Ponto Vermelho
O irresistível estrebuchar dos decrépitos
24 de Julho de 2013
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O longo processo de divórcio do Benfica dos fortíssimos interesses instalados no tocante aos direitos televisivos foi moroso, teve avanços e recuos mas foi uma ideia que foi germinando, e que a partir de determinada altura se tornou verdadeiramente irreversível. Para isso muito contribuiu a forma como nos últimos anos o Benfica tem sido achincalhado publicamente pelos interesses ligados ao monopolista, a onda gigante dos adeptos e simpatizantes encarnados que começaram a exigir a emancipação e, obviamente os interesses do clube e a Benfica TV já com uma experiência de quase cinco anos de vida.

Até se chegar a esse patamar foi preciso travar uma dura batalha, não só porque havia que quebrar o engessamento de que uma vez falou António Oliveira com conhecimento da causa, como a ponderação de condições e de rentabilidade que permitisse ao Benfica contrariar o efeito corrosivo de uma proposta de 22 milhões/época nada descipienda em tempos de profundíssima crise e num mercado tão restrictivo como é o português. Numa lógica de gestão de interesses de uma empresa, a ponderação de um negócio obriga os intervenientes a acautelaram os interesses de quem representam. Mas num clube em que o principal negócio é o futebol essa mesma lógica deve continuar a imperar, mas a paixão e o sentimento maioritário dos adeptos deve constituir para quem tem a responsabilidade de decidir, um factor de ponderação que não deve ser descurado.

Havia pois que romper com a tradição que vem desde a década de noventa e que deu origem a um monopólio que se tem mantido até aos dias de hoje. Não consta que alguém tenha ficado preocupado apesar dos sinais evidentes que o negócio era comprovadamente mais rentável para uma das partes. Também ninguém reclamou por existir esse monopólio numa actividade e num sector onde são movimentados milhões. Pareceu igualmente um facto normal a introdução de claúsulas que na prática davam primazia na renovação dos contratos ao monopolista. Finalmente, se os valores finais acordados correspondiam ou não à realidade do mercado.

Existe de alguma forma a convicção de que quando o Benfica deu sinais de que estava disposto a encarar a possibilidade de não renovar com a Olivedesportos, que estaria a fazer bluff e que essa acção destinava-se única e simplesmente a pressionar o operador que estava ciente de que era dono e senhor do mercado e que contava com os clubes que mantinha sob controle. E mais convencido ficou quando o tempo foi passando e mais ninguém se chegou à frente. Sobrava pois a prata da casa mas isso não passava de mera hipótese académica, até porque nunca nenhum outro clube no Mundo tinha arriscado uma situação desse tipo.

Só quando a realidade se começou a impôr e a Benfica TV avançou como hipótese verosímel é que muitos se começaram a convencer que algo estava prestes a mudar… e muito. Começou então a surgir a desvalorização da intenção que visava essencialmente demonstrar à opinião pública o insólito de o canal passar a transmitir os jogos dos encarnados em sua casa. E a partir do momento em que tal passou a ser uma realidade indiscutível, começaram a surgir as mais sórdidas manobras no sentido de dificultar e até mesmo impedir que esse facto se consumasse. Algumas são públicas e ainda duram, demonstrando que há muita gente preocupada. O furo da Premier League ainda veio aumentar mais o incómodo.

Não foi por acaso que o habitual mestre de cerimónias veio a terreiro bolsar preocupações que outros lhe segredaram, falando num conflito de interesses que mais não visa do que pressionar a Liga e lançar a confusão antes do campeonato começar. Com efeito, as preocupações com uma eventual falta de isenção por parte da Benfica TV só demonstra que o futebol português continua inquinado em todas as suas vertentes e que as mentalidades doentias que conhecemos apenas têm sofrido evolução no refinar das golpadas. É espantoso virem evocar factos que não aconteceram, quando o silêncio imperou sistematicamente nas transmissões da Sport TV com manipulações e omissões de imagens em função das circunstâncias e onde até não faltaram comentários manipuladores.

Percebemos a preocupação de quem vai ter que enfrentar uma nova realidade e tenta por todos os meios denegrir e dificultar ao máximo algo que parece imparável. Nos bastidores tentam arrastar para defesa do seu bastião outros clubes, para dar a sensação de que se trata de um movimento de preocupados com a verdade desportiva. Esses mesmos que depois do exemplo gratificante que deram no Olival no jogo de Juvenis que determinou o campeão, se recusaram a ceder as imagens da comemoração e que determinou o arquivamento do processo disciplinar naquilo que constituiu mais uma vergonha… para quem a tem. É o estrebuchar de velhos interesses conhecidos em que a interpretação começa a ser cada vez mais arrastada próprio da decrepitude dos seus mentores!






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