Ponto Vermelho
Vamos a isto?
23 de Julho de 2013
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O regresso da Taça de Honra depois de duas décadas de ausência devia ter merecido melhor atenção da parte de quase todos. Mas devido a circunstâncias várias foi apenas o possível e resta começar a trabalhar desde já para a próxima edição, de forma a limar arestas e conseguir encontrar uma data na pré-época em que haja disponibilidade para todos os clubes participantes. Não será fácil devido à nova realidade dos clubes, mas há que tentar conciliar interesses contando com a boa vontade de todos. É possível.

O arranque do novo ano-zero, estava desde logo condicionado por coincidir com o estágio da equipa principal do Sporting no Canadá. E não tivessem sido cancelados os dois jogos agendados para a África do Sul e teria igualmente acontecido a mesma situação com o Benfica. Com esse facto real, a prova ficou automaticamente desvalorizada e isso mesmo percebeu o público que mesmo com um aliciante Sporting-Benfica em perspectiva logo na 1ª jornada fez greve. A vida está muito difícil, implicava uma deslocação ao Estoril e mesmo com os bilhetes a preços convidativos, os adeptos, mesmo com a avidez própria de estarmos na antecâmara da nova temporada não gostam de comprar gato por lebre.

Com estes dados em equação e não podendo o Sporting apresentar o seu melhor onze, o Benfica decidiu (e a nosso ver bem) não apresentar os seus jogadores mais emblemáticos. Apesar de nada obstar a que o fizesse, não fazia de facto qualquer sentido pois era uma questão de princípio. Optou assim por fazer jogar um misto de jogadores, que incluía a base da equipa B com alguns laivos de C, reforçada com jogadores da A (alguns acabadinhos de regressar de férias) e, ainda, outros que tiveram a oportunidade de envergar o jersey encarnado pela primeira vez. E entregou a sua direcção ao novo treinador da equipa B, Hélder Cristóvão com o luxo de ter como observador especial Jorge Jesus que desta vez não ultrapassou o limite territorial da área técnica…

Terá sido uma opção discutível mas inteiramente legítima, que não mereceria qualquer reparo se por acaso tivesse corrido bem a experiência. Não correu como vimos. E não estamos a falar do resultado (apesar de perder ser sempre negativo e ainda por cima com o velho rival), mas do que não se viu e devia ter visto e vice-versa. Até julgamos perceber a ideia de começar a afinar estratégias na equipa B, dar ritmo a jogadores da A e ver em acção novos jogadores. Mas é preciso não esquecer que estava em causa a Taça de Honra cujo nome é bem explícito, era um jogo e não um treino de conjunto, e havia que respeitar os adeptos e o público que lá se deslocou. E a tirada infeliz do treinador encarnado no final do desafio não ajudou mesmo nada.

Com a salada com falta de tempero que foi apresentada, temos que convir que não se esperava uma exibição de equipa. Foram apenas jogadores desgarrados que se exibiram devido à natural falta de entrosamento e à não habituação a um novo treinador e às novas nuances tácticas. Que, segundo foi anunciado, irão fazer parte da ementa da equipa B já a partir desta temporada para ficar sintonizada com a A o que será sem dúvida positivo. Mas mesmo cientes de tudo isso, aos jogadores do Benfica impunha-se que demonstrassem outra vontade e outra atitude, justamente os pontos de fortes que o seu adversário apresentou. E teve a recompensa pois venceu justamente.

A equipa do Benfica por força de tudo o que tem sucedido não tem tempo… para ter tempo. É ganhar… e ganhar, de preferência com boas exibições. Está sob permanente escrutínio dos adeptos e opinião pública e não há período de carência para o ensaio de novas experiências. A constante chegada de novos jogadores colide de algum modo com a ideia generalizada que para uma equipa render é preciso estabilidade na sua estrutura de época para época. E assim sendo, qualquer deslize, por mais pequeno que seja, poderá ter efeitos devastadores numa parte dos adeptos que precisam de ser desmentidos na cepticidade que já faz parte do seu quotidiano clubista. Mesmo que se trate apenas de uma unidade de treino

Vêm aí novos jogos de preparação a começar já 4ª Feira com o Peñarol com quem o Sporting empatou e derrotou por penálties. Como é normal não faltarão desde logo comparações… mas isso é o menos importante e faz apenas parte dos fait-divers com que muitos se gostam de entreter. O que importa e há que ter em atenção é que o Benfica não perca mais tempo e estruture a equipa, por forma a que as exibições e já agora os resultados sejam consonantes com o objectivo pretendido – que a equipa apresente consistência em todos os jogos e demonstre a atitude e o comportamento próprio dos vencedores. Não será exigir muito…






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