, para os mais acérrimos adeptos lerem e fazerem o trabalhinho habitual de pressão, a ideia peregrina de que os encarnados se estariam a aproveitar da presente debilidade financeira leonina. E até, para enfatizar a questão, não faltou na ementa o renegado Bruma, algures em parte incerta que estaria na agenda benfiquista…

Uma forma ardilosa de fabricação de notícias para elevar a temperatura porque como é evidente, não serve a ninguém e faz muita confusão que os velhos rivais consigam ter, e sobretudo manter, relações institucionais normais ainda que como é óbvio cada um, como lhe compete, defenda os seus próprios interesses com convicção e perseverança atendendo a que os objectivos são comuns e por isso rivalizam há mais de cem anos. O que interessa a alguns é que essa rivalidade não seja salutar e muito menos sadia e haja choques frequentes por forma a sairem beneficiados nos seus interesses.

Os ciúmes de vizinho e a então forte debilidade benfiquista na década de noventa, deram ânimo a um ex-ascensorista para uma tomada de activos a custo zero. No prosseguimento dessa estratégia de aproveitamento, surgiu depois um ex-banqueiro que através de acordos contra-natura julgou que era o momento do definitivo aniquilamento do seu rival de sempre. A doutrina recebida do seu parceiro de coligação, a cegueira dos seus dirigentes e o ressurgimento lento mas firme do Benfica, conduziram gradualmente o Sporting ao seu estado actual.

É que quando era preciso solidariedade institucional do seu mentor, como seria expectável, o afastamento foi gradualmente acontecendo à medida que o Sporting se ia afundando. De que serve afinal um parceiro que não junta valor acrescentado? Que a lição seja aprendida… É claro que ficaram por aí alguns genes dos dois lados da vizinhança que se propagaram e que continuam como se tudo acontecesse como no passado recente. Ainda agora na Taça de Honra no Estoril a propósito de coisa nenhuma eles voltaram a manifestar-se, sendo crível que volte a acontecer. Há sempre gente que confunde a rivalidade realista com a violência que deriva da frustração. Felizmente sem consequências.

Mas são sintomas que é preciso não descurar. Porque do outro lado do Atlântico, provavelmente devido ao jet-lag e em terras de Simón Bolívar convidativas a acções revolucionárias, houve quem não resistisse a apaixonar-se pelo som do seu próprio eco. E embalado pela diáspora menos familiarizada com os débitos compulsivos de fina ironia já em acelerado estado de degradação, tenha divagado por caminhos soprados por ajudantes de campo desactualizados que com tanta vontade de satisfazer o inesgotável ego do seu master , cometeram o dislate de dar uma notícia em primeira mão quando afinal a mesma já tinha passado por muitas e em algumas redes sociais há mais de um mês… Felizmente que para o auditório esse pormenor era desconhecido e num esgar disfarçado de riso exuberante aplaudiram essa tirada boçal verdadeiramente digna do seu autor. Esperamos entretanto que o Papa Francisco não tenha ficado melindrado…






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