Ponto Vermelho
Encruzilhada
25 de Julho de 2013
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Contrariamente aquilo que tem sido norma no consulado de Jorge Jesus, a pré-época da equipa do Benfica tem sido tudo menos empolgante. As exibições têm sido dentros dos parâmetros normais para esta altura mas os resultados estão muito aquém do que muitos adeptos esperariam. Excluindo a Taça de Honra em que os encarnados não apresentaram a equipa principal, nos 4 jogos disputados até agora frente a adversários com diferentes graus de dificuldade, o Benfica sofreu nada mais nada menos do que 7 golos, com particular destaque para os resultantes de lances de bola parada, ainda que em contrapartida tenha marcado 13 golos. Não perdeu mas regista 2 empates.

Estes resultados e estas exibições, valendo o que valem, têm curiosamente, o mesmo efeito depressivo em boa parte dos adeptos. Se porventura o Benfica contasse por vitórias os encontros disputados e a elas se aliassem exibições empolgantes, não faltariam aqueles que diriam: «Pois é, jogam agora que se fartam mas quando chegarem os jogos a sério se calhar não ganham». Por sua vez outra corrente, igualmente significativa, diria: «Terminaram a época nas lonas e ainda não recuperaram. Isto está bonito para o princípio do campeonato com a sequência calendarizada de jogos!». Em ambos os casos a mesma situação de desconforto transitada do final da temporada pretérita, embora com resquícios ainda mais antigos…

Para esta época e até ao momento presente foram, finalmente, resolvidas as importantes lacunas das laterais com jogadores de raíz (se vão ou não afirmar-se essa é outra história!). De igual modo foi precavida a eventual saída de Garay e com o regresso de Rúben Amorim e a manutenção de André Almeida asseguradas alternativas a Matic como médios defensivos. Só que, Matic é um dos jogadores que não está livre de sair e isso poderá implicar um novo défice naquele lugar nevrálgico. Na frente central de ataque enquanto se arrasta a novela Cardozo que já devia ter sido resolvida e admitindo que a sua transferência é a única solução, nota-se um enorme défice dado que Lima e Rodrigo (que tarda em regressar ao momento de forma parada abruptamente por Bruno Alves) são manifestamente insuficientes para as exigências de uma equipa como a do Benfica. Ainda ontem se viu com o Peñarol.

As outras posições estão bem preenchidas e a eventual saída de um ou outro jogador não desfaz o equilíbrio, muito embora os que já pertenciam ao plantel por estarem mais rotinados e mais habituados ao sistema de jogo e às ideias do treinador possam, eventualmente, ser considerados como sendo mais importantes. Deixámos para o fim aquela que se nos afigura como sendo a mais complexa deficiência do plantel – a do guarda-redes. Não duvidamos que Artur seja um excelente guarda-redes, aliás ele já o provou em mais do que uma ocasião. Mas não pode ser escamoteado que ao longo da época anterior e sobretudo no seu final, Artur pareceu afectado e desconcentrado, o que o levou a comprometer.

Em provas que muitas vezes podem vir a ser resolvidas por pequenos detalhes, falhas como as que existiram acabam por ser decisivas. Bem sabemos que o lugar de guarda-redes é o mais ingrato dado que por ser o último a ser ultrapassado as suas falhas tornam-se mais visíveis. Também não ignoramos que nenhum guarda-redes está isento de erros e de uma vez por outra dar aquilo a que na gíria se chama de frango. Mas os adeptos do Benfica (em particular os mais antigos) que conheceram enormes guarda-redes, têm dificuldade em aceitar a realidade dos últimos anos que tem sido particularmente complicada.

Da parte da gestão percebemos que devido ao excesso de estrangeiros e na ausência de alternativas credíveis de portugueses (aparte Rui Patrício), não quererá queimar mais um lugar com a aquisição de um estrangeiro. Resta pois a Artur conseguir ultrapassar rapidamente a situação menos feliz que tem atravessado, demonstrando de novo a concentração e a eficácia que levaram os responsáveis do Benfica a promover a sua aquisição. Se assim for (e admitimos que será perfeitamente capaz), fará com que uma parte dos adeptos consiga afastar os temores que os têm atingido e que se têm propagado com todas consequências negativas para a equipa. É que, com os excessos incontrolados de alguns, existe a tendência para julgar as suas actuações com demasiada severidade, e isso reflecte-se no apoio a prestar. E quem afinal sai beneficiado?








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